"ESTOU  CANSADO, NÃO TEM TRABALHO, ESTOU CANSADO DE VIVER NUMA SITUAÇÃO HUMILHANTE,ESTOU CANSADO DE VIVER UMA VIDA MEDIOCRE"(MARCELO ROVERSO)

 

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Ufac realiza 5° Simpósio Linguagens e Identidades da Amazônia Sul-Ocidental Imprimir E-mail
15-Jul-2011
A Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora da PUC/São Paulo realizam de 7 a 11 de novembro, no campus universitário, a 5ª edição do Simpósio Linguagens e Identidades da/na Amazônia Sul-Ocidental e a 4ª edição do Colóquio Internacional As Amazônias, as Áfricas e as Áfricas na Pan-Amazônia.
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Este ano, em parceria com a coordenação do curso de pedagogia, também ocorre na mesma data a 15ª Semana de Educação da Ufac, trazendo como proposta central a abordagem acerca das diferentes linguagens que se entrecruzam no campo da educação escolar, em especial, e suas implicações no pensar e no fazer dos professores.

Por meio de conferências, sessões temáticas, minicursos, comunicações livres e oficinas, serão promovidas reflexões e apresentações de estudos em diferentes áreas do conhecimento que resultam de pesquisas e experiências de sala de aula nas cidades, floresta amazônica e florestas em outras partes do Brasil e do mundo.

“É preciso destacar que as questões e temáticas em discussão nesse evento foram produzidas em diferentes tempos e espaços. Desse modo, torna-se necessário pensarmos a importância dessas categorias para a compreensão das muitas formas de expressão, linguagens e relações sociais amazônicas como forma de situar a historicidade de suas formulações, as tensões e os embates que marcaram e continuam a marcar a produção de discursos, inventando e inventariando essa região, com seus territórios, culturas e gentes no mundo moderno”, observa o coordenador-geral do simpósio, professor Gerson Albuquerque.

A temática linguagens e educação permeará as discussões, norteando as atividades propostas durante os dias do evento. Além de pesquisadores e estudantes universitários, podem se inscrever e participar do evento alunos e professores de ensino médio, bem com ativistas e militantes de movimentos sociais e demais interessados.

As inscrições à comunidade em geral já estão abertas e se estendem até 7 de outubro. São feitas gratuitamente pela internet no sítio www.simposioufac.com . Já os interessados em apresentar pôsteres ou comunicações orais podem inscrever-se até 31 de julho.

Governo do Acre abre processo seletivo para a Usina de Arte

Edital visa o preenchimento de vagas remanescentes nos cursos oferecidos nas áreas de artes visuais, teatro, música, e cinema e vídeo

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O governo do Acre disponibiliza a partir desta segunda-feira, 18, o edital do processo seletivo para o preenchimento de vagas remanescentes nos Cursos Regulares da Usina de Arte (Foto: Val Fernandes)
O governo do Acre disponibiliza a partir desta segunda-feira, 18, o edital do processo seletivo para o preenchimento de vagas remanescentes nos Cursos Regulares da Usina de Arte, oferecidos nas áreas de artes visuais, teatro, música, e cinema e vídeo. Serão mais de 40 vagas oferecidas nas quatro áreas artísticas. O edital para o ingresso de novos alunos estará disponível na Usina de Arte e no site www.cultura.ac.gov.br. O período de inscrição é  de 18 a 22 deste mês.

As inscrições poderão ser enviadas pelos Correios/Sedex ou entregues com o devido registro e acondicionadas em envelope lacrado, das 8 às 17 horas, no Protocolo da Usina de Arte, situada à Avenida das Acácias, nº 1, zona A - Distrito Industrial -  Rio Branco - Acre, CEP 69908-970.

Para participar do processo é  necessário que o interessado tenha a idade mínima de 18 anos. Ele deverá preencher o formulário de inscrição e anexar o currículo que comprove experiência, de pelo menos um ano, em cursos, oficinas e atividades artísticas na área pretendida. Após o processo de inscrição, acontecerá a prova de habilidades específicas para cada área. Na música, envolverá audição individual; no teatro, prática de grupo e audição individual; na área de cinema e vídeo, atividade de observação; e na área de artes visuais, desenho de observação individual.

O resultado do processo seletivo será  divulgado no dia 5 de agosto de 2011, nos murais da Usina de Arte e no site www.cultura.ac.gov.br . A matrícula e o início das aulas acontecerão no dia 8 de agosto.

Com carga horária mínima de 700 horas, os cursos acontecem na Usina de Arte, de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 22 horas. Atividades complementares poderão acontecer em local, dia e horário diversos, assim como as aulas também vão ocorrer aos sábados, em virtude de feriados ou outras necessidades curriculares.

Serviço

Usina de Arte

Avenida das Acácias, nº 1 –  Distrito Industrial – telefone: 3229-6892

 

 

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Como me tornei santista - ARRIGO BARNABÉ

ARQUIVO ABERTO
MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
Como me tornei santista

Londrina, 1956-57

1º.jan.1957-Popperfoto/Getty Images/Acervo pessoal

O Santos em 57, com Pelé (agachado); ao lado, Arrigo (agachado, à dir.) com a camisa do time, em 60

ARRIGO BARNABÉ

EU TINHA, TALVEZ, uns cinco anos. Meu irmão mais velho, Marcos, já tinha um time: era corintiano -na esteira do campeonato do quarto centenário, quando o Corinthians foi campeão.
Meu pai era Palmeiras, mas o que ele gostava mesmo era de futebol. Havia jogado quase profissionalmente e era craque. O pobre coitado só teve filho perna de pau. Mas, curiosamente, incentivava a criançada a torcer por outro time. Devia ser porque, gostando tanto do esporte, queria torcer (na carona dos filhos) para outros clubes...

E chegou um momento em que tivemos uma conversa de homem para homem. Já estava mais do que na hora de eu escolher um time. A casa já tinha um corintiano, e eu adorava o distintivo do Corinthians, em que se destacavam a âncora, o timão (na verdade, uma boia) e a cor vermelha. Achava lindo!
Então meu pai me apresentou um brinquedo que consistia em um pequeno disco de plástico transparente. Havia ali dentro uma bolinha prateada solta. No disco, dois jogadores desenhados em posição de chute e, na ponta da chuteira de cada um, uma depressão para a bola se encaixar. O objetivo era encaixar a bola na chuteira.

Um dos jogadores era negro, usava um uniforme vermelho e verde. Adorei. O outro era um jogador branco, mas de uma cor branca enjoada, com uniforme todo branco, muito sem graça.
É claro que eu ia torcer para o time do jogador negro de uniforme vermelho e verde. Mas uma fração de segundos antes de decidir, perguntei a meu pai qual era o nome dos times. -Este aqui é Portuguesa, e o outro, Santos.

Gostei muito do nome também, Portuguesa. Achei legal. Existem nomes que atraem a simpatia das crianças, não sei por quê.

Mas o nome Santos era poderoso. Eu já conhecia a ideia de santo. Meu pai e meu avô materno já me haviam explicado. "Um santo é uma pessoa que só faz o bem, que é tão boa que vive junto a Jesus e Deus lá no céu..." Eu havia ficado muito impressionado que houvesse pessoas assim, achava alguma coisa além do bonito, além da mera beleza: era maior, um santo, era uma coisa extra.
Daí perguntei ao meu pai:

-Mas por que o time se chama Santos? É por que tem muito santo lá?

Meu pai, achando graça, disse:

-É, sim, só tem santo no time...

Então, fiz uma renúncia, um sacrifício. Sacrifiquei meu gosto, que era a Portuguesa, para torcer por um time que eu achava sem graça, sem colorido, com um distintivo feio, mas que, no fim das contas, era um time de santos"¦ E Deus, lá em cima, vendo meu sacrifício e desprendimento, me abençoou, fazendo com que o time que escolhi se tornasse o maior de todos os tempos.

Eu sei que foi antes do Pelé virar o "Pelé". Lembro-me de nomes desse período, nomes, esses sim, de que eu gostava, como Urubatão e Pagão. Lembro-me de Vasconcelos, Tite, Del Vecchio, Pepe, Manga.
Algum tempo depois, ouvi pela primeira vez "Assum Preto", com Luiz Gonzaga. Meu pai havia comprado o disco e o trouxe para casa, à tarde, voltando do trabalho. (Naquele dia, o Santos havia perdido para o Taubaté por 3 a 2.)

Quando colocaram o disco na radiovitrola e começou o "Assum Preto", aquela coisa de furar os olhos do pássaro, com a voz pungente do Gonzaga, comecei a chorar. Então meu pai perguntou se eu estava chorando por causa da música ou pelo fracasso do Santos diante do Taubaté.
Envergonhado pelo choro provocado por uma canção, menti. Disse que estava chorando pela derrota do Santos. E dessa mentira nunca mais me esqueci.



 


Escrito por Marcelo Roverso às 15h11
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CHICO BUARQUE..ESSA PEQUENA:"O BLUES JÁ VALEU A PENA"

   

Chico no espelho - Fernando de Barros e Silva

Compositor faz música de sua literatura em novo álbum com dez canções

FERNANDO DE BARROS E SILVA
COLUNISTA DA FOLHA

O narrador de "Querido Diário", música de abertura do CD "Chico", pode ser visto como um desajustado social, um tipo que não se encaixa direito em lugar nenhum.
"Há algo de incômodo nesse personagem, talvez ele pertença mais ao mundo da literatura que ao da música popular, a exemplo do narrador de "Estorvo". De certa forma, me identifico com tipos assim", diz Chico Buarque.
Ao mesmo tempo, explica, "a melodia da canção é aparentemente bastante simples, ingênua quase, o que provoca uma estranheza que julgo interessante".
Nada disso é óbvio a quem ouve essa canção pela primeira vez. E a sensação de estranhamento vai acompanhar boa parte das dez canções que compõem o disco. Dificilmente uma delas vai estourar ou tocar no rádio.
Ao aproximar desse "Querido Diário" o personagem remoto e sem nome do romance que publicou em 1991, pela Companhia das Letras, Chico evidencia um dos traços de seu novo trabalho musical: ele está impregnado por sua obra literária.
Isso aparece de forma bem mais explícita em "Barafunda", a penúltima das músicas: "É, não é/ Era Zizinho era Pelé/ Aliás, Soraia era Anabela/ Era amarela a saia/ Foi quando a verde-e-rosa saiu campeã/ Cantando Cartola ao romper da manhã".
Essa voz que recorda e confunde tudo (amores, história, futebol) pode evocar "Pelas Tabelas", samba de 1984, mas é sobretudo irmã gêmea da fala de Eulálio, o centenário narrador de "Leite Derramado" (2009), perdido entre lembranças e delírios, realidade e imaginação.
Mas este não é um Eulálio que resmunga e lamenta, e sim que exulta e celebra a vida, o que reforça e reitera a tensão (ou o contraponto) na obra madura de Chico entre o mundo sem escapes da literatura e a promessa de felicidade (ou de reconciliação) inscrita na sua música.
A mesma tensão está presente em "Sinhá", afro-samba em parceria com João Bosco, momento alto do álbum. Amarrado ao tronco, o negro suplica (em tom menor) para não ter os olhos furados pelo senhor de engenho.
Ele jura não ter visto "sinhá" nua no açude. Na última estrofe, a voz muda e um outro narrador, agora em tom maior, revela ser o "cantor atormentado/ Herdeiro sarará/ Do nome e do renome/ De um feroz senhor de engenho/ E das mandingas de um escravo/ Que no engenho enfeitiçou sinhá".
O tema do descendente mestiço da classe dominante, que em "Leite Derramado" recebe tratamento humorístico, aqui aparece numlongo gemido -lamento eeco da herança escravocrata.

VELHICE E AMOR
Mas Chico, 67, também é personagem de suas canções. O romance entre o homem mais velho e a mulher mais nova é o que inspira o blues "Essa Pequena". "Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora."
Desde os primeiros versos, impossível não imaginar que a canção dramatiza, com leveza e ironia, o namoro entre o autor e a cantora Thais Gulin. Ambos dividem ainda a voz em "Se Eu Soubesse".
A mesma brincadeira com o amor tardio ou extemporâneo volta em "Tipo um Baião": "Não sei pra que/ Outra história de amor a essa hora/ Porém você/ Diz que está tipo a fim/ De se jogar de cara num romance assim".
"Chico" é um disco em que o herdeiro e continuador da tradição de Tom Jobim rende homenagem ao escritor que ele também é. E é o testemunho de um homem em estado de graça, apaixonado.

CHICO

ARTISTA Chico Buarque
GRAVADORA Biscoito Fino
QUANTO R$ 29,90, em média

 

Após 5 anos de espera, Chico Buarque lança novo CD de inéditas. O disco, que traz dez faixas, leva o nome do próprio, Chico e tem participações especiais de João Bosco em “Sinhá”, de Thais Gulin em “Se eu soubesse” e Wilson das Neves em “Sou eu”, parceria de Chico e Ivan Lins e sucesso já consagrado na voz de Diogo Nogueira. Dessa vez, Chico homenageia o Blues e a Bossa, sem esquecer o Samba.

 

 



Escrito por Marcelo Roverso às 15h10
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REVISTA DE SÃO PAULO


GABY AMARANTOS, A BEYONCÉ DO PARÁ, ABRE O PRATA DA CASA DE AGOSTO DO SESC POMPEIA

Cultuada pela Orquestra Imperial e por produtores musicais como Kassin e Miranda, musa do tecnomelody e rainha GLS de Belém (PA) faz seu primeiro show solo em São Paulo

Destaque do chamado movimento Tecnobrega ou Tecnomelody e batizada de Beyoncé do Pará durante o festival Recbeat deste ano, em Recife, a cantora e compositora Gaby Amarantos faz seu primeiro show solo em São Paulo, no SESC Pompeia, dia 10 de agosto (terça-feira), às 21h. O show faz parte do projeto Prata da Casa, que acontece às terças-feiras e abre espaço para novas bandas e artistas mostrarem seu trabalho. No mês de agosto, a curadoria é do crítico musical e jornalista Marcus Preto. O repertório traz músicas como “Poderoso Rubi”, “Princípe Negro”, “Troca DJ”, “Não Te Quero +”, “Melô da Masoquista” e “Tô Solteira”.

Gaby já fez várias participações em shows da banda carioca Orquestra Imperial, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua versão “Tô Solteira” para “Single Ladies”, da cantora norte-americana Beyoncé, virou hit na internet e levou a cantora a programas de TV populares como Faustão, Ana Maria Braga e Vídeo Show, da Rede Globo.

A cantora e compositora iniciou sua carreira musical aos 15 anos de idade (atualmente tem 31 anos) como cantora gospel, na Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, na periferia de Belém. Desde essa época sua voz grave e marcante – já comparada a de Alcione - já chamava a atenção e logo Gaby passou a cantar pop-rock com MPB na banda paraense Chibantes.

A família de sambistas também influencia o estilo embalado em gêneros díspares como o Flashbrega, movimento que iniciou o brega no Pará na década de 1970, e o jazz de Ella Fitzgerald e Billy Holliday. Gaby também navega pelo teatro e pela dança. Foi coreógrafa de grupos folclóricos e quadrilhas juninas, habilidade que só contribuiu para a formação da “estrela do Pará”. 

Em 2000, Gaby caiu nas graças do brega e tornou-se uma pop-star da música paraense. O reconhecimento veio ao assumir o microfone do grupo Tecno Show, em 2002. A voz de Gaby é considerada especial por produtores como Miranda, Cyz Zamorano, Kassin e Berna Ceppas. A paraense ganhou vários prêmios como o Prêmio Cultura de Música, realizado pela TV Cultura de Belém; Melhor Cantora pela rádio Liberal, da Rede Globo, e Cantora Revelação pelo tradicional “Baile dos Artistas”.

Gaby também é considerada a rainha do movimento GLBT no Pará e participa de vários eventos do seguimento. A versatilidade da artista conquistou o público infantil e possibilitou façanhas como cantar Tecnobrega e Tecnomelody no Teatro da Paz, em Belém.

Gaby foi a única artista do Tecnobrega e Melody a participar do show “Terroir Pará” realizado pelo Governo do Estado do Pará, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Em 2009, Gaby participou do festival de música alternativa Se Rasgum, em Belém e, em 2010, do Recbeat, em Recife.



Escrito por Marcelo Roverso às 15h05
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Hermila Guedes em cena de Assalto ao Banco Central, longa baseado  no roubo de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, ocorrido em  2005  Foto: Divulgação

 

'o homem do gás'

Hermila Guedes 'em chamas' em clipe de banda pop-brega pernambucana


Hermila Guedes no clipe 'O homem do gás'/ Reprodução

RIO - A banda pode ainda não ser muito conhecida pelas bandas do Sudeste, mas seu clipe... "O homem do gás" disponível na internet pelo grupo pernambucano Tanga da Sereia virou hit. E muito do seu sucesso se deve à presença "fogosa" de Hermila Guedes, a protagonista do longa "O céu de Suely", de Karim Ainouz.

Incensada pela crítica como uma das promessas do cinema brasileiro, Hermila conta que aceitou o convite para o clipe pela amizade com um dos músicos do Tanga da Sereia. Fã do estilo pop-brega da banda, ela faz o papel da mulher trocada pelo marido por noitadas em bares e "com o corpo em chamas" acaba fazendo amor com o homem do gás.

- É uma grande brincadeira que virou sucesso aqui em Recife. Trajano (produtor e músico da banda) queria uma linha trash e ajudei na direção também - conta Hermila, que ficou conhecida na TV como a Elis Regina da série dedicada à cantora. - Agora o clipe está sendo conhecido no sul também. Muito bacana.

"O homem do gás" ( assista aqui ) foi gravado em fevereiro e, em três meses no ar sem divulgação alguma, teve mais de 7 mil visitantes. A atriz de 26 anos se diverte ao saber que a fama do clipe ultrapassou limites pernambucanos. Segundo ela, os rapazes do Tanga merecem.

- A banda é alternativa, super cool - define Hermila, dizendo que o lançamento do clipe no descolado bar Central, no Recife Antigo, foi um sucesso.

Curtindo a brincadeira do Tanga da Sereia e a gravidez de quatro meses, Hermila conta estar ansiosa com a estréia de seu novo trabalho "Deserto feliz", do conterrâneo Paulo Caldas. O filme sobre o tráfico de animais e a exploração sexual de menores, entre Recife e Berlim, foi exibido no Festival de Gramado esta terça-feira sem a presença da atriz. Ela também já adianta que não poderá viajar pelo país para divulgar o longa por causa da "gestação avançada".

Aliás, o assunto foi um pequeno impacto nos bastidores da TV Globo. Por causa da "inesperada, mas bem vinda" gravidez, Hermila perdeu o papel na próxima novela das oito, "Duas caras", de Aguinaldo Silva.

- Mas volto no próximo ano. Ainda não sei em que novela, mas virão outros trabalhos - garante ela.

Hermila Guedes em cena de 'Assalto ao Banco  Central'/Divulgação 

30-06-2011 ////////

Hermila Guedes

Atriz vive mulher de líder de quadrilha em 'Assalto ao Banco Central'

Depois de estrear no teatro no início dos anos 2000, Hermila Guedes despontou no cinema com “O Céu de Suely” (2006), premiado filme de Karim Aïnouz no qual vivia uma jovem que, sem recursos para criar o filho, decide rifar seu próprio corpo. Em seu terceiro filme (após “Entre Paredes” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”, ambos de 2005), a atriz chegou também à TV, atuando na novela “Ciranda de Pedra” e na série “Força-Tarefa”. Quatro anos após seu último filme, o polêmico “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, Hermila retorna ao meio que a projetou, em “Assalto ao Banco Central”, baseado num crime real ocorrido em 2005, que estreia no próximo dia 22. Na coprodução Globo Filmes, Hermila é Carla, a sensual mulher de Barão (Milhem Cortaz), o líder do grupo que realiza o maior roubo a banco do Brasil. Nesta entrevista exclusiva, a atriz pernambucana conta como foi a preparação da personagem e como foi a parceria com Milhen Cortaz durante as filmagens (assista ao trailer do filme).

Como surgiu o convite para trabalhar no filme? O que você se lembra do assalto real?
Antônia Fontenele (atriz e responsável pela produção de elenco do filme) pensou em mim para fazer o papel da Carla, me indicou para Marcos Paulo e ele gostou da ideia. Eu já admirava o trabalho do Marcos como diretor e fiquei super empolgada para participar do primeiro filme dele. O filme veio como um bom motivo pra conhecê-lo e ser dirigida por ele. No ano do assalto real em Fortaleza eu estava no Ceará fazendo ‘O Céu de Suely’. Por incrível que pareça, mergulhada na personagem, só fiquei do roubo sabendo meses depois, quando voltei para o Recife.

Como foi o processo de construção da Carla? Ela se parece com alguma outra personagem da sua carreira?
Tinha acabado de terminar a segunda temporada do seriado "Força Tarefa", ainda me via com resquícios da Sargento Selma, sem nenhuma vaidade, e a Carla é o oposto disso. A preparação foi feita por Fátima Toledo, sendo o meu segundo encontro com ela. Foi a Fátima, junto com a direção e a equipe de caracterização da Carla, que fizeram despertar em mim esse mulherão que a personagem pedia. Apesar da Carla ser também prostituta, e já ter feito algumas no cinema, não vejo nem uma semelhança com as outras. Aliás, acredito sempre nas particularidades de cada uma e procuro sempre conhecê-las (as personagens) durante os processos que vivo em cada filme que faço.

Como foi o trabalho com Milhem Cortaz? Ele contou que buscou uma interpretação com tons exagerados, quase de desenho animado. Como ele dialoga com o seu personagem?
Acho que os nossos personagens se complementam, ambos são ambiciosos e querem a mesma coisa, todo aquele dinheiro.Estão juntos, são companheiros, e o Barão tem o que quer da Carla e vice-versa. Então de alguma maneira, inconsciente ou não, eu e o Milhem tentamos achar um tom que pudesse ser nosso, entramos em sintonia. Um buscou no outro a parceria que as personagens têm.

Seu último filme foi o alternativo ‘Baixio das Bestas’ e agora volta numa grande produção. Qual é o ganho como atriz participando de projetos tão distintos?
Acima de tudo, ganho experiência. Sou privilegiada em poder experimentar personagens e viver processos tão diferentes. Cada diretor tem sua marca, o seu olhar e meu trabalho, minhas personagens, só se tem a ganhar com isso.

Você se divide entre cinema, TV e teatro. Você tem algum meio preferido?
É bom saber as diferenças das três linguagens e os prazeres que cada uma te proporciona. Acredito que por começar minha carreira praticamente no cinema, me sinto mais à vontade fazendo filmes. Mas gosto de poder vivenciar todas elas

Anima Mundi, que começa hoje, busca seu Tropa de Elite

Sabe aquele momento do "agora vai", quando as forças se alinham e tudo parece conspirar a favor?

No caso da animação brasileira, esse momento está se desenhando, como mostra o 19º Anima Mundi, que começa hoje no Rio e segue para São Paulo no próximo dia 27.

O principal festival de animação do país vem crescendo há anos --mais inscrições (cerca de 1.400 neste ano), mais filmes nacionais (369 inscritos, 77 selecionados) e mais participantes.

"As pessoas ainda não se deram conta, mas a produção audiovisual brasileira está passando por uma mudança profunda, que é o crescimento da animação", diz Cesar Coelho, um dos quatro diretores do festival.

 Divulgação 
Cena do curta de animação brasileiro
Cena do curta de animação brasileiro "Propriedades de uma Poltrona", de Rodrigo John

"A Ancine e o Ministério da Cultura só se ligaram nisso há pouco tempo, mas é um processo irreversível."

Quem puxa esse progresso é a produção para a TV, tanto com comerciais quanto com seriados infantis, como "Peixonauta", "Meu Amigãozão" e "Princesas do Mar".

"Já temos séries no Cartoon Network, Discovery Kids, Fox Kids, TV Brasil e Cultura. Isso já se cristalizou. O que estamos discutindo agora é como criar a estrutura necessária para dar continuidade", diz Coelho.

O que está faltando é o grande catalisador, o campeão de bilheteria que precipitará o "agora vai".

"A parte de publicidade está garantida, já acontece, mas a do cinema está engatinhando, um filme aqui, outro ali, não teve um longa de impacto", diz Carlos Saldanha, um dos convidados do festival (leia nesta página).

"A animação brasileira ainda está devendo seu 'Tropa de Elite'", concorda Coelho. "Mas ele vai ser feito. Temos gente boa, agora só precisamos montar a estrutura para isso."

Enquanto o blockbuster desenhado não chega, o Anima Mundi segue em seu projeto de catequização do público, com 421 filmes de 44 países, além das tradicionais oficinas e diretores convidados.

Dentre estes, um dos mais pop é o japonês Shinichiro Watanabe, criador de animês bem-sucedidos como "Cowboy Bebop" e "Samurai Champloo".

O espanhol Fernando Trueba (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1994, com o filme "Sedução") também vem para a exibição de sua primeira incursão pela animação, "Chico e Rita".

Outra apresentação que promete atrair atenção no Anima Mundi é a da americana Miwa Matreyek.

A artista irá fundir teatro e desenhos numa performance ao vivo.

Mônica Bergamo: Mulher de Kaká vai lançar CD e DVD de música gospel

Caroline Celico, 22, mulher do craque da seleção brasileira Kaká, finalizou o seu primeiro CD, que terá nove regravações de músicas gospel.

"Estou também fazendo um DVD, mas ainda é surpresa", afirma ela, que há cerca de um ano virou pastora da igreja evangélica Renascer.

A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha deste domingo (6). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Marisa Cauduro/Folhapress
Caroline Celico
Caroline Celico, mulher do jogador da seleção Kaká, vai lançar CD e DVD de música gospel

Entre as músicas, há duas composições da própria Caroline --uma para o filho, Luca, 2, e outra que gravou com Claudia Leitte--, além de uma carta que Kaká escreveu para ela e que musicou para a cerimônia do casamento deles, em 2005.

Caroline, que fez aulas de canto, toca piano e arranha o violão, diz que não pretende seguir carreira.

"Estou fazendo esse CD para dar de presente. Não vou vender. Vou colocar num site e as pessoas poderão baixar todas as músicas", diz.

LIA"

"ACREDITEI EM COISAS QUE NÃO ESTAVAM NA BÍBLIA"
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 15/07/11

Caroline Celico
Há um ano, Caroline Celico (pronuncia-se Célico), 23, mulher do jogador Kaká, lançava CD e DVD com músicas falando de Deus para distribuir aos amigos. Em três meses, alcançou a marca de 1,3 milhão de downloads na internet. Assinou contrato com a gravadora Universal e seus CD e DVD começam a ser vendidos no dia 19. Rompida com a igreja evangélica Renascer, ela disse à coluna, em SP (onde está há quatro meses por causa do nascimento da filha Isabella), que não pretende mais se ligar a nenhuma religião.
Afirmou também que o casal só volta a morar no Brasil "no fim da carreira do Kaká".

Caroline Célico afirma que na Igreja Renascer “aprendeu coisas que não estavam na Bíblia”

Em entrevista para a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, a esposa de Kaká fala sobre não seguir nenhuma religião

Caroline Célico afirma que na Igreja Renascer “aprendeu coisas que não estavam na Bíblia”

Caroline Celico, esposa do jogador Kaká, deu uma entrevista para a coluna de Mônica Bergamo da Folha de São Paulo, falando sobre o que pensa sobre o dízimo e também sobre não estar seguindo a nenhuma religião.

A ex-pastora e seu esposo confirmaram a saída da Igreja Renascer no final de 2010 sem dar nenhum detalhe. Na entrevista que foi publicada nesta sexta-feira, 15, Carol, que está lançando um DVD com músicas gospel, disse apenas que “foram por muitos motivos”, mas não quis citá-los. “Isso é uma coisa minha.”

A jovem de 23 anos se converteu por intermédio de Kaká quando eles ainda eram namorados. Durante uma pregação destinada aos jovens da Renascer ela chegou a dizer que sentia muito orgulho de já ter se convertido da denominação fundada por Estevam e Sonia Hernandes.

Mas de acordo com a entrevista, Carol Celico mudou de opinião e disse que aprendeu coisas que não estavam na Bíblia.  ”Fui entendendo Deus de uma forma diferente. Vi que algumas coisas em que eu acreditava, ou fui levada a acreditar, não estavam na Bíblia”, confessa.

Hoje ela e seu esposo assumem que não pertencem a nenhuma religião.  ”Por enquanto não sinto falta dos rituais”, afirmou Carol que também confessa que não pode dizer que nunca mais irá freqüentar uma igreja.

Ela também questiona a teologia da prosperidade, algo muito difundido na Renascer. “Numa passagem da Bíblia está escrito que para se curar da lepra era preciso dar sete mergulhos no rio Jordão. Então [eu pensava]: se Deus precisava que eu desse sete mergulhos, hoje Ele precisa que eu dê uma oferta, que eu entregue meu dízimo. E até meu dízimo não estar entregue, não vou receber meu milagre. Hoje vejo que Deus conhece o meu coração. Se eu entreguei ou não alguma coisa para Deus, Ele sabe o meu sentimento”.



Escrito por Marcelo Roverso às 14h47
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MINHA HISTÓRIA JORGE MAUTNER, 70

 

Divulgação


EU CANTO

A cantora e baterista Naná Rizzini lançou com show no Studio SP seu CD "I Said". O músico Edgard Scandurra e a cantora Tiê, que participam do álbum, foram ouvir o som.

MINHA HISTÓRIA JORGE MAUTNER, 70

 

Poeta do impulso

 

(...) Até os sete anos fui educado pela babá (...) Cheguei a ser preso pela ditadura (...) Essa trajetória me faz interpretar o Brasil pela forma da amálgama (...) Eu vim causar o tumulto da revolução democrática Fonte: folha.uol.com.br 15/07

-

RESUMO O cantor e escritor Jorge Mautner comemora 70 anos com um show na Casa de Francisca, em São Paulo. Além do programa no Canal Brasil, Mautner lidera uma comunidade tropicalista no Facebook, deve lançar dois CDs e um documentário sobre sua trajetória, feito por Pedro Bial.

Tudo para este ano, conforme conta para a Folha na primeira vez em que utilizou o Skype.

(...) Depoimento a

MORRIS KACHANI

DE SÃO PAULO

ARTUR VOLTOLINI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Nasci em 1941, um mês depois de meus pais chegarem ao Rio, fugindo do nazismo. Até os sete anos fui educado por minha babá, que era filha de santo, porque minha mãe ficou paralisada por conta dos terrores do Holocausto.

Durante esse período, eu ia ao candomblé três dias por semana. Lá, minha babá me pegava no colo e dizia: "Seus pais vieram de um lugar de pessoas muito más e cruéis. Mas aqui você vai ter seus amigos". E eu adormecia no colo dela enquanto os tambores tocavam.

Em 1948, minha mãe se casou novamente e fui para São Paulo. Meu padrasto, que era violinista do Theatro Municipal, fazia bicos nas rádios acompanhando músicos como Jackson do Pandeiro e Aracy de Almeida.

Frequentei esse mundo até os 14 anos. Aos 15, fundei o partido Kaos e comecei a escrever o livro "Deus da Chuva e da Morte", publicado em 1962 e que me rendeu um Prêmio Jabuti.

Frequentei o ateliê do pintor José Roberto Aguilar até ser apresentado a Guilherme de Almeida e ao historiador Câmara Cascudo. Eles foram o meu primeiro grande foco de companhia e de filosofia.

Depois, cheguei a ser preso pela ditadura. Em 1970, fui a Londres e me aproximei de Gilberto Gil e Caetano Veloso, meus amigos até hoje.

Caetano organizava o movimento, Gil era aquele abraço, e nós trabalhávamos em unidade simultânea. Assim nasceu o tropicalismo, que foi o movimento da plenitude da cultura brasileira.

Essa trajetória me faz interpretar o Brasil pela forma radical da amálgama. Essa é a pedra fundamental do século 21. A amálgama é miscigenação, mas vai além: é ela que possibilita ao brasileiro reinterpretar tudo de novo em apenas um segundo, e mais ainda, a absorver pensamentos contrários, atingindo o caminho do meio, que era o sonho de Lao Tsé, do Buda e de Aristóteles.

É por causa dessa importância tremenda que teremos a Olimpíada e a Copa aqui.

Ou o mundo se brasilifica ou vira nazista. Até o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, é amálgama também: ele já foi pai de santo, faz descarrego. É quase umbanda!

O mundo está infinitamente melhor do que nos anos 60 e 70. Nós vivíamos as guerras e as ditaduras. Agora há todo um entusiasmo, vivemos uma independência medonha, a ponto de sacudir as tiranias ainda existentes.

Os problemas de agora são os da abundância, em contraponto à escassez daquele tempo.

Graças à internet, as notícias atingem a todos. É a proclamação universal dos direitos humanos rompendo com todas as outras ideologias.

Meus impulsos são ideológicos e poéticos. Vou a meu analista e não levo problemas, só questões trabalhistas. Mas dinheiro não é minha preocupação primeira, deve ser a 14ª.

Sempre foi assim.

Minha filha Amora, minha netinha Júlia e todos os meus amigos do peito são o que me fazem feliz. Agradeço a Deus por ter nascido no Brasil. Eu vim para causar o tumulto da revolução democrática e irradiar a importância do Brasil universal.

 

Mostra no MAM destrincha anos de formação de Candido Portinari

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Artista flertou com vários estilos e dialogou com pintores como Modigliani, Manet e Picasso

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Retratos mostram como ele experimenta estilos enquanto estudos para murais ilustram sua potência expressionista Fonte: folha.uol.com.br 15/07

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Na figura de sua mulher, Candido Portinari tentou todos os estilos. Experimentou alongar o pescoço, como fazia Modigliani, flertou com a estética metafísica de De Chirico e Picasso no começo da carreira, tornando o rosto em esfinge pétrea, e com o cromatismo preciso de Manet.

Maria aparece nos retratos do pintor, que morreu intoxicado pelas tintas aos 58 anos, em 1962, traduzida a todos os gostos. Serviu de cobaia ao teste das técnicas, que levaria depois ao expressionismo que celebrizou o artista.

De certa forma, as várias versões da mesma mulher dispostas numa parede da sala maior do Museu de Arte Moderna são uma síntese da mostra que começa hoje, tentativa de destrinchar os anos de formação de Portinari.

"Resolvi concentrar em Maria a versatilidade no retrato", resume a curadora, Annateresa Fabris, à Folha.

"Ele tinha primeiro uma concepção próxima do [romântico] Ingres, depois passa a compor o quadro a partir de manchas cromáticas, e não de linhas, tentando captar a psicologia do modelo."

Mais do que um modelo único, Portinari voltou da Europa, onde passou dois anos, disposto a encontrar uma síntese para o Brasil, que encarna com toda a força nas paisagens e cenas prosaicas de sua Brodowski natal.

Uma sala da mostra destaca essas cenas como o ponto em que Portinari passa a flertar com o expressionismo, dissociando as figuras de seus contornos e exacerbando as cores. É também o momento em que nascem seus motivos mais recorrentes.

FRÁGEIS E PODEROSOS

Em "Sapateiro de Brodowski", tela de 1941, ele dá um salto rumo à estética de seus murais que exaltam o negro, o lavrador e os mineradores. "Há uma espécie de dissociação", analisa Fabris. "Ele junta esse tratamento mais frágil do pescoço com esses braços poderosos."

É de olho nesse poder, aliás, que críticos como Mário de Andrade identificaram em "Colonos Carregando Café", de 1935, a relação do artista com o muralismo de pegada social de Diego Rivera.

Mas Portinari, mesmo tendo observado de perto o gestual dos trabalhadores nas minas de Ouro Preto e Mariana para compor os painéis do Ministério da Educação e Saúde, no Rio, não se restringiu à noção de força física.

Seu maior trunfo, algo que aparece depois na igreja São Franciso de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, continuou sendo a força cromática e o traçado sintético de suas figuras. Até hoje, o altar da igrejinha é visto como seu "apogeu expressionista".

 Marcos Paulo diz: "é uma vitória pessoal estar em Paulínia"

Marcos Paulo posou para fotos e falou com a imprensa em frente ao  Theatro Municipal de Paulínia . Foto: Orlando Oliveira/AgNews Marcos Paulo e a mulher Antonia Fontenelle

A noite de encerramento do Paulínia Festival de Cinema foi repleta de alegria e emoção, começando pela exibição do filme Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo, que até a última semana estava internado no Rio de Janeiro por conta do tratamento de um câncer no esôfago. "É uma vitória pessoal estar em Paulínia, uma grande alegria", disse ele no palco do auditório do Theatro Municipal, ao lado da mulher Antonia Fontenelle.

Depois do diretor, foi a vez de Lima Duarte tomar o microfone e explicar um pouco a trama deste longa de ficção baseado em uma história verídica. Em agosto de 2005, R$ 164, 7 milhões - quantia que pesa 3,5 toneladas - foram roubados do Banco Central de Fortaleza, no Ceará. Sem nenhum alarde, os bandidos entraram e saíram por um túnel de 84 m, cavado sob o cofre.

Com uma boa dose de humor sarcástico, colocado principalmente no diálogo entre os personagens e que faz o espectador achar graça da forma como o banco estava despreparado em questão de segurança e os bandido muito preparados do ponto de vista de planejamento, o filme tenta recuperar perguntas não respondidas: quem eram essas pessoas que participaram do roubo? E o que aconteceu com elas depois?

O elenco conta com nomes de peso como Milhem Cortaz, famoso por Tropa de Elite e que nesta edição de Paulínia também foi visto no curta Cavalo; Eriberto Leão, que está no ar em Insensato Coração; Giulia Gam, Cassio Gabus Mendes, também no ar em Insensato; Milton Gonçalves, Tonico Pereira, Heitor Martinez e Juliano Cazarré, o intérprete de Ismael em Insensato e também personagem de Febre do Rato, trabalho de Cláudio Assis que recebeu oito prêmio no festival, entre ele o de Melhor Filme.

Barão (Milhem Cortaz) teve a grande ideia de ganhar muito dinheiro em pouco tempo ao cometer o crime perfeito, sem vítimas e sem violência. Para isso, basta arrumar as pessoas certas, dispostas a receber R$ 1 milhão, botar o plano em prática e executar a façanha. Após mais de três meses de operação e milhares de reais gastos no planejamento, em agosto de 2005, R$ 164,7 milhões foram roubados do Banco Central, em Fortaleza, no Ceará. Sem dar um único tiro, sem disparar um alarme, os bandidos entraram e saíram por um túnel de 84 metros cavado sob o cofre, carregando três toneladas de dinheiro. Foi o segundo maior assalto a banco do mundo.




Escrito por Marcelo Roverso às 14h29
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Marquinho Brasil faz show no Casarão-SABADO 16 deJulho

 

Marquinho Brasil faz show no Casarão

Do blues ao baião, artista receberá como convidados Clenilson Batista e os Lendários Nativos

Com um trabalho que traz uma estética musical bem marcante, o cancioneiro Marquinho Brasil, acreano de Rio Branco, faz show no Casarão amanhã, dia 16, a partir das 22 horas. O evento tem o apoio do governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour. Uma das características do seu trabalho é seu violão de aço, instrumento afinado e inseparável que ele utiliza com um estilo pessoal. Do blues ao baião, além de várias influências de outras regiões, Marquinho receberá como convidados Clenilson Batista e os Lendários Nativos, com João Veras (flauta/percussão e vocal), Koka-Kola (percussão/vocal), Clevisson Batista (baixo/vocal), Écio Rogério (violão) e Marcelo Roverso (violão, gaita e vocal). 

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“Há uma riqueza enorme de formas, ritmos e expressões musicais, além de tudo ele é uma pessoa viajada, que certamente absorveu uma série de influências de outras regiões do Brasil, o que acaba no final das contas sendo colocado no liquidificador pesssoal , e gerando um novo estilo, novo jeito de dizer as coisas através da música”, define o músico Kleiton Ramil sobre o trabalho do artista.

O músico acompanhava o pai seresteiro desde sete anos. Aos 16 anos em Brasília, participou de festivais, o que o motivou a compor, realizou seu primeiro show em 1987. A partir daí participou de vários festivais de renome nacional, além de apresentações internacionais, como no Festival Mundial de La Cultura Caribeña, em Cuba. Passou por Juiz de Fora (MG), e há 18 anos reside em Pelotas (RS). Foi a partir de 1994 que Marquinho trocou os bares e casas noturnas por teatros da região e passou a realizar shows com composições autorais que lhe renderam quatro trabalhos em CD: Andarilho (2000), Real Abstrato (2002), Estrada (2005) e Com as próprias mãos (2010).  

Para 2011, o músico se debruça no projeto Alma Brasileira. “A finalidade é mostrar a diversidade do sotaque musical de nosso país, usando ritmos e letras que citam e região norte, principalmente o Acre, onde pretendo tirar todo o conteúdo, referência e identidade”, define o artista, que acredita que mesmo que o projeto tenha uma alma brasileira, terá maior aceitação na região norte. “São minhas raízes os traços mais marcantes nesse novo trabalho”.

Danielle Knidel concorre a Miss Brasil no dia 23


 
 

A Miss Acre Danielle Knidel concorrerá no sábado da próxima semana, 23 de julho, na 57ª edição do Miss Brasil (2011). A noite de premiação acontecerá em São Paulo, e será transmitida ao vivo pela Rede Bandeirantes (canal 13). A beldade de Porto Acre competirá com outras 25 misses pela faixa e coroa nacional, passadas pela atual Miss Brasil, Débora Lyra. A grande vencedora do concurso será a representante brasileira no Miss Universo 2011.
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A miss acreana está na capital paulista para a divulgação, ensaios e preparativos do concurso desde o dia 9 deste mês. Ela cumpre uma ampla agenda turística, gastronômica e so-cial. Na terça (12), Knidel e as misses outros estados provaram os seus vestidos de gala para o evento. Elas estão sendo preparadas em todos os sentidos para brilhar na noite. Pelo encanto natural contagiante, Danielle está cotada como uma forte candidata do concurso.


E esta não é a 1ª vez que Knidel aparece no cenário nacional. Em 2008, a bela havia ficado em 2º lugar no concurso ‘Beleza na Comunidade’, da Record.


O Miss Universo, pela 1ª vez após 57 anos, acontecerá no Brasil. Ele será transmitido pela Band, do Credicard Hall, em São Paulo, no dia 12 de setembro. Mais de 80 mulheres do mundo devem concorrer a maior beldade mundial. Só 2 brasileiras já conseguiram tamanha proeza. Além de concorrer na maior competição de beleza mundial, a Miss Brasil também participa ao longo do ano de centenas de eventos oficiais de cultura, educação, esporte, etc.


A 2ª colocada no Miss Brasil representará o país na eleição de ‘Miss Beleza Internacional 2011’. A 3ª classificada disputará o ‘Miss Continente Americano 2011’, no Equador, em outubro.

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Expoacre - A Expoacre 2011 começa no próximo dia 23 (sábado) com a badalada Cavalgada de Abertura, com saída do Calçadão da Gameleira em direção ao Parque de Exposições. Escolha a sua comitiva e participe! Confira ainda na próxima semana a programação completa da Expoacre 2011.


Casarão - Com um trabalho que traz uma estética musical bem marcante, o cancioneiro Marquinho Brasil faz show no Casarão neste sábado, 16, a partir das 22h. Uma das características do seu trabalho é seu violão de aço, instrumento afinado e inseparável que ele utiliza com um estilo pessoal. O show terá participações de convidados especiais como Clenilson Batista e os Lendá-rios Nativos, João Veras, Koka-Kola e Marcelo Roverso.

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Solar de Maria - A “Noite do Amor Barato” será uma apresentação de canções de Chico Buarque. Um projeto que reunirá Chicólatras tanto para escutar quanto para cantar as canções desse que é um dos maiores músicos do Brasil.Também acontece uma exposição de fotos. Tudo isso no próximo dia 30 (sábado), a partir das 19h, no Solar de Maria.


EXPOSIÇÃO
O Sesc apresenta a exposição “Fotogramas”, de Antonio Quaresma, até o dia 24 de julho, das 8h às 18h, no Sesc Centro. Os fotogramas são, numa definição genérica, imagens realizadas sem a utilização da câmera fotográfica, por contato direto de um objeto ou material com uma superfície fotossensível exposta à uma fonte de luz. Esta técnica, que nasceu junto com a fotografia e serviu de modelo a muitas discussões sobre a ontologia da imagem fotográfica, foi profundamente transformada pelos artistas da vanguarda, nas primeiras décadas do século XX. Representou mesmo, ao lado das colagens, fotomontagens e outros procedimentos técnicos, a incorporação definitiva da fotografia à arte moderna e seu distanciamento da representação figurativa.

FESTIVAL
O primeiro “Festival de Pepêtas, Pipas e Papagaios da Baixada da Sobral” acontece neste sábado, 16, no Campo do Vidal (Bairro Bahia). O objetivo é conscientizar nossos jovens e crianças sobre o perigo do cerol que causa muitos acidentes nesta época do ano. Por outro lado, a criançada terá a oportunidade de se divertir e concorrer com suas pepêtas nas seguintes modalidades: Maior e menor pepêta, Pepêta mais bonita, Maior rabiola, Raibiola mais bonita, Melhores manobras, Pepetêiro mais velho, Pepeteiro mais novo e Combate (entrançado).

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MOSTRA SESC
É com grande satisfação que o Serviço Social do Comércio Sesc - Acre, em parceria com as demais Regionais da Região Amazônica realiza mais uma “Mostra Sesc Amazônia das Artes”, que acontecerá no período de 23 a 31 de julho com apresentações de espetáculos de Teatro, Dança, Música, e Exposição de Artes Plásticas. O projeto Sesc Amazônia das Artes é um projeto que viabiliza a circulação e o intercâmbio de espetáculos de teatro, dança, shows musicais e exposição de obras de artes que fazem parte da produção cultural de cada estado da Amazônia Legal. O projeto já está em sua quarta versão e este ano passará por aqui espetáculos dos estados (Amazonas, Amapá, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Roraima, Rondônia, e como não podia faltar, Acre). Os espetáculos já passaram por várias mostras de artes que acontecem todos os anos nos demais regionais do Sesc desde o mês de abril. Aqui em Rio Branco, os espetáculos acontecerão nos teatros: Cine Teatro Recreio, Teatro Plácido de Castro, Teatro Hélio Melo e Teatro de Arena do Sesc. Mais informações pelos telefones 3212-  2815 e 3212- 2818 (Setor de Cultura do Sesc Centro).


 

Seu Jorge em sua casa paulistana, no Morumbi

Música | Seu Jorge lança CD “Músicas para Churrasco Vol. 1″

Animação da música "A Doida", com a capa do novo CD de Seu Jorge

O álbum Músicas para Churrasco Vol. 1 é o primeiro de uma trilogia que será lançada por Seu Jorge. A idéia, segundo o músico, é continuar com as canções focadas em personagens e, talvez, elaborar uma comédia depois de concluir os três discos.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Seu Jorge falou do sucesso no exterior, da carreira no cinema e de suas perspectivas sobre o Brasil. O músico enfatizou a educação como ponto central de uma transformação no país. “Educação tem que ser discutida todo dia no jantar. Que nem novela. A gente não sabe tudo sobre os personagens? O interesse pela educação deveria ser nesse nível”, declarou.

 

Hermila Guedes
Uma das maiores revelações do cinema dos anos 2000, Hermila Guedes vem construindo uma trajetória cinematográfica que já soma quatro longas, com alguns dos diretores mais provocativos do cinema brasileiro atual: Marcelo Gomes, Karim Aiñouz, Paulo Caldas e Cláudio Assis.

Pernambucana, Hermila Guedes começou sua carreira no teatro em 1999 com a peça "A Duquesa dos Cajus", direção de João Ferreira. Nos palcos, ainda marcou presença em peças como "Angu de Sangue", em 2004, do surpreendente texto do escritor Marcelino Freire. No cinema, atuou nos curtas "O Pedido", em 2004, de Adelina Pontual - prêmio de Melhor Atriz no 4º Festival de Cinema do Recife e do 10º Cine Ceará; "A Velha Branca e o Bode Vermelho", de Adelina Pontual; "A Casa da Rua São João", de Lírio Ferreira; "O Homem da Mata", de Antônio Carrilho; e "Entre Paredes", de Eric Laurence. Hermila Guedes estréia em longas no premiado filme "Cinema, Aspirinas e Urubus" (2005), de Marcelo Gomes.

Mas foi no filme seguinte que sacudiu o país e vários festivais internacionais: "O Céu de Suely" (2006), de Karim Ainouz. O cineasta, que já tinha impactado com seu longa de estréia, "Madame Satã" (2002), realizou um filme brilhante e teve em Hermila a intérprete perfeita. O filme recebeu vários prêmios internacionais e ela foi premiada como Melhor Atriz no Festival do Rio e no Festival de Havana. O sucesso carimbou o passaporte da atriz para a televisão, onde deu vida à cantora Elis Regina no especial da Rede Globo, "Por Toda a Minha Vida". Hermila Guedes está novos filmes de Paulo Caldas e Cláudio Assis, respectivamente, "O Deserto Feliz" e "Baixio das Bestas".

Carreira:

Cinema
- Baixio das Bestas (2007) .... Bela
- Deserto Feliz (2007) .... Pâmela
- Rifa-me (2006)
- O Céu de Suely (2006) .... Hermila
- Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) .... Jovelina
- Entre Paredes (2005)

Teatro
- Três Viúvas de Arthur (2005)
- Angu de Sangue (2004)
- Meia Sola (2003)
- Paixão de Cristo (entre 2001 e 2005)
- Noite Feliz (2000)
- A Duquesa dos Cajus (1999)

Televisão
- Força-Tarefa (2009) .... Selma
- Ciranda de Pedra (2008) .... Divina
- Especial da TV Globo Por toda minha vida (2007).... Elis Regina

Publicidade
- Campanha publicitária do IDEB (MEC) (2008/2009)

Premiações
- No Grande Prêmio Cinema Brasil 2008, recebeu o prêmio de Melhor Atriz por O Céu de Suely
- Ganhou o Troféu APCA de Melhor Atriz na Mostra de Cinema de São Paulo, por O Céu de Suely (2006)
- Ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Havana, por O Céu de Suely (2006)
- Recebeu uma indicação ao Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Atriz, por Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
- Melhor atriz de curta metragem no 4º Festival de Cinema do Recife
- Melhor atriz de curta metragem no 10º Cine Ceará pelo filme O Pedido (2000) - Adelina Pontual
 
 


Escrito por Marcelo Roverso às 19h07
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TEATRO NO PRIMEIRO MUNDO

Eduardo Moscovis em "O  Livro"/Divulgação

12-07-2011 ////////

O Livro

Eduardo Moscovis retorna ao Rio com monólogo dirigido por Christiane Jatahy

Como você reagiria à súbita e defi nitiva privação de um dos cinco sentidos? Inspirado na experiência de quem perdeu a visão e escrita pelo consagrado Newton Moreno, “O Livro” apresenta possíveis respostas à pergunta que, provavelmente, todos já se fizeram um dia. Em cartaz no teatro do Espaço Cultural Sérgio Porto, o monólogo encenado por Eduardo Moscovis e dirigido por Christiane Jatahy – que havia sido apresentado no Rio em curta temporada, em outubro do ano passado – narra a história de um homem que, ao ler um livro recebido de seu pai, descobre que terá o mesmo destino de outros familiares: a cegueira.

O homem, então, atravessa quatro diferentes momentos, descritos por deficientes visuais e especialistas no assunto: a negação do problema, a revolta, a depressão e a aceitação. Para melhor compreendê- los, Moscovis viu filmes como “Janela da Alma”, de João Jardim, e obras do fotógrafo cego Evgen Bavcar, leu livros como “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, e visitou algumas vezes o Instituto Benjamin Constant, centenária instituição para ensino de deficientes visuais, onde fez aulas de reeducação para atividades cotidianas.

“Eles têm uma casa com jardim, sala, quarto, banheiro e cozinha, toda mobiliada, na qual você entra vendado e aprende a executar as tarefas mais corriqueiras sem depender de ninguém. Fiquei quase quatro horas lá dentro. No final, perguntaram se eu queria um copo d´água. Aceitei e me disseram: ‘Se vira, está na geladeira’. Mas é claro, há sempre uma pessoa explicando como fazer para você não queimar a mão ou se cortar, por exemplo”, conta o ator, que fez uma desafiadora apresentação especial para deficientes visuais, na qual descrevia o que fazia no palco em diversos momentos.

No palco, Moscovis interage com o papel que se desenrola de uma enorme bobina e o cobre com pletamente. O cenário original, concebido por Christiane, remete às folhas do livro bem como ao vazio de imagens da cegueira. Moscovis lembra, no entanto, que a peça guarda paralelos com outras situações enfrentadas na vida. “Falamos de uma pessoa que perde a visão, mas é claro que estamos falando também de outras perdas que a vida nos impõe, e que nos obrigam a uma releitura da nossa existência e a alteram de forma definitiva”.

Reynaldo Gianecchini e Maria Manoella/João  Caldas

12-07-2011 ////////

Cruel

Adaptação de Elias Andreato para Strindberg mescla drama e suspense

Um trio de belos rostos será capaz de amenizar a frieza de August Strindberg? A resposta para a questão está no palco do teatro Faap: Maria Manoella, Reynaldo Gianecchini e Erik Marmo protagonizam “Cruel”, adaptação de Elias Andreato para o clássico “Creditors”, do poeta e dramaturgo sueco.

“Cruel” é uma mistura de drama e suspense, com personagens que mesclam ingenuidade, manipulação, egocentrismo e soberba. “Tenho esse projeto desde 1983, quando atuei em ‘Senhorita Julia’, do mesmo autor”, recorda Andreato, que também assina a direção da montagem. “Enviei esse texto para vários atores ao longo dos anos, mas só agora concretizo o desejo de montá-lo, graças ao interesse desses meninos”, conta.

A adaptação sofreu alguns ajustes, segundo o diretor. “Tentei deixar o texto mais direto. Fiz alguns cortes, eliminei um pequeno personagem. Estamos fazendo uma montagem sem rebuscamento. Também decidi mudar o título porque ‘Os Credores’ não chama muito a atenção no Brasil. Já ‘Cruel’ é a essência dos personagens. Espero não ser amaldiçoado pelo Strindberg”, brinca Andreato.

A peça apresenta um jogo cênico psicológico em que personagens paradoxais pensam de uma maneira e agem de outra. O que move a história é a vingança. Gustavo (Gianecchini) quer acabar com a ex-mulher Tekla (Maria Manoella), uma sedutora e sagaz escritora que o deixou para viver com Adolfo (Marmo), um pintor inseguro. Ele reaparece na vida do casal premeditadamente, a fim de destruir suas vidas.

“Gustavo sofreu muito com a separação e vai fazer de tudo para aniquilar as pessoas que ele julga responsáveis pelo seu sofrimento”, analisa Gianecchini. Para concretizar sua vingança, o personagem não recorre à violência, preferindo uma ação mais sutil, psicológica. “É o tempo todo um jogo verbal, uma violência interna, que exige um trabalho muito forte do ator.”

A imersão no universo de Strindberg para encarar um vilão no palco tem sido enriquecedor para Gianecchini: “Na televisão, um personagem assim é raro. Eu tive a sorte de conseguir fazer o Fred da novela ‘Passione’, e ainda cercado por um elenco de primeira. No teatro, a gente vive o personagem mais intensamente, o ator mergulha mais”.

Rodolfo Bottino e Nelson Yabeta/Divulgação

12-07-2011 ////////

Homens, Santos e Desertores

Rodolfo Bottino e Nelson Yabeta vivem uma relação misteriosa em cena

Encenado pela primeira vez no Rio, “Homens, Santos e Desertores”, do dramaturgo Mario Bortolotto, tem direção de Ernesto Piccolo e promove a volta de Rodolfo Bottino aos palcos. Ele contracena com Nelson Yabeta, dando vida a uma dupla de personagens sobre a qual pouco se sabe – nem mesmo seus nomes são revelados. O espetáculo destaca a relação entre os dois, a partir das referências literárias e musicais que compartilham, além de certa inadequação social.

Bottino percebe um paralelo na montagem com outros autores que abordaram os chamados outsiders. “O texto do Bortolotto tem muito a ver com Charles Bukowski e John Fante, escritores  que me fascinavam por volta dos 18 anos”, aponta o ator, citando os autores de “Crônica de um Amor Louco” e “Pergunte ao Pó”. “Por outro lado, todo mundo é outsider, não existe outra realidade”, opina.

Amigos, vizinhos, amantes? Ninguém sabe como definir o relacionamento entre um estudante e um homem mais velho, recontado em flashes. A trama sustenta-se no texto forte de Bortolotto, carregado de um humor corrosivoque motivou o jovem ator e produtor Nelson Yabeta a buscar a autorização para a montagem. Empenho que impressionou Bottino: “Basicamente me encantou a fibra do Nelson. Poucos garotos têm a força de trabalho dele”, enaltece.

Adultérios/Jairo Goldflus

06-07-2011 ////////

Adultérios

Texto de Woody Allen traz Fábio Assunção de volta aos palcos

O espetáculo “Adultérios” é um dos textos que o cineasta norte-americano Woody Allen escreveu diretamente para o palco, trazendo sua marca registrada de fazer um humor inteligente, cerebral e neurótico. Traduzida por Raquel Ripani, a montagem tem adaptação e direção de Alexandre Reinecke, e traz no elenco os atores Norival Rizzo, Carol Mariottini e o retorno de Fábio Assunção aos palcos, após 11 anos.

O cenário é Nova York, onde ocorre o encontro entre um roteirista de cinema de recente sucesso e um típico mendigo americano. O roteirista está à espera de sua amante, para terminar o relacionamento, quando o sem-teto, esquizofrênico e extremamente inteligente, se aproxima, puxa uma conversa trivial, até acusar o roteirista de ter roubado sua história para escrever o roteiro de seu mais novo filme. Em meio a discussão, os dois se veem cada vez mais próximos, a ponto do morador de rua se tornar conselheiro sobre a relação que está prestes a terminar. A amante finalmente chega e tudo se complica; culminando em um final surpreendente.

Adultérios
Teatro Shopping Frei Caneca
Tel.: (11) 3472-2229/2230
Sexta, às 21h30, sábado, às 20h e às 22h e, domingo, às 19h
Este espetáculo não é recomendado para menores de 12 anos

Cena de "Outside"/João Julio Mello

29-06-2011 ////////

Outside – Um Musical Noir

Estrelada por Letícia Spiller, peça é inspirada na obra de David Bowie

O grupo D’Aquela de Teatro apresenta a ópera rock "Outside- Um Musical Noir" com texto de Pedro Kosovski e direção de Marco André Nunes. O espetáculo inspirado no universo artístico de David Bowie traz canções do músico inglês e canções originais de Kosovski e de Felipe Storino, executadas ao vivo pela banda Outsiders.

A montagem gira em torno do desaparecimento da adolescente Norma Jean Baker (Carolina Lavigne) nas ultimas horas do último dia do ano de 1999. Apesar de suspeita de se tratar de um crime comum, o departamento de crimes de artes, mantido pela galeria de Peggy Guggenheim (Letícia Spiller) e chefiado por Teodoro Adorno (André Mattos), é acionado para investigar. Os atores Jorge Caetano, Bruno Padilha, Gabriela Geluda, George Sauma, Laura Araújo, Remo Trajano, Marina Magalhães e Paula Otero completam o elenco.


Espaço Tom Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008 - Jardim Botânico
Tel: (21)2274-7012
Sextas, sábados e domingos, às 21h
Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos

Édipo/Fernando Antunes

25-05-2011 ////////

Édipo

Sófocles adaptado e dirigido por Elias Andreato

O espetáculo “Édipo”, texto de Sófocles em adaptação e direção de Elias Andreato, fala sobre a cegueira do homem, da grandeza humana e da desesperada insegurança da condição humana.


A peça foi representada pela primeira vez por volta de 425 AC e, como na maior parte das tragédias de Sófocles,  é centrada na figura de um indivíduo. Édipo é o herói cuja grandeza se encontra na capacidade de fazer uma escolhae assumi-la até as últimas consequências.


No elenco, os atores Eucir de Souza, Tânia, Bondezan, Romis Ferreira, Nilton Bicudo, Daniel Maia, Clóvys Torres e o próprio Elias Andreato mostram este herói que é uma espécie de símbolo da inteligência humana, que não pode descansar até solucionar todos os enigmas. “O poder cênico de Édipo Rei é sufocante, acredito que por sua simplicidade”, finaliza o diretor.

Édipo
Teatro Eva Herz
Tel.: (11) 3170-4059
Terça, às 21h
Este espetáculo não é recomendado para menores de 14 anos

HEREROS ANGOLA DE SÉRGIO GUERRA
Pouquíssimas pessoas conhecem tão bem Angola quanto o fotógrafo pernambucano Sérgio Guerra. Responsável pela comunicação do governo angolano, há quase 15 anos ele vive na ponte-aérea Salvador-Luanda. Daí nasceu uma relação de amor profundo com o país africano, dando origem a um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas e de suas populações, o que resultou em cinco livros. O mais recente, Hereros, é aquele no qual Guerra aprofunda seu olhar sobre a cultura daquele país e a matéria prima para a grande e inédita exposição ‘Hereros Angola’, com cerca de 100 fotos selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel Araujo.
 
Quem visitar a exposição, se surpreenderá ao encontrar a projeção de uma mulher herero, do grupo Muhakona, recepcionando os visitantes. A intenção é garantir a interação com o ambiente da exposição. O inusitado desta tecnologia, conhecida como vikuit, é que além de projetar a imagem para fora da tela, ainda é possível o contato com a sonoridade da língua nativa. 
 

 

 
O autor -  Fotógrafo, publicitário e produtor cultural, Sérgio Guerra nasceu em Recife, morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, até se fixar na Bahia nos anos 80. A partir de 1998, passou a viver entre Salvador, Rio de Janeiro e Luanda, onde desenvolve um programa de comunicação para o Governo de Angola. Em suas constantes viagens pelo país, testemunha momentos decisivos da luta pela paz e reconstrução, constituindo um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas.
 

de 12 de maio a 24 de julho
Local: Museu Afro Brasil – Parque Ibirapuera (Portão 10)
Classificação: Livre
Grátis


Escrito por Marcelo Roverso às 18h51
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Toquinho e Paulo Ricardo se juntam para homenagem moderna a Vinicius de Moraes

 

O parceiro do poetinha chamou o cantor para prestar um tributo repleto de arranjos eletrônicos ao compositor. De acordo com o roqueiro Paulo Ricardo, o trabalho vai colocar Vinicius nas pistas de todo o mundo
DANILO CASALETTI
NOVA PARCERIA Paulo Ricardo e Toquinho deram novas versões as clássicos criados pelo poeta da bossa nova

Vinicius de Moraes completaria 100 anos de idade em 2013. Toquinho – parceiro do poetinha em clássicos como "Regra três", "Carta ao Tom", "A tonga da mironga do kabuletê", "Sei lá... a vida tem sempre razão", "Como dizia o poeta", "Mais um adeus", "Meu pai Oxalá"– decidiu antecipar as comemorações com um disco inusitado: chamou o cantor Paulo Ricardo para um álbum tributo ao poeta carioca.

O CD – intitulado Toquinho e Paulo Ricardo cantam Vinicius – será lançado nesta quarta-feira (13) em um show em São Paulo. A intenção, segundo release distribuído à imprensa, é “mesclar fragmentos de gravações originais com sons eletrônicos” para “conquistar um novo público e o mercado internacional”. Para isso, Toquinho e Paulo confiaram os arranjos a Waldo Denuzzo, músico ligado à publicidade.

Na apresentação do CD, Toquinho sai logo em defesa do trabalho. “Vinicius de Moraes, aglutinador e harmonioso que era, está unindo diferentes tendências e gostos musicais. Vinicius é pop”, escreve, para afastar de cara os mais puristas. De fato, quem conheceu a obra de Vinicius poderá estranhar o som. A faixa divulgada “Eu sei que vou te amar” perdeu o lirismo habitual. Ganhou arranjos eletrônicos sobre o violão de Toquinho e interpretação “rouca/romântica” do roqueiro Paulo Ricardo.

Ouça "Eu sei que vou te amar"

O parceiro de Vinicius também falou da dificuldade do trabalho. “Concessões foram feitas harmonicamente por todas as partes. A mixagem foi uma loucura! Dias e noites inteiras em vários estúdios”, diz. “Este mosaico é o nosso disco”, diz Toquinho.

Paulo Ricardo, conhecido como vocalista do RPM, uma das bandas de rock mais importantes da música brasileira, diz que sempre teve muita intimidade com as canções feitas por Vinicius de Moraes e a turma da bossa nova. “Toquinho, Vinicius e Maria Creuza foi um dos discos mais ouvidos em casa durante a minha infância. Suas faixas estão em minha memória musical como cantigas de roda e canções de ninar”, diz, referindo-se ao álbum lançado pelo trio em 1970.

O cantor também adota uma postura defensiva sobre as possíveis críticas. “Era natural que (eu) viesse a gravá-las algum dia, apesar de, para muitos, parecer improvável que um “roqueiro” (há algo de pejorativo neste termo ou é paranoia minha?) o fizesse”, escreve na apresentação do CD. Segundo Paulo Ricardo, esse trabalho vai colocar Vinicius nas pick-ups dos DJs do Brasil e do mundo.

Toquinho e Paulo Ricardo cantam Vinicius será lançado pela gravadora Building Records e vai trazer, além de Eu sei que vou te amar, as faixas “Água de beber”, “Tarde em Itapoã”, “Canto de Ossanha”, ‘Samba da Benção”, “Carta ao Tom 74”, “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Samba de Orly”, “Pra que chorar?”, “Insensatez”, “Sei lá... a vida tem sempre razão” e uma parceria inédita de Toquinho e Vinicius chamada “Romeu e Julieta”.

 

Mônica Bergamo



bergamo@folhasp.com.br

SEXO TREMENDÃO
Será hoje a gravação do videoclipe de "Kamasutra", primeira música de "Sexo", próximo disco do cantor Erasmo Carlos. Alguns dos versos da canção que inspirará o trabalho: "Em que posição? Frontal, de pé, por trás ou de lado / A hidra às voltas com o dragão / Tesoura, fechadura ou de quatro
".

 

Suely Franco e Tuca Andrada em aulas de dança e amor

Com direção de Ernesto Piccolo, Seis Aulas de Dança em Seis Semanas (Six Dance Lessons in Six Weeks), de Richard Alfieri, estreia nessa sexta e fica em cartaz até final de julho no Teatro Renaissance

Palco vira salão de dança com coreografias de Carlinhos de Jesus

Depois de já ter sido encenada em mais de 20 países, estreia nessa sexta, dia 29, no Teatro Renaissance, a comédia do norte-americano Richard Alfieri Seis Aulas de Dança em Seis Semanas, com Suely Franco e Tuca Andrada, sob a direção de Ernesto Piccolo. Tive a chance de assistir ao ensaio aberto realizado dia 22 e essa comédia tem todos os ingredientes para cair no gosto popular, assim como vem ocorrendo pelo mundo. Ao entrar na sala de espetáculo, a platéia vê que está diante de um belo e espaçoso apartamento: logo Lili, uma senhora de 72 anos entra e começa a arrastar os móveis para deixar a sala como um verdadeiro salão de baile.

Ao toque da campainha, entra Michael de 45 anos, o professor de dança, e o público tem a impressão que as aulas terão início. Doce ilusão: os personagens, talvez por receio do primeiro contato e pela insegurança dos tempos atuais, iniciam um jogo de aparências e o atrito entre eles é imediato.

Ambos mentem sobre suas idades, estado civil e há um estranhamento, só quebrado quando começam a dançar. Aí a relação entre os dois se estabelece: Lili revela ser uma exímia dançarina e vê no professor a chance de uma companhia, de conhecer uma nova pessoa.

O final de cada aula é bem marcado, com a saída de Michael e a janela do apartamento (com vista para o mar) funcionando como marca do tempo: há passagem das horas e novamente a campainha toca para a volta do mestre.

Suely Franco e Tuca Andrada

Com coreografia de Carlinhos de Jesus, cada aula é de um gênero musical como foxtrot, valsa, chá-chá-chá, tango e música contemporânea; além dos passos o professor gosta de falar sobre o contexto de cada dança, o que não agrada a aluna. Nesse momento das aulas, as personalidades díspares do casal vêm à tona e as rugas reaparecem. Até o instante em que eles começam a trocar confidências e as máscaras caem. Lili confessa que é viúva e que sofreu muito com a morte da filha aos 20 anos; seu martírio maior foi viver ao lado do marido, um pastor batista conservador e tirano. Já Michael conta que deixou sua carreira em Nova York para cuidar da mãe, vítima de Alzheimer, que faleceu há dois anos. Também confessa suas desilusões amorosas e como se fechou para o amor depois da morte de seu namorado.

O autor propõe um desenho dramático entre Lili e Michael encantador: de um estranhamento conflituoso inicialmente para um entendimento e uma troca amorosa que emociona o espectador. A cena em que voltam para casa depois de terem passado uma noite dançando é reveladora: mesmo vivendo em mundos diferentes, conseguem se entregar e criam um verdadeiro laço afetivo. Nesse estágio de entendimento, ambos refletem sobre a vida, a morte, a solidão, velhice e juventude e, principalmente, como ter uma vida feliz e amorosa independente da idade. Uma lição e exemplo!

Suely e Tuca compõem seus personagens com brilhantismo: o público ao final está apaixonado por Lili e Michael. E a mão do diretor é fundamental para esse entrosamento: como ator, Ernesto Piccolo sabe muito bem deixar seus companheiros soltos e livres para criar.

Destaque para o figurino de Cláudio Tovar (em cada aula os personagens estão com trajes alusivos ao ritmo), à luz de Wagner Freire e à programação visual do Estúdio Tostex.

Roteiro:
Seis Aulas de Dança em Seis Semanas
Texto: Richard Alfieri; tradução: Ciça Correa; direção: Ernesto Piccolo; Elenco: Suely Franco e Tuca Andrada. Coreografia: Carlinhos de Jesus; direção de arte: Vera Hamburger; figurino: Claudio Tovar; iluminação: Wagner Freire; fotografia: João Caldas; produção executiva: Silvia Rezende; direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro
Serviço:
Teatro Renaissance (462 lugares), Al. Santos, 2233, Tel. 3069-2286.
Sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingresso: sexta e domingo R$ 70 e sábado R$ 80. Bilheteria: de terça a sábado, das 14 às 20h; domingo das 14 às 19h. Formas de pagamento: cartões, dinheiro e cheque. Vendas pela internet: WWW.ingressorapido.com.br e pelo tel. 4003-1212. Duração: 90 min. Recomendação: 12 anos. Temporada até 31 de julho de 2011

KHLOÉ KARDASHIAN

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Escrito por Marcelo Roverso às 18h14
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Gilberto de Almeida
O Estado de S. Paulo - SP - 25/10/2010

Próximo dos 70 anos, Jorge Mautner corre o Brasil atrás de manifestações de cultura popular e prevê que os neurônios do homem, em breve, estarão conectados à internet.

Jorge Mautner é uma espécie de parabólica. Suas antenas estão em sintonia permanente nas manifestações de cultura do País. Embora vá completar 70 anos em janeiro, continua com fôlego de garoto atrás de sinais que contribuam com sua teoria da amalgama – conceito que defende há quase 50 anos sobre a capacidade de miscigenação cultural que, segundo ele, só o brasileiro possui. Para reforçar sua tese, faz questão de citar em seus shows uma frase do poeta americano Walt Whitman: “O vértice da humanidade será o Brasil”.

Escritor, compositor, violinista e cineasta, Mautner tem um discurso tão fora do padrão médio que chegou a ser chamado de alienígena da nossa cena cultural e social. Isso, no entanto, não tirou sua lucidez ao prever, em 1965, a criação das redes sociais no livro Fragmentos de Sabonete. Sobre o futuro, diz: “Em breve, os neurônios terão implantes que nos manterá conectados à internet.”

Militante de carteirinha do PCdoB, amigo de todas as horas de Gilberto Gil e Caetano Veloso, o autor de Maracatu Atômico é um artista de hábitos simples. Corre o Brasil fazendo palestras e shows, tendo apenas a companhia de seu inseparável violino e do parceiro de longa data Nelson Jacobina. A seguir, trechos da entrevista.

Como você se prepara para comemorar seus 70 anos?

Eu estou finalizando a minha carreira. Sou muito racional. No entanto, continuo efervescente. Faço muitas coisas ao mesmo tempo. Só vou parar quando cair morto. Trabalho todos os dias, não tenho descanso. Se não fizer isso, a minha cabeça ferve. Para janeiro, quando faço aniversário, preparo uma série de 28 capítulos, que serão exibidos na TV Brasil, sobre manifestações de artes captadas em mais de dois mil pontos de cultura espalhados pelo País. Tem também um filme que o Pedro Bial faz sobre a minha trajetória. Ainda planejo o lançamento comercial do CD Kaosnavial, gravado ao ar livre com o Mestre Duda, em Nazaré da Mata (PE), além da reedição do CD Revirão, produzido em 2007.

Existe algum tipo de regra dentro do seu processo criativo?

Tenho um cérebro eletro de mil coisas. Não existe nada rígido. A emoção vem em primeiro lugar. É uma absorção contínua do que eu vou lendo e aprimorando. O mais interessante é que a garotada agora compreende melhor o meu trabalho. Eles estão totalmente preparados para captar essa ideia de simultaneidade que eu falo há quase 50 anos. Aceitam a influência estrangeira de forma democrática e não enxergam nisso problema algum.

O que Gil e Caetano significam dentro do seu trabalho?

São mais que amigos. São responsáveis diretos pela minha existência artística. Minha amizade por eles é imorredoura. Com eles posso falar sobre tudo: filosofia, religião, fenomenologia…Sem disputa, só absorvendo.

Qual é a sua atual percepção sobre a música brasileira?

A música brasileira continua inspirando o mundo inteiro. Ela nunca esteve tão múltipla e excepcional. O Brasil é um continente cheio de manifestações musicais. O sertanejo é herdeiro da moda de viola, o funk conta histórias e o rap é literatura. A vontade de ser brasileiro devora todas as almas humanas. Só um poeta como Vinicius de Moraes seria capaz de levar para o morro o mito grego e criar Orfeu da Conceição.

Quem chama sua atenção nas novas gerações?

Todos me encantam, todos representam uma parte da nossa imensa democracia da amalgama. A Orquestra Imperial tem um trabalho maravilhoso. O AfroReggae é excepcional. A Ana Cañas é ótima. Não gostaria de enumerar para evitar cometer injustiças. Recebo CDs excelentes vindos do Brasil inteiro. Só que ainda não tiveram espaço na mídia.

Você é a favor da democratização da música por meio da internet?

Ela é essencial para divulgação do trabalho do artista. A internet gera informação e estimula a presença do público nos shows. Hoje os saguões dos teatros são os melhores pontos de venda de CDs e DVDs.

O Marcelo Tass disse que você já está no Twitter desde os anos 60, o que acha disso?

O Marcelo quis dizer que o meu trabalho tem espírito de Twitter. Sou um anunciador dessa era por pura visão metafísica. O meu livro Fragmentos de Sabonete, escrito em 65, quando eu morava nos EUA, dizia que havia tanta gente naqueles apartamentos que poderia haver um aparelho que sincronizasse desejos e identificações para que pudéssemos escolher amigos e namoradas. O mesmo conceito que existe hoje no Facebook, Orkut e MSN.

O que imagina para o futuro?

Os neurônios terão, em breve, implantes e por meio deles estaremos conectados com a internet. Daqui algum tempo a vida vai dobrar e chegaremos aos 200 anos. Criaremos o autorreplicante. Quem coordenará tudo é a emoção.

Você é usuário do Twitter?

Não, infelizmente, não tenho tempo para isso. Uso a internet apenas para me corresponder por e-mail e navegar um pouquinho. Também não tenho iPhone e tento agora aderir ao Skype.

Qual a sua expectativa com o próximo governo?

Acho que todas as sementes plantadas pela Marina continuarão a influenciar a política. Acredito que o clamor do público pelas questões ambientais precisa ser respeitado. Além disso, espero mais investimentos em Cultura e Educação.

Você votou na Marina no primeiro turno?

Não, porque, embora more no Rio, meu título ainda é de São Paulo. Mas, por fidelidade, o meu voto seria da Dilma. Também me considero amigo do Serra, cheguei a fazer shows para ele durante sua campanha para prefeito.

Como vê a tentativa do governo em controlar a mídia?

A liberdade de imprensa é fundamental em qualquer democracia. A saída não é por aí. Assim como fez Getúlio Vargas, que lançou a Última Hora nos anos 50 para dar a sua versão dos fatos, o governo poderia criar o seu próprio jornal. Embora a TV Brasil já exerça, em parte, esse papel.

Qual foi sua reação ao saber que seu amigo José Genoino fazia parte no esquema do mensalão?

Foi uma mistura de decepção e compreensão. Os partidos tradicionais faziam isso de maneira mais elegante. As transações foram feitas como se estivessem numa mesa de boteco. Faltou preparo e critério. Todos devem ser condenados. A maior punição veio das urna.

 



Escrito por Marcelo Roverso às 18h10
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JORGE MAUTNER 70 ANOS

Jorge Mautner comemora 70 anos com shows em SP

Por AE

São Paulo - No dia 17 de janeiro Jorge Mautner comemorou seus 70 anos com um grande show no Circo Voador, no Rio, com a Orquestra Imperial e participações de Jards Macalé, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Vercillo e do grupo de Teatro AfroReggae. De amanhã a domingo, ele continua a celebrar a data no palco, desta vez na Casa de Francisca, em São Paulo, e terá como companheiros o fiel violino e o violão de seu parceiro fundamental Nelson Jacobina.

Coautor de "Maracatu Atômico" - grande êxito da carreira de Mautner como compositor, lançado por Gilberto Gil em 1973 e realçado a outro patamar para novas gerações por Chico Science & Nação Zumbi em 1996 - Jacobina assina muitas outras canções com o parceiro, algumas das quais estarão nesses shows. "Nelson além de tudo é um amigo total. Desde 1956, com o Partido do Kaos, organizo grupos de poetas, artistas que querem modificar a humanidade e Nelson Jacobina é um intelectual incrível. Então temos discussões filosóficas todo esse tempo. Costumo até fazer uma piada: eu penso uma coisa e ele nega, então são discussões eternas. Ele é totalmente integrado nesse pensamento."

O roteiro do show tem desde as primeiras composições de Mautner, da segunda metade da década de 1950, como "Olhar Bestial", canções de seu primeiro álbum, "Para Iluminar a Cidade" (1972), como a folclórica "Sapo Cururu", "Quero Ser Locomotiva" e a primeira parceria com Caetano Veloso, "From Faraway"; clássicos como "Maracatu Atômico", "Lágrimas Negras" e "O Vampiro", outras do reencontro com Caetano no sensacional álbum "Eu Não Peço Desculpa" (2002), como "Homem-Bomba" e "Manjar de Reis" e outras do mais recente e não menos importante CD de Mautner, "Revirão" (2007), que será relançado este ano.

O ano 70 de Mautner prossegue com uma série de outras atividades. Ainda neste fim de semana ele participa de um evento no Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520, tel. 3106-1818), no domingo às 17 horas, e dá uma palestra às 18 horas do sábado, no Instituto Pensarte (Alameda Nothmann, 1.029). "É a minha pregação eterna sobre a Amálgama do Brasil Universal, para irradiar a continuidade das minhas ideias", diz o filósofo, poeta, intelectual e compositor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Jorge Mautner - Casa de Francisca (Rua José Maria Lisboa, 190, Jd. Paulista). Telefone (011) 3052-0547. 6ª e sáb., às 22h30; dom., às 21 h. R$ 80.

Jorge Mautner transita entre a música e a literatura

RIO - Num estúdio de ensaios, em meio aos músicos da multiétnica Orquestra Imperial, Jorge Mautner empunha seu violino como uma espada. Ele parece em casa e feliz. Não apenas pelos 70 anos que vai completar e comemorar nesta segunda-feira - às 22h, no Circo Voador, com a Orquestra Imperial e convidados, Caetano, Gil, Melodia, Macalé, Pedro Bial, AfroReggae -, mas por acreditar mais do que nunca na ideia de que o Brasil é um país predestinado, fruto da benéfica confluência de culturas. O que por muita gente e muitas ideologias é entendido como fraqueza, por ele...

- A mistura é um dos trunfos do Brasil, e isso, já em 1823, foi observado por José Bonifácio, dizendo que esse amálgama é o que nos diferencia dos outros países, pois amálgama é mais do que mistura e miscigenação, é uma constante alquimia que se reinterpreta simultaneamente, como a amazônica pororoca - segue, rápido como um disco de 78 rotações por minuto, esse filósofo e múltiplo artista, filho de pai judeu e mãe católica austríacos que desembarcaram no Rio fugidos do nazismo, cuja vida será retratada no filme "O filho do Holocausto", que o jornalista Pedro Bial dirige e irá terminar após a atual edição do "Big Brother Brasil".

Seja realidade ou utopia, para o escritor e ensaísta Silviano Santiago, Mautner soube formular uma das questões fundamentais para a nossa cultura:

- Sua opção pelas culturas não europeias salienta o papel do índio e do africano no Brasil e o leva a se entrincheirar com grande otimismo por detrás de Macunaíma, o genial personagem de Mário de Andrade. Mautner fez então uma pergunta que, acredito, ainda está sem resposta. Será que Macunaíma conseguiria elaborar o seu caráter? Ou o brasileiro terá sempre de matizar ou de mitigar seu otimismo para que ele não se transforme em ufanismo?

Em texto -"escrito com muita pressa", e muitos "eles", em 1972 - na contracapa do primeiro LP de Mautner, "Para iluminar a cidade", Caetano relatou o impacto do encontro com o escritor-cantor-compositor-bandolinista-violonista-cineasta e também frisou esse lado de oráculo do artista: "Gostei logo dele porque ele é uma figura incrível e também porque ele foi logo me fazendo umas profecias muito boas (e que felizmente deram certo)."

Quase 40 anos depois, o tropicalista avant la lettre - como não cansam de afirmar Caetano e Gil, que só conheceram Mautner pessoalmente quando este desembarcou em Londres, em 1970, vindo de Nova York - continua surfando no Kaos (com "K" para exaltar o que, dentro de uma ótica relativista e existencialista, é um poder transformador) e lembra que não desistiu de seu sonho mesmo na ditadura militar. Aliás, até no exílio Mautner antecipou a trajetória de seus futuros parceiros. Em 1966, seu quarto livro, "O vigarista Jorge", foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, e ele foi para os EUA. Radicado em Nova York, trabalhou na Unesco, vertendo para o inglês livros brasileiros. Em 1967, num simpósio em Caracas, na Venezuela, impressionou o escritor americano Robert Lowell, que o contratou como secretário literário.

Nos anos 70, ao finalmente voltar como um arauto da contracultura, passou a incomodar mais a esquerda do que a direita. Ele que, em 1962, a convite do cientista e crítico de arte Mário Schenberg, tinha trocado o seu Partido Kaos, que criara no fim dos anos 50, pelo Partido Comunista:

- Com (o artista plástico José Roberto) Aguillar, meu colega de escola em São Paulo, criamos uma célula cultural no Comitê Central.

Jorge Mautner ensaia com a Orquestra Imperial / Foto Leonardo Aversa

A partir de 1972, continuou escrevendo e publicando livros, mas despontou como um dos mais atuantes "malditos" - os "alternativos" de hoje - da música brasileira. Mesmo com eventuais sucessos - o maior deles, "Maracatu atômico", foi gravado por Gil em 1973 e por Chico Science & Nação Zumbi em 1996 -, sua obra transitou à margem da grande mídia. E, nesse escaninho, tem sido uma referência perene.

- Sua performance é hilária, envolvente, antiestrela, tipo trovador medieval. Somos citados, ele, Benjor e eu, na canção "Divino conteúdo", de Caetano. Tivemos muitos momentos agradáveis juntos - conta o poeta Jorge Salomão, que, ainda estudante, em Jequié, na Bahia, no início dos anos 60, leu numa revista sobre o jovem escritor.

- Mautner poderia ser definido com um satélite da Orquestra Imperial, mas, na verdade, ele é nosso astro-rei! - dá outra pista o produtor e músico Berna Ceppas, um dos criadores do grupo, e que, nesta segunda, divide com outro membro-fundador, Kassin, a direção artística do show-homenagem.

O núcleo da Orquestra Imperial se encontrou em 2002, durante a produção de "Eu não peço desculpa", CD que Mautner dividiu com Caetano: Ceppas, Kassin, Moreno Veloso, Pedro Sá, Domenico Lancellotti e Nelson Jacobina, este, parceiro e violonista de Mautner desde sua volta ao Brasil.

- Em 1972, estudava música e, por coincidência, lia "Deus da chuva e da morte", que achara na biblioteca de minha mãe, quando ele foi fazer uma palestra na Escola Villa-Lobos. Um mês depois, estávamos gravando "Para iluminar a cidade" - relembra Jacobina.

Da parcela de veteranos da Orquestra - que, como o Brasil exaltado pelo artista, é um amálgama de jovens, maduros, velhos, de diferentes etnias e estilos musicais -, o percussionista e cantor Wilson das Neves tem uma explicação para o apelo de Mautner:

- Em tudo, como escritor ou filósofo, ele é um músico.

Um dos maestros e arranjadores ligados à vanguarda da música clássica que participaram dos discos da Tropicália, Julio Medaglia também exalta essa capacidade de síntese.

- É um dos raros compositores brasileiros de grande formação cultural, que sabe usar seu potencial "erudito" em benefício da excitação das coisas do espírito e do senso estético das pessoas - escreve Medaglia, reforçando a ideia de que foi um precursor do Tropicalismo. - Enquanto a bossa nova realizava uma implosão da música brasileira, filtrando-a de mil componentes tradicionais, bregas e choramingões, reduzindo-a ao âmago, a Tropicália foi uma explosão de elementos. Nesse sentido, Mautner se antecipou. Livrou o raciocínio cultural e artístico do intimismo egocentrista e propôs uma revoada de componentes que, ao se entrechocarem, produziam novas ideias e beleza inquietante.

E na literatura, onde primeiro despontou, sua obra também resistiu bem ao tempo? Voltemos a Silviano Santiago.

- Mautner é figura pouco convencional nas letras brasileiras. Não é especializado como Clarice Lispector, Autran Dourado ou Rubem Fonseca. Saiu para o que desse e viesse. E vieram muitas coisas de enxurrada, inclusive o romance, que trabalhou de maneira original numa época em que a grande literatura já estava em baixa e perseguida pela intolerância política. Tendo como contemporâneos os beat americanos e gente como o poeta Roberto Piva e o romancista José Agrippino de Paula, ele deu o seu recado. Para tratar de modo crítico e contundente a repressão militar, trouxe para o romance brasileiro a dramatização do comportamento alternativo pelo viés do pensamento filosófico de ponta e da experimentação estética kaótica. Matou não só o coelho da militarização no Brasil, como outro, tão insidioso quanto, mas pervagante, que eram as obtusidades demagógicas do conservadorismo patriarcal brasileiro, de fonte europeia.

Vampiro

Caetano Veloso

Composição: Jorge Mautner

Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canção cantando todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado
"oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazónapasionado"
Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquelaferida
Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nuncachegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos
Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia



Escrito por Marcelo Roverso às 18h10
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Artista pioneira do vídeo
ganha retrospectiva

Entre preparações e tarefas,
Letícia Parente encarou a vida
doméstica como um
microcosmo da condição feminina
e de um país amordaçado
por excessos da ditadura.
Em 1975, a artista, morta há
20 anos aos 61, fez um vídeo
em preto e branco em que costura
na sola do pé a frase
“Made in Brasil”. Talvez o trabalho
mais célebre da videoarte
no País, é uma denúncia
visceral e dolorosa das contradições
do período.
Linha e agulha, coisas de
mulher, afundam na pele com
perícia obstinada, desenhando
um sentido de alienação no
conjunto das letras.
Sua obra, agora reunida em
retrospectiva no Oi Futuro, no
Rio, usa truques e artifícios femininos
aliados à secura documental
do vídeo, um suporte
que teve Parente como pioneira
no País.
Junto de Marca Registrada,
a obra da costura no pé, estão
ações gravadas na casa da artista.
Em Preparação I, ela cola
esparadrapos nos olhos e na
boca e se maquia sobre eles,
encarando um espelho mesmo
sem nada ver.
“Tudo parte de questões cotidianas
e explode na cara da
gente”, resume André Parente

filho da artista e curador da
exposição. “Ela cria uma máscara
social para a mulher que
não pode reclamar do marido
ou para o cidadão que não
pode assumir suas posições políticas.”
E, por trás da máscara, na
esfera do lar, Parente tentava
abarcar um universo. Numa
série de fotografias, mostra um
armário de casa abarrotado de
objetos, primeiro roupas pretas,
depois roupas brancas, jornais
e comida.
Esse viés categórico, talvez
pelo fato de ela ter sido química
a vida inteira, também se
alastra pelo resto da obra.
Nas montagens da mostra
em Salvador e Fortaleza, para
onde a retrospectiva viaja depois
do Rio, estará a instalação
Medidas, em que o público
pode medir e comparar sua
resistência à dor, capacidade
pulmonar, altura e outros dados
biométricos. (Folhapress)

 

Marcelino Freire une facetas de escritor e ativista

 

Pernambucano de escrita polêmica e curiosa, Marcelino Freire acaba de lançar mais um título. Amar É Crime segue mesma verve e intensidade dos anteriores Angu de Sangue e Contos Negreiros

 

Com Contos Negreiros, Marcelino Freire ganhou o Jabuti em 2006 (DIVULGAÇÃO)

 

Marcelino Freire é tão ou mais conhecido por seus agitos literários quanto por sua obra. Criador da Balada Literária, organizador de antologias (a de microcontos é a mais notória), dá oficinas de criação, mete-se no teatro, lidera homenagens e boicotes, é blogueiro, tem mais de 5.000 seguidores no Twitter.


Mas a cada três anos publica um novo livro, títulos como Angu de Sangue, adaptado com sucesso para os palcos, e Contos Negreiros, vencedor do Jabuti em 2006.


Agora o escritor-ativista une as duas facetas. Abriu mão de sua última editora, a “major’’ Record, e lança sua nova obra, Amar É Crime, pelo coletivo Edith, criado no fim de 2010 com outros 13 amantes da literatura, entre eles o editor Vanderley Mendonça, artesão de livros que produz edições primorosas pelo selo Demônio Negro.


Amar É Crime será lançado ontem à noite, no sarau da Cooperifa, em São Paulo. Hoje, o repeteco se dá no Centro Cultural b-arco, onde o autor coordena oficinas de criação literária.


Como nas obras anteriores, a tragédia social brasileira é a seiva da maioria das narrativas. O realismo urbano de Marcelino é hiper-realista e extravagante, causa propositalmente incômodo.


São contos como o da gorda humilhada que entala num bueiro após matar a mãe ou o do rapaz que sequestra a namorada que não lhe dá bola e espera assim ficar famoso na TV (sim, baseado no caso Eloá).


Para atenuar a paulada, o livro começa com um “poeminha de amor concreto’’ anti-homofobia e termina com 30 microcontos.


O escritor diz saber que, ao insistir na crítica social, está mais exposto a ser malhado.


“Corro o risco constante da demagogia, do paternalismo, do discurso, mas prefiro. Só não podem me acusar de escrever um livro frígido. Não escrevo comendo croissant num café em Paris.’’


Edith

O coletivo Edith, que pode ser conhecido melhor pela página visiteedith.com, já lançou dez títulos, muitos de ex-alunos de Marcelino.

 

“As pessoas têm um livro, mas chega a hora em que não conseguem botar a bunda na janela. Então dissemos: “Edith agora ou se cale para sempre’’’, brinca o autor.


Sinal de que o agito não é amador, parte das obras está também à venda em formato eletrônico, na Gato Sabido e na Amazon. “É uma brincadeira-negócio’’, sintetiza Vanderley Mendonça. (Fabio Victor, da Folharess)

 

SERVIÇO

 

AMAR É CRIME

Autor: Marcelino Freire

Editora: Edith (172 páginas)

Preço médio: R$ 24,90;

e-book: R$ 16,90.

Com Contos Negreiros, Marcelino Freire ganhou o Jabuti em 2006 (DIVULGAÇÃO) Com Contos Negreiros, Marcelino Freire ganhou o Jabuti em 2006 (DIVULGAÇÃO)

Ney Matogrosso leva para os palcos obra de João do Rio

Ney Matogrosso volta ao teatro após um jejum de 11 anos, desde que foi diretor do musical "Somos Irmãs".

Ele dirige agora "Dentro da Noite", monólogo que reúne dois contos de João do Rio (1881-1921), que estreia em São Paulo amanhã.

Conforme conta à Folha, ele busca ampliar seus domínios artísticos e colocar o precursor de Nelson Rodrigues "na roda".

Folha - O que trouxe você de volta ao teatro?

Ney Matogrosso - Antes de ser cantor, trabalhava como ator. Na verdade, nunca me afastei do teatro, levei o teatro para a música.

Eduardo Knapp - 5.mar.09/Folhapress
Ney Matogrosso durante as filmagens do longa
Ney Matogrosso durante as filmagens do longa "Luz nas Trevas", na Mooca, em São Paulo

O que o atraiu em "Dentro da Noite"?

O [ator Marcus] Alvisi encenava esses contos como performance, em livrarias. Quando vi, fiquei louco. Não conhecia João do Rio. Ele me fez entender a loucura de Nelson Rodrigues.

De que forma?

Eles dialogam na doença, na linguagem erotizada e nos relacionamentos bizarros. Nelson admitia ter sido influenciado por João do Rio.

O que une os dois contos?

A linguagem. No mais, eles são bem diferentes.

"Dentro da Noite" conta a história de um camarada que descobre o prazer sexual quando fura a noiva com uma agulha. "O Bebê de Tarlatana Rosa" fala sobre um Carnaval do começo do século. Nosso Carnaval é completamente careta se compararmos com o descrito no conto.

Qual o prazer da direção?

É um grande prazer colocar João do Rio na roda. Ele foi uma figura importantíssima na literatura, mas a gente não sabe nada sobre ele, por conta dessa coisa irritante que é a falta de memória do brasileiro. Outro prazer é dirigir um amigo de muitos anos.

Por que um homem performático por natureza como você limitou a movimentação do ator ao essencial?

Há uma performance muito poderosa do ator, mas a intenção foi privilegiar a palavra. O gesto é mesmo mínimo. Eu via o que o Alvisi fazia em livrarias, e seu gestual não tinha significado. Era o gesto pelo gesto. Agora ele acrescenta, acentuando o emocional dos personagens.

Você interferiu na trilha do espetáculo?

A trilha foi feita pelo Alvise, já estava pronta. É a mesma usada em suas performances. É muito boa, me chamou atenção na época.

Você voltou ao teatro e ao cinema, no filme "Luz nas Trevas", de Helena Ignez (continuação de "O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla, e que entra em cartaz em 2012). Esse movimento indica um desejo de explorar novas formas artísticas?

Meu interesse é pela arte. Não acho que o fato de ser cantor deva me restringir. Entre os ensaios e as temporadas, o teatro ocupa tanto meu tempo quanto a música. Mas eu gostaria de fazer mais cinema.

DENTRO DA NOITE
QUANDO sex. e sáb., às 20h; até 27/8
ONDE Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel.0/xx/11/3095-9400)
QUANTO de R$ 5 a R$ 20
CLASSIFICAÇÃO 16 anos

 

Produções latino-americanas disputam prêmio no Festival de Gramado

Mostra cinematográfica acontece de 5 a 13 de agosto



O título de Melhor Filme Estrangeiro do Festival de Gramado será disputados por produções do México, Uruguai, Colômbia, República Dominicana, Chile, Peru e Argentina. O Festival de Gramado é o principal evento cinematográfico do Brasil e acontece entre os dias 5 e 13 de agosto.

Os sete longas estrangeiros foram escolhidos entre 75 inscritos. Outras sete produções nacionais concorrem ao prêmio de Melhor Filme Brasileiro e 16 ao Prêmio de Melhor Curta Nacional.

Confira a lista com os indicados nas respectivas categorias.

Filmes estrangeiros

“A tiro de pedra”, de Sebastian Hiriat (México)
“El casamiento”, de Aldo Garay (Uruguai)
“Garcia”, de Jose Luis Rugeles (Colômbia)
“Jean Gentil”, de Laura A. Guzmán e Israel Cárdenas (República Dominicana, México e Alemanha)
“La lección de pintura”, de Pablo Perelman (Chile)
“Las malas intenciones”, de Rosario Garcia Montero (Peru, Alemanha e Argentina)
“Medianeras”, de Gustavo Taretto (Argentina, Espanha e Alemanha)

Melhor Filme Nacional

“O carteiro”, de Reginaldo Faria
“País do desejo”, de Paulo Caldas
“Ponto final”, de Marcelo Taranto
“Riscado”, de Gustavo Pizzi
“As hiper mulheres”, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro
“Olhe pra mim de novo”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman
“Uma longa viagem”, de Lúcia Murat

Instrumentista Paulo Moura ganha livro, CD inédito e filme

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Entrevista feita pela mulher do músico, morto há um ano, é lançada em obra que vem com disco encartado

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Eduardo Escorel finaliza documentário sobre o compositor, que terá também portal na web com acervo digitalizado Fonte: folha.uol.com.br 13/07

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Aos 11 anos, começando a seguir o rumo que iria transformá-lo num dos maiores instrumentistas de sopro do país, Paulo Moura (1932-2010) tocava clarineta na banda de seu pai, em bailes de clubes do interior de SP.

Num desses shows, a administração do clube não quis pagar o cachê integral da banda. Seu pai, Pedro Moura, chamou o filho, sentou-o à frente dos diretores e pediu que ele tocasse. Ouvindo o garoto, os homens assentiram com a cabeça.

Mais tarde, o pai explicaria: "Queriam que eu fizesse um desconto porque tinha trazido um menino para tocar. Não sabiam que você tocava feito gente grande".

A história é uma das que o músico -cuja morte, em decorrência de um linfoma, completou um ano ontem- lembra com prazer no recém-lançado livro "Paulo Moura, um Solo Brasileiro", que vem acompanhado de um CD inédito, "Fruto Maduro".

A obra registra entrevistas feitas pela psicanalista e escritora Halina Grynberg, viúva de Moura, com quem viveu por 26 anos. "Quando o Paulo chegou aos 75 anos, houve uma compreensão recíproca de que estava na hora de deixar registrado o percurso dele em direção ao solo instrumental", diz Grynberg à Folha.

Clarinetista e saxofonista, compositor e arranjador, Paulo Moura foi um dos mais renomados e requisitados músicos brasileiros -a lista dos artistas com quem trabalhou vai de Ary Barroso e Dalva de Oliveira a Milton Nascimento e Raphael Rabello.

Além de servir como biografia de Moura, o livro também traz suas observações eruditas sobre música e composição e é um diálogo amoroso de casal, "uma conversa bem de marido e mulher", como diz Grynberg.

Ele foi lançado durante a última Festa Literária Internacional de Paraty, e a obra do músico voltará a ter destaque na cidade durante o festival de samba e choro que acontece em agosto, onde ele será o homenageado.

Outra celebração da trajetória do compositor é o documentário "Paulo Moura - Imaginação e Estilo", que o cineasta Eduardo Escorel está finalizando e pretende lançar em 2012, ano em que o músico chegaria aos 80.

Por fim, a extensa obra de Moura ("perto de mil arranjos", segundo Grynberg) começará a ser digitalizada pelo Instituto Tom Jobim até o fim do ano, para ficar disponível na internet.

PAULO MOURA, UM SOLO BRASILEIRO

AUTORA Halina Grynberg

EDITORA Casa da Palavra

QUANTO R$ 55 (256 págs. + CD)

 



Escrito por Marcelo Roverso às 17h49
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O primeiro best-seller
MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 13/07/11

O prazer de castigar e o de não entender o que nem a vítima entende está na origem de todo moralismo


ENGANA-SE QUEM pensar que os livros de autoajuda começaram a ser publicados nos últimos 20 anos.
O primeiro best-seller de que se tem notícia foi editado em 1494 e não deixa de ser um exemplo do gênero.

Chama-se "A Nau dos Insensatos", e seu autor, Sebastian Brant, nasceu em 1457. Quando morreu, em 1521, era "o autor mais renomado de toda a Europa", segundo a orelha da tradução brasileira de seu livro, que acaba de sair pela editora Octavo.

O original, escrito em alemão, foi rapidamente traduzido para várias línguas ano após ano enquanto Brant ainda estava vivo. Até hoje, "A Nau dos Insensatos", ou "Stultifera Navis" (tradução latina em 1497), faz de "Der Narrenschiff", por intermédio do romance "Ship of Fools", de Katherine Anne Porter (1890-1980), algo como um clássico desconhecido, uma referência que todo mundo deveria ter lido, mas ninguém leu.
Ainda bem. Os mais de cem capítulos curtos de "A Nau dos Insensatos" dedicam-se a condenar, com rigores que fariam inveja a qualquer aiatolá, os pecados do mundo. Alguns exemplos:

"Parvo é quem não crê na Escritura, que trata da salvação, e pensa que pode viver como se não existisse Deus nem Inferno";

"A maior tolice do mundo é o dinheiro ser glorificado mais do que a sabedoria";
"Quase chego a considerar totalmente néscios os que encontram alegria e prazer na dança, girando furiosamente ao redor de si como loucos, cansando e sujando os pés na poeira";
"Não considero muito sábio aquele que emprega ao máximo seus sentidos e esforços para explorar todas as cidades e terras";

"Há ainda muitas pessoas sem préstimo, metidas em peles de néscio e que se comportam de modo intratável, se aferrando a isso; elas estão amarradas ao rabo do demônio e não se querem desvencilhar (...) Entre elas estão os sarracenos, os turcos, os pagãos, e junto a eles ainda coloco a escola de hereges."
Como se vê, o livro inteiro pode constar como um tratado de intolerância e moralismo. O sucesso que obteve, na transição entre o século 15 e o 16, dá mostras do enorme trabalho que se teve, a partir de Montaigne, em desmontar essa máquina de terrores e preconceitos.

É curioso que, nesta obra de edificação católica, encontrem-se tanto os temas que anos mais tarde criariam as bases da ética capitalista (a austeridade, o culto ao trabalho) quanto os temas que embasariam a crítica dos católicos progressistas ao capitalismo ("é tolo acumular riquezas em vez de sabedoria").
Estão aí, numa radiografia arcaica, as contradições do Ocidente. A condenação ao prazer, ao lado da condenação à riqueza, teria de explodir -uma vez que, renunciando ao prazer, o indivíduo enriquece.
Explodiram em catolicismo e protestantismo, poucas décadas depois da publicação de "A Nau dos Insensatos". O moralismo que dá força ao livro, entretanto, é mais forte do que as duas tendências teológicas juntas.

Era ainda aterrorizante, por exemplo, há menos de um século, quando George Orwell (1903-1950) estava internado num colégio em que, de repente, os professores resolveram iniciar uma cruzada contra a masturbação.

Ele conta o que aconteceu num dos ensaios de "Como Morrem os Pobres", que acaba de sair pela editora Companhia das Letras.

Sem entender nada do que se passava, dada sua ignorância dos prazeres solitários, ele foi interpelado pelo diretor da escola.

Seguiram-se sessões de castigo físico, que vitimaram especialmente um menino, culpado de ter olheiras em excesso, e que mal entendia o motivo pelo qual estava sendo castigado.
O prazer de castigar, o prazer de não entender o que nem a vítima entende, está sem dúvida na origem de todo moralismo.

"A Nau dos Insensatos", cuja leitura é de interesse para historiadores e apreciadores das artes gráficas (pois vem acompanhada das gravuras, muitas das quais feitas por Dürer, da edição original), é um dos textos fundamentais da cultura ocidental.

Felizmente, a cultura ocidental se empenhou em se livrar do obscurantismo dessas páginas. Caso contrário, seríamos fundamentalistas (sem ser muçulmanos) até hoje.


CANAL BRASIL

 

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o “calcanhar de ouro”, invade a tela do Canal Brasil mostrando que o homem não vive só de futebol. Sob direção de Kátia Bagnarelli, a série traz personalidades de diversos segmentos da cultura nacional para um bate-papo descontraído com o ex-jogador.
Zeca Baleiro, compositor da inédita Brasil Mais Brasileiro – música tema do programa – encabeça a lista de convidados. A seleção de entrevistados conta ainda com os jornalistas José Trajano, Juca Kfouri, Xico Sá e Mino Carta; o artista plástico Elifas Andreato; o cineasta Ugo Giorgetti; o ex-jogador Zico; o escritor Marcelo Rubens Paiva; o músico Kledir Ramil; o publicitário Washington Olivetto; o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo e o ator Otávio Augusto.
O “Dr. Sócrates”, como era conhecido por ser o médico-jogador, disputou duas Copas do Mundo com a seleção brasileira, em 1982 e 1986, e foi campeão pelo Flamengo e pelo Corinthians, onde se tornou ídolo. Em 7 de abril de 2011, seus pés, usados com maestria desde os tempos do Botafogo de Ribeirão Preto, foram eternizados na calçada da fama do Maracanã.

Estreia: quarta, dia 13/07, às 21h.
1º Horário: quarta, às 21h.
Alternativo: sábado, às 11h30.

CANAL BRASIL

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o “calcanhar de ouro”, invade a tela do Canal Brasil mostrando que o homem não vive só de futebol. Sob direção de Kátia Bagnarelli, a série traz personalidades de diversos segmentos da cultura nacional para um bate-papo descontraído com o ex-jogador

Dalton Vigh e Christiane Torloni gravam cena de beijo no Rio de Janeiro. Foto: Wallace Barbosa/AgNews Danton Vigh e Christiane Torlone gravam cenas da próxima novela global
Foto: Wallace Barbosa/AgN

Nessa quinta-feira (14), Christiane Torloni e Dalton Vigh gravaram cenas da nova novela da TV Globo, chamada Fina Estampa, que substituirá Insensato Coração. O set foi montado próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro.

Na trama de Aguinaldo Silva, a atriz interpretará a vilã Teresa Cristina, casada com o personagem de Dalton Vigh, batizado como Renê Velmont. O elenco conta ainda com Carolina Dieckmann, Lília Cabral, Malvino Salvador, entre outros.

Christiane Torloni muda o visual para ‘Fina Estampa’

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A atriz está com os fios mais longos e mais claros Foto: Divulgação

Christiane Torloni passou por uma transformação nessa semana. O responsável pela mudança foi o carioca Flávio Priscott, do Espaço Priscott, na Barra, que recorreu a um megahair e clareou os fios da atriz. Torloni volta à telinha em ‘Fina Estampa’, a próxima novela das 20h, escrita por Aguinaldo Silva. Seu último trabalho na TV foi como Rebeca Bianchi, em ‘Ti Ti Ti’.

Flávio Priscott foi o responsável pela mudança Flávio Priscott foi o responsável pela mudança Foto: Divulgação

A atriz está no elenco de 'Fina Estampa', a próxima novela das 20h

A atriz está no elenco de 'Fina Estampa', a próxima novela das 20h Foto: Divulgação

Volta da Flip
CONTARDO CALLIGARIS 
FOLHA DE SP - 14/07/11

Qualquer escolha significa desistir de desejos nossos aos quais preferimos outros, também nossos


NA COLUNA da semana passada, escrevi sobre a facilidade com a qual desistimos de nossos desejos e, com isso, às vezes, passamos décadas pensando em outras vidas, que poderiam ter sido as nossas se tivéssemos tido a ousadia de correr atrás do que queremos.

A coluna terminava com uma exortação à coragem de agir e com uma explicação possível: desistimos para evitar a dor de fracassar. Pensar que nem tentamos conseguir o que tanto desejávamos seria menos doloroso do que constatar que tentamos e não conseguimos. A desistência seria mais suportável do que o eventual malogro.

Numerosos leitores me escreveram, evocando (e lamentando) alguma desistência passada. O que não é surpreendente: somos quase todos assombrados pela sensação ou pela lembrança de ter desistido (na escolha de uma profissão, de um amor ou de um casal).

A razão é aparentemente simples. Faz dois séculos que nossa origem não determina nosso destino. Não seremos marceneiros só porque esse foi o ofício de nosso pai e avô. Não nos casaremos por tradição nem segundo a escolha das famílias. Escolheremos sempre por gosto ou por amor. Ou seja, temos a incrível pretensão de viver segundo nosso desejo.

E aqui a coisa se complica, porque, neste mundo sem castas fechadas e com poucas fronteiras, as possibilidades são muitas e, talvez por isso mesmo, os desejos que nos animam são variados e, frequentemente, estão em conflito entre si.

Ou seja, escolhemos entre caminhos diferentes, oferecidos pelas circunstâncias da vida, e também entre desejos que são todos nossos. Qualquer escolha implica perdas (dos caminhos que deixamos de percorrer) e desistências (de desejos nossos aos quais preferimos outros, também nossos).

Um leitor, Augusto Bezerril, pergunta se desistir de um sonho não é apenas o efeito de um conflito. Ele tem razão: em muitos casos, desistimos de um sonho para nos dedicar a outro, esperando resolver assim um conflito interno.

Outra leitora, Ana Chan, pergunta se "desistir dos desejos significa viver em frustração". Talvez haja algo disso na nossa insatisfação: a variedade de nossos desejos torna a satisfação difícil, se não impossível.
Mas o fato de ter que escolher entre desejos alimenta outra forma de insatisfação: não tanto uma frustração quanto uma espécie de nostalgia do que não foi -um afeto moderno, como é moderna a pluralidade de nossos sonhos.

Alguns dizem que é por isso que a ficção se torna tão importante na modernidade, para que possamos imaginar (e viver um pouco) as vidas das quais desistimos, os caminhos pelos quais não enveredamos.
Agora, a escolha entre desejos diferentes não é a desistência mais custosa: há indivíduos que não desistem de tal ou tal desejo, eles desistem de desejar. Aqui o afeto dominante não é mais a nostalgia, mas uma culpa da qual a gente parece nunca se curar: a culpa de ter traído a nós mesmos, de ter desprezado nosso sonho mais querido. Essa sensação é especialmente forte quando alguém considera que silenciou seu sonho de infância.

Mais uma leitora, Janaina Nascimento, pergunta: "Você nunca desprezou seu próprio desejo?" (e acrescenta: "Acho que você não vai responder").

Pois bem, desisti de vários desejos a cada encruzilhada, e, às vezes, com a impressão de estar traindo meu maior sonho. Por exemplo -pensava eu, voltando da Flip-, quando sou levado a falar de como me tornei romancista, acabo contando que escrever histórias era tudo o que queria desde os nove anos de idade, mas desisti aos 20, para me conformar à expectativa familiar de que eu fosse para a faculdade. Essa história é verídica e parece ser mesmo uma história de renúncia ou de desistência.

Mas será que é isso mesmo? Será que a gente desiste e renuncia? É possível. Mas a renúncia e a desistência são, antes de mais nada, jeitos melodramáticos de contar nossa história de modo a mantermos a ilusão confortável de que temos uma essência e somos definidos por desejos fundamentais -que (obviamente) não deveríamos trair.

De fato, a vida comporta poucas traições radicais de nós mesmos e de nossos desejos, e muitas soluções negociadas, espúrias, pelas quais a gente busca conciliar desejos diferentes com acasos, oportunidades e outros acidentes, reinventando-se a cada dia.

 



Escrito por Marcelo Roverso às 17h24
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São PauloEncontro: “Ayahuasca e o tratamento da dependência”

Encontro: “Ayahuasca e o tratamento da dependência”

Com organização de Marcelo Simão Mercante e apoio de Bia Labate, entre outros, o Encontro discutirá as diversas nuances do uso ritual da ayahuasca no tratamento da dependência a partir de uma perspectiva multidisciplinar.
 
Reunirá representantes de diversos centros de tratamento espalhados pela América do Sul e pesquisadores acadêmicos das áreas de antropologia, medicina, psicologia e direito. Serão debatidos conceitos como “droga”, “vício”, “saúde” e “dependência”, e os limites entre práticas terapêuticas, religiosas e rituais.
 
Além de contemplar as narrativas sobre as experiências com a ayahuasca, o Encontro procurará também avaliar o êxito destes diferentes programas de tratamento.
 
Por fim, explorará e os limites e possibilidades legais do uso terapêutico da ayahuasca a partir de uma perspectiva comparativa e transnacional focalizando, sobretudo, o contexto do Brasil e do Peru.
 
Local: Anfiteatro da Geografia, na FFLCH, USP, São Paulo, SP
Dias: 12, 13 e 14 de setembro de 2011 - Horário: 08:30h – 18:30h
Contato: Marcelo Mercante marcelo_mercante@yahoo.com
 
Comissão organizadora:
Dr. Marcelo S. Mercante – Universidade de São Paulo Dr. José
Guilherme C. Magnani – Universidade de São Paulo Dr.
Edward MacRae – Universidade Federal da Bahia Dr. Beatriz
Caiuby Labate – Universidade de Heidelberg
 
Promoção:
Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo
Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo–NAU (http://www.n-a-u.org/)
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP (http://www.neip.info/)
Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos – ABESUP
 
Programação:
 
1º Dia – 12/09/2011
08:30 – 09:00 - Cerimônia de Abertura
09:00 – 12:00 Mesa de Abertura: A ayahuasca e o tratamento da dependência: limites e possibilidades
Participantes: Edward MacRae, José Guilherme C. Magnani, Marcelo Niel, Rosa Giove.
Coordenação: Marcelo Mercante.
 
12:00 – 13:30: Almoço

13:30 – 17:30 - Sessão I: Dependência: os Centros de Tratamento, sua visão e abordagem do problema
Participantes: André Volpe, Fernando Dini, José Muniz, Jacques Mabit, Wilson Gonzaga, Walter de Lucca.
Coordenação: Walter Moure.
 
2º Dia – 13/09/2011
08:30 – 10:30 Sessão II: Populações em situação de vulnerabilidade: diferentes abordagens
Participantes: Bruno Ramos Gomes, Taniele Rui, Jardel Fischer Loeck, Marcelo Mercante.
Coordenação: Liandro Lindner.
 
10:30-11:00: Coffe-Break

11:00 – 13:00 Sessão III: O papel da experiência e do corpo no tratamento com ayahuasca
Participantes: Jacques Mabit, Anya Loyzada-Velder (a confirmar), Walter Moure, Gabriela Ricciardi.
Coordenação: Bruno Ramos Gomes.
 
13:00 – 14:00: Almoço

14:00 – 16:00 Sessão IV: As (des)fronteiras entre a terapia, ritual e religião
Participantes: José Guilherme Magnani, Paula Montero, Francisco Lotufo Neto.
Coordenação: Marcelo Mercante.
 
16:00-16:30: Coffe-Break
 
16:30 – 18:30 Sessão V: A ayahuasca e o conceito de “droga”
Participantes: Henrique Carneiro, Edward MacRae, Sandra Goulart, Maurício Fiore.
Coordenação: Julio Simões.

3º Dia – 14/09/2011
09:00 – 12:00 Sessão VI: A legalidade do uso da ayahausca no tratamento da dependência
Participantes: Maurides Ribeiro, Roberto Tycanori (a confirmar), Rosa Giove, Marcelo Niel.
Coordenação: Marcelo Mercante.
 
12:00 – 13:00 Cerimônia de Encerramento"


Escrito por Marcelo Roverso às 15h36
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Pense positivo
JOÃO PEREIRA COUTINHO 
FOLHA DE SP - 12/07/11


"Ser positivo" é acreditar que nossa vontade otimista será capaz de reverter uma doença impessoal


MINHA MELHOR amiga morreu no início do ano. Câncer, eis o nome do ladrão. Não entro em detalhes.
Mas há detalhes que não esqueço: a última vez que a vi, no hospital, dois dias antes da notícia amarga. Havia dor e sofrimento, é lógico, e também a certeza de que a cortina iria descer.

Disseram-se muitas coisas -coisas nunca ditas, inauditas, malditas, como se o tempo, a escassez de tempo, fosse a musa inspiradora dos arrependidos.

Mas o que mais me custou naquele quadro de despedida foi a culpa. Não apenas a minha culpa pelos dias ou semanas desperdiçados longe dela. Falo da culpa que ela sentia por não ter sido "positiva" até o fim.
A crueldade do pensamento nunca mais me abandonou: "positiva" por quê, ou para quê, ou em quê?
Para ajudar na cura, dizia-me ela e diziam-me familiares dela. O "pensamento positivo" é tão importante como as sessões longas e dolorosas de quimioterapia. "O humor do doente é 50% do caminho", ouvi eu, de vários sábios, vários dias seguidos. Onde estará a camiseta com essa frase?

Abandonei o hospital sem palavras. Não basta a doença ser castigo que baste. Ainda existe essa exigência suplementar em "ser positivo".

Para certas mentes primitivas, "ser positivo" não é apenas importante no processo de cura; também é importante para explicar a própria existência da doença.

Se somos "positivos", a doença se comporta como um animal selvagem na presença de uma fogueira: sente medo e se retrai.

Se não somos "positivos", a doença cheira o nosso pessimismo, se aproxima e nos despedaça.
Como despedaçou a minha amiga. No funeral, entre choros e lamentos, ainda havia quem retomasse a mesma filosofia infame. O câncer "vencera a batalha" porque ela "deixara de lutar". E, claro, "o humor do doente é 50% do caminho". Não esmurrei ninguém porque um forte sentimento de repulsa me obrigou a sair logo dali.

É por isso que leio e aplaudo a entrevista de Jimmie Holland à "Veja". Holland é psiquiatra no memorial Sloan-Kettering, em Nova York, e há mais de 30 anos acompanha doentes com câncer.

O resultado dessa experiência pode ser lido em livro recentemente lançado, "The Human Side of Cancer" (o lado humano do câncer, ainda sem publicação no Brasil). Conclusão de Holland: o "pensamento positivo" não existe. É mito. É uma clamorosa estupidez.

Sim, o apoio psicológico é necessário em momentos de fragilidade oncológica, afirma Holland. O bem-estar psíquico é importante para os doentes e para as suas famílias.

E é importante também não deixar que a depressão se instale: quando há tratamentos para fazer, não é boa ideia ficar na cama todo dia, chorando a respetiva sorte.

Mas "ser positivo" é outra história: é acreditar que a nossa vontade otimista, nosso humor solar, nossa forma de "encarar a vida" e outros clichês mentecaptos serão capazes de reverter uma doença impessoal.
Essa crença é típica do racionalismo moderno na sua recusa extrema de aceitar o imponderável. Vivemos mais. Vivemos melhor. Controlamos o nosso destino -pessoal, coletivo- como nenhum dos nossos antepassados.

Mas, apesar de tudo isso, ou exatamente por causa disso, não podemos aceitar que a doença seja apenas doença; que o sofrimento seja apenas sofrimento -sem culpas nem culpados; sem explicação ou resolução. Isso seria um insulto a nossa vaidade racionalista.

Se a doença chega, é porque nós deixamos os maus espíritos entrar. Se a doença se instala e mata, é porque nós deixamos os maus espíritos vencer. "O humor é 50% do caminho", dizem os sábios. E a quem pertencem os restantes 50%?

Obviamente: pertencem à ciência; e a ciência, a única religião dos homens modernos, não falha nunca. Quem falha somos nós. Pense positivo, leitor.

Moral da história? Não sei quantos doentes o "pensamento positivo", na sua lógica ditatorial e desumana, condenou a uma culpabilização final e imoral. Suspeito que existe um exército infinito deles.
Espero apenas que, esteja onde estiver, a minha amiga possa olhar cá para baixo, para a estupidez dos homens, e perdoar aqueles que não sabem o que fazem.

 

Parlamentares homenageiam União do Vegetal em sessão solene

A pedido do deputado Eduardo Farias (PC do B), a Aleac homenageou ontem, com uma sessão solene, o cinquentenário da União do Vegetal, uma instituição religiosa originária da região Amazônica.

Criada no dia 22 de julho de 1961 por José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, a União do Vegetal começou a se desenvolver a partir do contato de seu criador com o chá Hoasca na fronteira do Brasil com a Bolívia no final da década de 50. A Instituição inicialmente se estabeleceu em Porto Velho e de lá se espalhou pelo Brasil alcançando até mesmo o exterior.

A União do Vegetal está presente no Brasil inteiro e em países como os Estados Unidos e a Espanha num número que já ultrapassa as 160 unidades e mais de 30 mil adeptos. Apesar de assim como as outras religiões baseadas na Ayhuasca ter sofrido preconceitos, hoje é reconhecida como religião.

Para Eduardo Farias, a União do Vegetal é uma religião universal com a cara do Acre. “Eu, portanto, faço aqui deste momento nada mais do que meu dever de trazer à luz da sociedade o debate deste momento importante. Mas, temos o desafio ainda de divulgar mais para a sociedade compreender melhor esta religião que é própria cara do Acre, mas também tem uma coisa de universalidade e por isso está em outros países e outros estados”.

Esse argumento também foi defendido pelo historiador Marcus Vinícius que presente a sessão fez questão de ressaltar



Escrito por Marcelo Roverso às 14h42
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João e Miles

João e Miles - LORENZO MAMMÌ

MÚSICA

João e Miles

No mesmo lugar, muito à frente

RESUMO
No aniversário de João Gilberto, reponta o projeto de país fixado em sua obra e em sua intrigante figura. Ao se retirar de cena para não ocupar nem o "circo", nem a "fábrica", faz emergir um sujeito utópico, situado num tempo entre a modernidade e o passado primitivo e depurado, análogo ao Miles Davis de "Kind of Blue".


LORENZO MAMMÌ

A celebração dos 80 anos de João Gilberto proporciona certo desconforto. Não que ele não mereça. Mas a própria ideia de comemoração, com seu alarde festivo, não parece condizente com uma personalidade tão esquiva.
Atrás de todas as páginas publicadas, memórias, artigos, testemunhos, fica a impressão de que ninguém sabe ao certo quem ele é. E que a expressão evasiva, quase abobalhada, com que pronuncia poucas frases em público é uma máscara com a qual consegue nos ludibriar há décadas.

Ou não? E se sua figura, seu papel de referência para tudo o que foi produzido na música brasileira dos últimos 50 anos tiver crescido a tal ponto que já não admite um indivíduo atrás dela?

João Gilberto virou uma espécie de entidade, mais do que um simples intérprete de canções, e entidades não fazem aniversário. Seu aniversário é o aniversário de um país, mais do que o de uma pessoa. E aí, seria o caso de investigar como isso se deu mais do que quem ele realmente é.

TEMPO De resto, se há alguém para o qual o tempo não passa, é ele. Há artistas que ficam presos a um momento glorioso e depois se repetem. Mas certamente não é esse o caso de João Gilberto: ao contrário, a repetição, a imobilidade nele parecem essenciais.

Em sua forma geral, a bossa nova é um "loop", um movimento circular, que volta constantemente ao começo. Não tem propriamente exórdios e finais, evita cadências muito conclusivas. As introduções das canções parecem colhidas no meio de uma conversa já em andamento, e os finais sugerem quase sempre que a melhor coisa a fazer seria recomeçar tudo de novo -e, de fato, João Gilberto costuma repetir três ou quatro vezes a canção inteira.

Assim como não há começo nem fim, tampouco há acontecimentos dentro da canção que possam sugerir um movimento progressivo. O recurso fundamental é o da elisão, ou seja, a arte de mostrar escondendo: esconder o contraste entre tempos fortes e fracos, não apenas arredondando o 2/4 do samba em 6/8, mas, sobretudo, na mítica batida de João, pela geração contínua de síncopas e síncopas de síncopas, de maneira que o pulso fundamental seja marcado pelas pausas, e não pelos acentos; elisão das transições harmônicas, pela multiplicação de acordes intermediários (no violão de João) ou por um uso sofisticadíssimo das vozes internas (no piano de Tom Jobim); elisão na melodia, que sugere uma curva que não chega a se realizar plenamente; e na emissão da voz, que parece buscar, mais do que o som, o silêncio.

CHET BAKER Muito se falou, e de vez em quando ainda se fala, de uma influência de Chet Baker sobre João Gilberto. De fato, foi Chet Baker quem introduziu no jazz o gosto da emissão vocal puríssima, quase sem timbre e sem dinâmica, "sottovoce".

Mas as semelhanças são superficiais: atrás da voz do jazzista americano transparece a vontade de seduzir pela ternura e pelo aparente desprendimento -uma sedução antitética àquela afirmativa e atrevida de um Frank Sinatra, por exemplo, mas ainda uma sedução.

Quando João Gilberto canta, em nenhum momento sentimos que está buscando um contato conosco. O sujeito já desapareceu, só ficou a canção -aí está a elisão suprema, aquela que justifica todas as outras. (Como intérprete, quem reintroduziu a busca de uma comunicação interpessoal na maneira de cantar de João Gilberto, fazendo a ponte com Chet Baker, foi Caetano Veloso; mas o que se revela no canto de Caetano, mais do que a voz do sedutor, é a voz do amigo: aquele que pode abordar qualquer assunto, mesmo o mais dolorido ou espinhoso, sem perder a dimensão do afeto.)

A suspensão voluntária pela qual o sujeito se mostra ao se esvaecer, se oferece à vista (ou ao ouvido) enquanto se retira do mundo, talvez seja o significado essencial da bossa nova. Seu lugar de eleição é à beira-mar, dando as costas à cidade, mas sem entrar na água. Seu tempo é à tardinha, tarde demais para fazer alguma coisa, cedo demais para sair.

De resto, essa afirmação pela negação se reflete na personalidade dos protagonistas: Vinicius, poeta prestigiado e diplomata, que vai perdendo louros e gravata e que, mesmo depois de se tornar o maior letrista da música popular brasileira, parece constantemente tentado a se esconder atrás de parceiros menos conhecidos (de Jobim para Baden Powell, de Baden Powell para Toquinho); a timidez lendária de Jobim, sua melancolia congênita, sua vontade de se embrenhar no mato ("Águas de Março" é uma canção eufórica, mas não alegre, como bem mostrou Arthur Nestrovski); e João Gilberto, bem, este quase conseguiu a façanha de não existir.

O mistério, no entanto, está no fato de esta poética da subtração, do quase não dito e não feito, ter sido um acontecimento cultural tão determinante, capaz de marcar com tamanha contundência a identidade brasileira moderna.

Como pôde se tornar o maior ícone cultural de um país (porque é isso que João Gilberto é) um homem que só teima em desaparecer?

PROFISSIONALIZAÇÃO O vício da linearidade histórica nos leva a inserir a bossa nova num esquema desenvolvimentista: há o samba clássico, em seguida a influência do jazz, que gera a bossa nova, que abre o caminho à MPB, cada momento servindo de escada para o sucessivo.

É um modelo fácil de decorar, mas que pouco explica. Há, de fato, um processo de progressiva profissionalização da música popular brasileira, já a partir da era do rádio, na década de 1930 -arranjos mais complexos, cantores mais aparelhados tecnicamente, um sistema de produção muito bem azeitado.
Nos anos 1950, esse sistema já incorporara o jazz mais moderno, com Johnny Alf e Dick Farney, por exemplo. Mas a aparição de João Gilberto não foi apenas um passo à frente num caminho já traçado.
Nos primeiros álbuns, tirando as composições dos parceiros mais próximos (Jobim, Menescal, Lyra) e duas dele próprio (uma, vale ressaltar, que se autodefine como baião), poucas outras canções são incluídas, com um critério que, se não for fruto de uma estratégia consciente, é pelo menos índice de um gosto muito revelador.

Os autores mais frequentados são Ary Barroso e Dorival Caymmi, aos quais se acrescenta, a partir de 1961, Geraldo Pereira. Pereira, que morrera em 1955, talvez fosse o herdeiro mais consistente do humor cirúrgico de Noel Rosa, não apenas nas letras, como também em seu fraseado peculiar, com um uso muito inventivo da síncopa.

Caymmi colocara um estilo de composição muito arrojado a serviço de uma fala popular, aparentemente folclórica. E Ary Barroso era a expressão mais plena da autoconsciência técnica e poética da música popular brasileira, no auge da era do rádio.

MODERNIDADE Nenhum desses autores coincidia inteiramente com o ideal de modernidade da era JK, apesar da popularidade de que ainda gozavam.

É como se João Gilberto, em plena febre desenvolvimentista, fosse procurar uma modernidade um pouco mais recuada, que já estava lá, e que, por sua vez, era baseada na releitura de uma tradição ainda mais antiga. O momento-chave, a meu ver, é a inclusão de "Aos Pés da Cruz", de Marino Pinto e Zé Gonçalves, em seu primeiro álbum, "Chega de Saudade".

Se o público-alvo da bossa nova fosse apenas a classe média esclarecida da zona sul, como reza uma sociologia apressada, essa canção de versos católicos, carolas de tão recatados (apesar da citação de Pascal na segunda estrofe), ficaria deslocada.

Por outro lado, talvez em nenhuma outra faixa do disco se torne mais evidente a capacidade do violão de João Gilberto de desmontar, analisar e remontar na hora, no próprio ato de executá-la, a estrutura harmônica de uma canção -justamente porque, provavelmente, essa era a melodia que menos se dispunha a isso.

A bossa nova (Tom Jobim especialmente) gosta de formas musicais um pouco envelhecidas (modinha, valsa), e o estilo despojado e delicado de seus intérpretes talvez deva mais à maneira de os compositores de samba apresentarem suas canções em volta de uma mesa de bar ou num terreiro do que ao jazz de Chet Baker.

PASSADO DISSECADO Mas João Gilberto parece ir mais fundo, se alojando inteiramente numa dimensão da memória e extraindo dela as características de seu estilo inovador.
Os acordes de seu violão não são novos por aparecerem como experimentação, mas por emergirem de um passado dissecado, levado à essência, revalorizado. As melodias já existem, trata-se de descobrir as harmonias delas.

Não deixa de ser revelador que só haja uma canção americana entre as gravações dos primeiros anos, "I'm Looking over a Four-Leaf Clover" ("Trevo de Quatro Folhas"), e é uma composição antiga, de 1927, que se popularizou na década de 1930 pelos "cartoons" das "Merrie Melodies" - enfim, quase uma melodia infantil.

O paradigma de "Chega de Saudade" insere, na projeção do país do futuro, uma modernidade que vem de trás. No fundo, é nesse momento, a partir do corte e da recuperação que a bossa nova opera, que se define o conceito de samba clássico e que a música popular brasileira começa a ter propriamente uma história. O curioso, no caso de João Gilberto, é que a descoberta da história comporta uma suspensão da história, a criação de um espaço mágico em que tudo é moderno ou pode sê-lo, e não há hierarquia.
Provavelmente, se não houvesse "Aos Pés da Cruz" em "Chega de Saudade", não haveria "Coração Materno" em "Tropicália". Mas "Coração Materno" desempenha em "Tropicália" um papel muito específico, nas antípodas, por exemplo, de "Bat Macumba". "Aos Pés da Cruz" tem, em "Chega de Saudade", o mesmo estatuto que "Desafinado". As canções estão à mão, como objetos num quarto, num dia de feriado. Podem ser pegas a qualquer momento, manipuladas por um tempo indefinido, deixadas de lado de repente. Não são trabalho, muito menos espetáculo.

CONSUMO A década de 1950, e sobretudo os últimos anos, marca a transição da estética industrial da primeira metade do século 20 a outra, baseada no consumo. Como todos os momentos de transição, esse também abre espaços inesperados de liberdade ou, melhor dizendo, de felicidade. Já se viraram as costas às fábricas, mas ainda não se entrou no circo. E ainda não se sabe que o circo implica, ele também, exploração, regras rígidas, assentos numerados.

A nova modernidade parece fluir sem esforço e, por isso mesmo, se parece com uma situação pré-moderna, não sistêmica, comunitária. Talvez o novo sempre tenha algo de primitivo. Mas o que se instaura nessa fase não é o primitivo selvagem das vanguardas históricas, que sugeria ruptura e revolução. É um primitivo doce, quase infantil, que sobrevive nos pontos mortos e nas horas vagas.
É uma utopia recorrente na época: quando as máquinas assumirem todas as tarefas, as hierarquias de valores vão se inverter. Tudo aquilo que é irrelevante passará a ser fundamental, porque é a outra face da vida, que o trabalho não contempla.

Isso vale para o "nonsense", o tempo perdido, uma inflexão de voz que não pode ser quantificada e repetida, um sentimento que não visa à extroversão. Vale para tudo aquilo que é para nada.
Por alguma razão, o ideal brasileiro de modernidade se identificou com essa utopia de maneira mais profunda e persistente do que em outros países. E João Gilberto é sua mais perfeita expressão, inclusive pela teimosia em ficar nesse lugar indefinido -fora da fábrica, mas não dentro do circo.


Escrito por Marcelo Roverso às 14h16
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João e Miles

 

MILES Contraprova. Se não tivesse morrido em 1991, Miles Davis faria 85 anos 15 dias antes do aniversário de João Gilberto. Em 1959, o mesmo ano de "Chega de Saudade", lançava "Kind of Blue", que muitos consideram o mais importante disco de jazz já gravado. Miles Davis já fora responsável por outras revoluções: com seu mítico quinteto (ele ao trompete, John Coltrane ao saxofone, Red Garland ao piano, Paul Chambers ao baixo, Philly Joe Jones na bateria), praticamente inventou o cool jazz. Com Gil Evans, revolucionou o estilo das big bands.

No campo da música popular, a transição que tentei descrever tem nele seu maior protagonista. Nesse processo, contudo, "Kind of Blue" representa um ponto de volta, principalmente pela adoção sistemática da harmonia modal, que já experimentara ocasionalmente nos anos anteriores.

Na harmonia tonal, a sequência de acordes é construída para "resolver" em determinadas notas, que são os pontos de apoio e de repouso da composição. Na harmonia modal, não há pontos de apoio privilegiados, as sequências não são direcionadas. Os acordes formam estruturas que permanecem, por assim dizer, em suspensão.

A primeira faixa do disco, "So What?", baseada em apenas dois acordes, é o manifesto de quase todo o jazz e de muita música popular que estava por vir. Mas o modalismo não é apenas pós, é também pré-tonal: permite aproveitar todo o material de tradições étnicas ou populares não atingidas pela técnica tonal ocidental.

Por um lado, a atitude e as inovações de Miles Davis faziam com que o jazz ultrapassasse o virtuosismo "operário" que ainda marcava a geração anterior (até nos maiores: Charlie Parker e Dizzy Gillespie) e adquirisse a concentração e a precisão técnica de uma experiência de laboratório; por outro, a partir de "Kind of Blue", os ritmos hipnóticos, as melodias circulares, os acordes não funcionais faziam emergir uma raiz africana que já não se confundia espontaneamente com o ritmo da produção industrial, como no jazz clássico.

CIENTISTA E XAMÃ Sempre mais, nos anos seguintes, Miles Davis tentou conjugar a alta tecnologia e o transe, o laboratório e a tribo, reivindicando para si, ao mesmo tempo, o papel do cientista e o do xamã.

Mas a conciliação, nesse caso, não era tão fácil -aliás, talvez fosse irrealizável. Não havendo síntese possível no presente, era necessário apontar para o futuro, se colocar sempre um pouco mais além.
Miles Davis é condenado a abrir caminhos, a estar sempre quilômetros à frente, "Miles Ahead", como reza o título de um álbum de 1957: como em "Bitches Brew" (1969), que inaugura o jazz fusion, ou em "Tutu" (1986), onde Miles contracena com apenas um músico (Marcus Miller) e uma floresta de sintetizadores.

Mas todas essas gravações geniais, no fundo, apenas comentam e desdobram a intuição fundamental de 1959, a interrupção do fluxo do tempo pela síntese de dois acordes em que futuro e pré-história parecem coincidir por um instante. E, por um instante, não parece haver problema - so what?

Certamente, João Gilberto nunca teve a ambição de Miles Davis. Nunca se sentiu dilacerado entre um futuro inalcançável e uma raiz perdida. Para ele, um violão acústico é moderno o bastante, e as raízes estão bem aí, na Bahia, nos sambas um pouco envelhecidos, nas "Merry Melodies". Porém, fechando-se nesse microcosmo, conseguiu encontrar um ponto de equilíbrio igualmente perfeito, e dedicou a vida a preservá-lo.

Na história do século 20, o fim da década de 1950 foi um dos períodos mais criativos, e não apenas no campo da música ("Acossado" de Godard, por exemplo, esta outra ode ao tempo parado, também é de 1959).

Quase todos os movimentos artísticos posteriores nascem naquela época, naquele momento de suspensão que talvez ainda não tenhamos entendido plenamente -como se então a solução estivesse à mão, mas a deixamos escapar.

Miles tentou reencontrá-la pelo resto da vida, sempre mais à frente. João permanece perto dela e se recusa a sair dali. Mas o tempo passa, em todo caso, e as memórias se tornam sempre mais longínquas, as celebrações sempre mais engessadas e automáticas. Talvez a melhor maneira de comemorar -se é que se pode comemorar uma vaga sensação de perda- fosse dar plena vazão às perguntas que há certo tempo rondam por aí: o que foi do jazz? O que será da canção?

E se seu papel de referência para tudo o que se produziu na música brasileira dos últimos 50 anos tiver crescido a ponto de não admitir um indivíduo?

Quando João Gilberto canta, em nenhum momento sentimos que está buscando um contato conosco. O sujeito já desapareceu, só ficou a canção

Como pôde se tornar o maior ícone cultural de um país (porque é isso que João Gilberto de fato é) um homem que só teima em desaparecer?

É como se João Gilberto, em plena febre desenvolvimentista, fosse procurar uma modernidade um pouco mais recuada, que já estava lá

Miles tentou conjugar a alta tecnologia e o transe, o laboratório e a tribo, reivindicando para si, ao mesmo tempo, o papel do cientista e do xamã

O Cineclube Opiniões exibe no próximo sábado, a partir das 19 horas na
Filmoteca Acriana o filme brasileiro “Em Teu Nome” do diretor gaúcho
Paulo Nascimento. Na ocasião estaremos recebendo a visita do Secretário
Geral do Conselho Nacional de Cineclubes – CNC, Gilvan Dockhorn, que irá
falar sobre as principais conjunturas do Movimento Cineclubista no
Brasil, bem como debatendo o filme conosco.

Em Teu Nome conta a história do estudante de engenharia Boni
(interpretado por Leonardo Machado), que mesmo com muitas dúvidas acaba
aderindo à luta armada durante a Ditadura Militar.



Blog: www.cineclubeopinioes.blogspot.com



Escrito por Marcelo Roverso às 14h15
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A Flip é de Mario - PAULO WERNECK

DIÁRIO DE PARATY

A Flip é de Mario

O vácuo biográfico do pai de "Macunaíma"

PAULO WERNECK

SENDO DE OSWALD de Andrade, a Flip também é, por tabela, de Mario, cujo espectro ronda por todo lado, a começar pela conferência de abertura. Nela, Antonio Candido expressou perplexidade e inconformismo com a célebre (e jamais explicada) briga dos dois Andrades.
Terá faltado, ao final desta Flip, uma mesa sobre Mario, uma vez que ele teima em comparecer sempre que o assunto é Oswald?

"Qual a maior obra de prosa literária do modernismo?", pergunta o poeta Paulo Henriques Britto, em entrevista à Folha (leia mais à pág. 8). "Não é nenhum dos romances do Oswald, o Haroldo de Campos que me perdoe. É o "Macunaíma". Agora o "Macunaíma" não existiria se não fossem todos aqueles "insights" que o Oswald tinha num período de grande comunicação entre os dois."
E arremata: "De certo modo, é claro que o Oswald é um coautor do "Macunaíma". Ele é muito maior do que a obra dele". Para Britto, o "terceiro segredo de Fátima" é: "Por que não existe uma biografia de Mario de Andrade?"

LACUNA Na avaliação de Britto, "falta no Brasil uma tradição de biografias sólidas", apesar da sofisticação crescente dos trabalhos "do Ruy Castro pra cá". A maior lacuna a preencher, ele aponta, é justamente a de Mario de Andrade. "Seria preciso um bom biógrafo com acesso total aos papéis do Mario. Desconfio que isso ainda não seja algo aberto. Talvez ainda haja um certo controle em torno da obra dele, até para proteger a imagem."

Os arquivos de Mario estão no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), sob os cuidados da pesquisadora Telê Porto Ancona Lopez. Por determinação testamentária, deveriam ter sido abertos a pesquisadores em 1995, nos 50 anos da morte do autor de "Macunaíma", mas ainda hoje ecoam queixas sobre dificuldades em pesquisar o acervo.

AUTOEXÍLIO DO PORNÓGRAFO Sempre tendi mais a bares centrais do que à pesquisa científica. Eis a frase oswaldiana preferida do escritor Reinaldo Moraes, que ele cita de cabeça, enquanto se desenrola a conferência do neurocientista Miguel Nicolelis em Paraty. No entanto, na Flip 2011, não era no Coupê, o tradicional "bar central" da cidade, que o pornógrafo podia ser encontrado, como nas edições anteriores da festa.

A 40 minutos de Paraty, isolado numa choupana na vila de Picinguaba, na costa norte de Ubatuba ""nada a ver com Porangatuba, a vila onde se refugia Zeca, o personagem de "Pornopopéia""", Reinaldo amarga um gélido autoexílio que coincide exatamente com a duração da festa.

Desde sexta-feira, ele está sozinho, dando trato a seu novo romance, encomendado pela Objetiva. Podendo ter escolhido a Serra da Mantiqueira, a Baixada Santista ou as neves do Kilimanjaro, decidiu se retirar bem ao lado da orgia oswaldiana que se encerra hoje, sob a batuta de Zé Celso Martinez Corrêa.
Nenhum homem é uma ilha, no entanto, e, por telefone, Moraes disse não ter a intenção de ir a Paraty ""precisa se concentrar na escrevinhação. Mas a ligação da reportagem o apanhou "ensebando no sofá", em suas próprias palavras, depois de uma "manhã produtiva" que durou até as 14h.
Não sabe dizer quanto já escreveu. Põe a culpa no editor de texto de parcos recursos que lhe faz companhia no retiro.

ITALIANOS Antonio Tabucchi não veio, mas a curiosidade ficou mesmo em torno de Cesare Battisti. Talvez fosse ele o mais indicado para representar a delegação italiana numa Flip cujo teor político pareceu se esvair após a desistência da presidente Dilma Rousseff, que havia prometido prestigiar a abertura ""e que a presença de um militante como Antonio Candido não conseguiu reacender, pelo menos até o fechamento desta edição. No lugar de Tabucchi, compareceu o (também italiano) Contardo Calligaris.
Fotos: DIVULGAÇÃO

Divulgação

Joana Lima  Verde





MEU IRMÃO GRANDE AMIGO EUCIR DE SOUZA
GRANDE ATOR NA TV GLOBO

‘Força-Tarefa’ volta a ser gravada na quarta-feira com novo elenco. Conheça os atores

Começam na quarta-feira (13) as gravações da nova temporada do seriado “Força-Tarefa”, da Globo. Os trabalhos acontecerão no Rio de Janeiro e mostrarão uma história bem diferente da que o público conheceu. Como a coluna havia adiantado em janeiro, boa parte dos personagens terá morrido. Saem da trama Juliano Cazarré e Hermila Guedes. Milton Gonçalves e Fabíula Nascimento, além de, claro, Murilo Benício seguirão na série. Nos novos episódios, o tenente Wilson (Murilo) aparecerá mais velho e deprimido depois de ver sua equipe ser morta em serviço. O foco agora será na maneira como lida com a depressão e com uma nova equipe. A previsão é que a nova temporada estreie em agosto e tenha oito capítulos.

O novo elenco já foi escalado. E a emissora resolveu revelar caras novas: contratou para os novos personagens nomes mais conhecidos no teatro e no cinema. Conheça os atores:

EUCIR DE SOUSA

Eucir numa cena de "Meu Mundo em Perigo"

Já estrelou filmes como “Meu Mundo em Perigo”, de José Belmonte, e “Salve Geral”, de Sérgio Rezende. Na TV participou do seriado “Antônia” e da novela “Bang Bang”. Recentemente protagonizou a série “FDP”, sobre um juiz de futebol, que será exibida em breve pela HBO.

NARUNA COSTA

Naruna Costa fez participações em novelas da Globo e da Band

Com longa carreira no teatro – ela é fundadora do Grupo Clariô -, Naruna já fez participações em novelas como “Dance Dance Dance”, da Band, e “Tempos Modernos”, da Globo. No cinema atuou no filmes “O Passado”, de Hector Babenco, e “O Magnata”, de Johnny Araújo.

SÉRGIO CAVALCANTE

Sérgio Cavalcante já se arriscou como apresentador

Com passagens pelo Teatro Escola Célia Helena e pelo Teatro Macunaíma, o ator já se arriscou no comando de um programa para a TV Futura, o “Comida Sabida”, e integrou o elenco do longa-metragem “Ação Entre Amigos”, de Beto Brant. Na TV, teve um papel na série “Bipolar”, exibida pelo Canal Brasil, e na minissérie “Som e Fúria”, da Globo.

 

A aliteração - JÚLIO CASTAÑON GUIMARÃES

ARQUIVO ABERTO
MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

A aliteração

Lisboa, 2010

JÚLIO CASTAÑON GUIMARÃES

Foi por intermédio de um grande amigo, o artista plástico Arlindo Daibert (1952-1993), que, em função de um trabalho acadêmico, ainda na década de 80, vim a conhecer Saudade Cortesão Mendes, viúva do poeta Murilo Mendes (1901-1975). E foi porque ela tinha grande consideração pelo Arlindo que me atendeu com todo interesse e amabilidade.

Resultaram ao longo dos anos numerosas passagens por sua casa, em Lisboa, para depois regularmente se ir a algum restaurante. Entre suas muitas gentilezas, recebi dela um exemplar de um livrinho intitulado "Il Natale", antologia de poemas organizada por Mary de Rachewiltz (a filha de Ezra Pound) e Vanni Scheiwiller, o editor. Publicado em Milão na década de 60, sob a Insegna del Pesce d'Oro, o volume inclui um poema de Murilo.

No entanto, em consonância com sua discrição, mudou logo de assunto, como se isso não tivesse a menor importância diante de minha menção certa vez à publicação, em 2000, de alguns de seus poemas tardios ("Notas Mínimas", ed. La Librericciuola), em edição especial com gravuras de Achille Perilli.
No mesmo tom, relutou em fazer-me uma dedicatória em seu livro "Pássaro do Tempo" (Imprensa Nacional, 200 págs.); acabou escrevendo, com certo coquetismo, que o fazia "envergonhadamente" e que, se alguma coisa ali valia a pena, era o fato de o livro ser dedicado a Murilo.

Entre os que a conheciam, corriam histórias sobre sua preocupação com a elegância e mesmo sobre certa afetação, o que ela às vezes alimentava, como ao dizer a antigos conhecidos que a queriam rever que isso não seria possível porque o tempo passara, e ela não podia mais ser vista. Nem sempre, porém, se lembra que ela traduziu um conjunto de poemas de Murilo para o francês, no volume publicado pela Seghers em 1957, "Office Humain" (60 págs.).

Além disso, traduziu para o português autores como Eliot, Shakespeare, Pratolini, Camus. Nos anos 40 e 50, no Brasil, colaborou com o suplemento "Letras e Artes" e escreveu com regularidade na "Tribuna da Imprensa". Aqui publicou um primeiro livro, "O Dançado Destino" (Livros de Portugal, 84 págs.), com belos poemas elogiados por Manuel Bandeira.

Teve uma vida de viagens, primeiro com o pai exilado, o historiador português Jaime Cortesão, e depois com Murilo Mendes. Dedicou-se ciosamente a cuidar do legado de ambos. Sobre Murilo podia contar histórias sem fim, assim como podia discorrer sobre encontros em Roma com o compositor Giacinto Scelsi (1905-1988).

Discretíssima ou levando ao extremo sua dose de vaidade, recusava-se, porém, a falar de si, a deixar algum testemunho, dando a quem tentava obtê-lo respostas breves, evasivas e prontas.
Em 2010, pouco após a publicação de seu último livro, "O Desdobrar da Sombra" (Roma Editora), e pouco antes de seu falecimento, aos 97 anos, ainda a visitei, quando estava já não mais em seu apartamento da travessa da Palmeira, mas numa casa de repouso; apesar das dificuldades físicas, vestia-se com apurada elegância e mantinha o espírito de sempre.

No correr da conversa, tendo eu mencionado sua tradução de Eliot como "Morte na Catedral", ela de imediato retrucou, dizendo enfaticamente que o título não era esse; que talvez fosse o mais correto, mas que havia preferido "Crime na Catedral" para deixar uma sugestão de mistério e "pela aliteração, pela aliteração".

Mais do que a demonstração de memória e lucidez, se poderia retrospectivamente perceber que aquele momento fazia da "aliteração" não mera repetição, mas imagem de um tempo e de seu empenho de persistência. Está belamente retratada em desenhos de seus amigos Arpad Szenes (1897-1985) e Vieira da Silva (1908-1992), bem como em alguns poemas de Murilo Mendes.






Escrito por Marcelo Roverso às 14h15
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Suposto lobby de membros do Santo Daime poderia impedir duplicação e asfalto no Irineu Serra

Moradores da Vila Custódio Freire promoveram um manifesto, nesta quinta-feira, 14, pela continuidade de projeto do Governo do Estado, que vai duplicar e asfaltar o ramal Irineu Serra.

Segundo os moradores, o Governo estaria recebendo recomendações da comunidade da Igreja do Santo Daime do Irineu Serra, para que não promova obras de infraestrutura no ramal, evitando-se um aumento na movimentação de pessoas na região.

As obras atrapalhariam os trabalhos da comunidade daimista, segundo os seus adeptos.

“Queremos melhorias para todos. Não podemos ficar no atraso. Precisamos de benfeitorias e não vamos abrir mão disso em detrimento de uma minoria”, protestou José Eliziário, presidente da Associação dos Moradores da Vila Custódio Freire.

A comunidade afirma existirem pessoas influentes do Governo do Estado, que também pertencem à comunidade daimista e querem evitar que isso pese contra o progresso na região.

Moradores da Vila Custódio Freire promovem manifesto


protesto_custodio_freire

Manifestantes cobram do governo pavimentação da estrada que liga Vila Custódio e comunidade Irineu Serra.

Moradores da Vila Custódio Freire promoveram na manhã desta quinta feira (14/07), uma manifestação para cobrar do governo a pavimentação da estrada que liga a Vila Custódio Freire com a comunidade Irineu Serra.

De acordo com informações do Presidente da associação dos moradores, José Aliziario, a pavimentação do ramal que daria acesso as duas comunidades foi uma garantia feita pelo governo há cerca de dois anos, mas até o momento nada ainda foi concretizado.

Ainda de acordo com o presidente, os moradores da comunidade Alto Santo (Daime), localizada no Irineu Serra fizeram uma intervenção junto à equipe do Deracre para impedir a obra.

Segundo os moradores da comunidade Alto Santo, a pavimentação da estrada iria aumentar o fluxo de veículos e de pessoas na região, alterando assim, o equilíbrio harmonioso dos habitantes da comunidade religiosa que ali habitam e frequentam.

A manifestação dos moradores da Vila Custódio Freire contou com a participação de mais de 200 moradores. Caso a reivindicação não seja atendida nos próximos meses, os manifestantes prometeram interditar a BR 364, que liga Rio Branco ao aeroporto, além dos municípios vizinhos do Bujari e Sena Madureira.

O relógio - ANA MARTINS MARQUES

IMAGINAÇÃO
PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

O relógio

ANA MARTINS MARQUES

De que nos serviria
um relógio?

se lavamos as roupas brancas:

é dia

as roupas escuras:

é noite

se partes com a faca uma laranja

em duas:
dia

se abres com os dedos um figo

maduro:
noite

se derramamos água:

dia

se entornamos vinho:

noite

quando ouvimos o alarme da torradeira

ou a chaleira como um pequeno animal
que tentasse cantar:
dia

quando abrimos certos livros lentos

e os mantemos acesos
à custa de álcool, cigarros, silêncio:
noite

se adoçamos o chá:

dia

se não o adoçamos:

noite

se varremos a casa ou a enceramos:

dia

se nela passamos panos úmidos:

noite

se temos enxaquecas, eczemas, alergias:

dia

se temos febre, cólicas, inflamações:

noite
aspirinas, raio-x, exame de urina:
dia
ataduras, compressas, unguentos:
noite

se esquento em banho-maria o mel que cristalizou

ou uso limões para limpar os vidros:
dia

se depois de comer maçãs

guardo por capricho o papel roxo escuro:
noite

se bato claras em neve: dia


se cozinho beterrabas grandes:

noite
se escrevemos a lápis em papel pautado:
dia

se dobramos as folhas ou as amassamos:

noite
(extensões e cimos:
dia

camadas e dobras:

noite)

se esqueces no forno um bolo amarelo: dia


se deixas a água fervendo

sozinha:
noite

se te cortas com papel ou feres o pé com vidro: dia


se ao comer com pressa queimas

o céu da boca:
noite

se pela janela o mar está quieto

lerdo e engordurado
como uma poça de óleo:
dia

se está raivoso

espumando
como um cachorro hidrófobo:
noite

se um pinguim chega a Ipanema

e deitando-se na areia quente sente ferver
seu coração gelado:
dia

se uma baleia encalha na maré baixa

e morre pesada, escura,
como numa ópera, cantando:
noite

se desabotoas lentamente

tua camisa branca:
dia

se nos despimos com ânsia

criando em torno de nós um ardente círculo de panos:
noite

se um besouro verde brilhante bate repetidamente

contra o vidro: dia

se uma abelha ronda a sala

desorientada pelo sexo: noite

de que nos serviria

um relógio?

Atriz posa de calcinha para revista e compara sexo entre amigos a comunismo


1951494-6268-thMila Kunis aparece de calcinha em capa de revista (Foto: Divulgação)Mila Kunis exibiu a boa forma ao posar de calcinha para a revista GQ. Ela é capa da edição de julho, inteiramente dedicada à comédia. A atriz falou sobre relacionamentos e planos para o futuro. Uma das novidades é a comédia Amizade Colorida, com estreia prevista no Brasil em agosto.

No longa, a atriz protagonizou cenas quentes com Justin Timberlake. Os dois são amigos e decidiram incluir o sexo na relação. Para ela, esse tipo de relacionamento da personagem não funciona na vida real. "Nunca vivi uma situação dessas. É como o comunismo - bom na teoria, mas na prática pode falhar", conta.

Mila ficou conhecida no seriado That 70's Show com a adolescente mimada Jackie. Segundo a atriz, não é fácil interpretar comédias. "Acho que as pessoas não levam uma mulher a sério depois que ela faz esse tipo de trabalho. Fica tudo mais difícil. Sempre tento variar os papéis para fugir dos estereótipos", diz.



Escrito por Marcelo Roverso às 13h48
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Antonio Candido, ou o pessimismo

Por Paulo Werneck em 11/07/2011 na edição 650

Reproduzido do caderno “Ilustríssima” da Folha de S.Paulo, 10/7/2011; título original “Candido, ou o pessimismo”

 

 

Na pauta da 9ª. Festa Literária Internacional de Paraty, mais do que a poesia, a prosa ou a agitação cultural produzida por Oswald de Andrade, o que esteve no centro das atenções foi a crítica literária.

Ao convidar para a conferência de abertura o pai fundador da crítica nacional, Antonio Candido de Mello e Souza “que fez questão de enfatizar os 30 anos que o separam tanto de Oswald quanto de seu ex-aluno José Miguel Wisnik, com quem dividiu a mesa”, o diretor de programação, Manuel da Costa Pinto, parecia querer promover uma passagem de bastão da tradição crítica brasileira com ares de consagração.

Não foi bem o que aconteceu: a fala de Wisnik, um dos intelectuais mais respeitados do país, incomodou pela extensão desproporcional à do mestre, resultando pesada a boa parte da audiência. Wisnik parecia ter errado a mão.

Candido, por sua vez, não poupou a própria crítica literária contemporânea, ao afirmar que, atualmente, a resenha vinda da universidade é dominante nos jornais e se refugia no campo sem riscos dos autores consagrados, como Clarice Lispector ou João Cabral de Melo Neto.

Jornal

“Sou de um tempo em que a crítica literária era atividade jornalística. Levei para a universidade a crítica jornalística. Hoje é o contrário: a universidade tomou conta da crítica, e os professores vêm escrever no jornal. Eu não, eu fui do jornal para a faculdade”, disse ele.

“Hoje, a crítica literária acadêmica é uma atividade extremamente segura. Os rapazes fazem tese sobre Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rêgo, Clarice Lispector. Agora, a pessoa pegar o livro [de um autor contemporâneo] e dizer “este é bom, este é ruim”, isso acabou.”

A fala pessimista de Candido pôs a própria crítica literária na berlinda da mais crítica das Flips. Dentre todos os curadores da festa, Manuel da Costa Pinto distingue-se por ter feito da crítica o centro de suas atividades, inclusive na Folha. Ao contrário de seus antecessores, que privilegiaram jornalistas para o posto-chave de mediador da maioria das mesas, Costa Pinto escolheu nomes consagrados ou em ascensão na crítica nacional, de Wisnik a João Cezar de Castro Rocha, passando por Márcio Seligmann-Silva e Eduardo Sterzi, este na condição de autor convidado.

Embora avalie que Wisnik extrapolou em sua intervenção, Paulo Henriques Britto, 60, um dos autores convidados, busca uma explicação espirituosa para o desconforto: “Depois do Frank Sinatra, tudo é anticlímax”.

Em 2011, Britto comemora os 30 anos de publicação de seu livro de estreia, Liturgia da Matéria (esgotado). Nesse período, exibiu invejável trânsito por áreas aparentemente inconciliáveis.

Presença constante no mercado editorial, traduziu 102 livros, entre best-sellers (vide Rumo à Estação Finlândia, de Edmund Wilson) e a literatura de vanguarda de Thomas Pynchon ou a poesia de Elizabeth Bishop; tem uma sólida produção acadêmica, focada em linguística e estudos da tradução; e, ainda por cima, é um dos poetas mais respeitados e premiados do país.

Em sua participação na Flip, ao lado da britânica Carol Ann Duffy, leu o poema inédito “Lorem Ipsum”, reproduzido nesta página. Como consegue conciliar tudo isso, especialmente no vespeiro da poesia nacional, ainda por cima fazendo cara de que amanhã vai dar praia? “Para mim, há várias coisas muito mais importantes do que a literatura. É claro que gosto de escrever, tenho vaidade, gosto de ganhar prêmio como todo mundo, mas nunca investi muito a minha vida nisso”, diz.

Britto foi um dos intelectuais que a Folha ouviu na Flip para saber se de fato os acadêmicos terão se apoderado do espaço da crítica antes exercido nos jornais, trazendo com eles a ausência de ousadia inerente ao estudo exclusivo de autores canônicos.

Preguiça

“Não é só aquilo que o Antonio Candido apontou, o medo de correr riscos”, diz Britto. “Há um bocado de preguiça. Ler João Cabral é tranquilo, todo mundo sabe que João Cabral é relevante, é importante. Quem sabe você não vai descobrir mais um cê-cedilha lá que ninguém tinha reparado?”, espeta. “Agora, enfrentar essas centenas de livros de poesia que estão aí, separar o trigo do joio, é um trabalho muito mais difícil.”

Para ele, o assunto se torna especialmente complicado quando se trata de poesia. “No meio universitário, é muito pequeno o número de pessoas que estão trabalhando com poesia nova. Sou professor da PUC-Rio. De um grupo de cerca de 10 professores, apenas dois se debruçam sobre a poesia. Todos os outros se dedicam à prosa”, conta.

O diagnóstico é contestado por um dos mais jovens críticos escalados para a festa, Eduardo Sterzi, 38. Para ele, a visão de Candido “não procede”: “Até por estar afastado do trabalho da universidade, é uma visão que vem de fora. Quem está trabalhando na universidade percebe que há uma tendência cada vez maior de atenção ao contemporâneo”.

Sterzi afirma que a questão não se reduz a estudar autores contemporâneos ou canônicos. Cumpre estabelecer relações entre eles: “Estudo tanto sobre autores contemporâneos quanto a respeito de autores medievais. É impressionante o que eu consigo vislumbrar de questões que são colocadas pioneiramente no período medieval e que vão ser desdobradas, seja por autores como Drummond e Oswald, seja mais recentemente, por Augusto de Campos ou até pelos poetas contemporâneos”.

O crítico, jornalista e ex-curador da Flip Flávio Moura também procura situar o lugar a partir do qual Antonio Candido fez sua intervenção mas observa que, em vez de estar “fora”, como quer Sterzi, ele está no centro de tudo o que se fez na crítica.

“Ele falar isso é muito diferente de uma pessoa que não tem a credibilidade dele”, diz Moura. “O Antonio Candido começou no jornal, mas instituiu a crítica universitária, fundou os departamentos de Letras da USP e da Unicamp. Não dá pra levar ao pé da letra”.

Poesia

Em sua conferência, Antonio Candido lembrou que muitos críticos deixavam de escrever sobre Oswald por medo de serem enxovalhados pelo poeta. O ambiente belicoso da poesia não seria também um dos motivos que afastam os críticos dos poetas vivos?

“Conheço uma pessoa que já me disse que não casou e não teve filhos porque queria se dedicar inteiramente à literatura”, diz Britto.

“Você imagina o peso que é para essa pessoa receber uma crítica desfavorável. O cara se suicida. Eu nunca investi na minha poesia esse capital emocional de modo algum.”

“A vituperação, esse animus dos poetas em discussão de poesia, é inversamente proporcional ao interesse que a poesia desperta no grande público”, conclui ele. “Parece que os poetas são particularmente sensíveis à crítica, até pelo fato de que ninguém lê.” Outro poeta carioca, Chacal, afirma que não dá bola para crítica de nenhuma natureza. “Confesso que não leio muito. Parece que é sempre uma coisa já previsível, pouco inventiva”, diz.

“Mas falo isso de forma leviana, porque não leio cadernos de cultura. Infelizmente, acho que é um erro tanto meu quanto dos cadernos de cultura.” Acompanha a produção acadêmica? “Também não.”

Chatos

Para Flávio Moura, a avaliação de Candido faz sentido “mas o medo de correr riscos também existe nos jornalistas, não só na academia”. Os jornalistas, segundo ele, não aceitam a hipótese de “não serem engraçados, de não serem venenosos e de parecerem chatos”, o que os desvia de uma discussão mais aprofundada que é feita na academia.

Ser (ou parecer) chato talvez seja um ponto importante na discussão. Na visão do jornalista e ficcionista Paulo Roberto Pires, a consequência de longo prazo da situação descrita por Candido é “um tédio profundo diante desta vida literária chata que a gente leva”.

Pires, que é editor da revista Serrote, do Instituto Moreira Salles, atuou como um combativo crítico na virada dos anos 2000, tendo revelado (ou ajudado a revelar) jovens autores que hoje gozam de projeção nas letras nacionais, como Cecilia Giannetti, Daniel Galera, Joca Reiners Terron, Daniel Pellizzari, João Paulo Cuenca, Chico Mattoso e Santiago Nazarian.

Para ele, “há uma dificuldade muito grande em apostar. Esse senhor de 92 anos foi ao jornal dizer que uma moça de 17 anos chamada Clarice Lispector valia a pena. Digamos que há nisso um risco que ninguém corre hoje”.

Ter se transformado em editor (da Agir e, depois, do Instituto Moreira Salles) prejudicou seu trabalho como garimpeiro literário? “A atenção dispersa do jornalismo é melhor, num certo sentido, para você prestar atenção. Se alguém conseguisse combinar a atenção dispersa do jornalista com a atenção do crítico, seria perfeito.”

E arremata, como que respondendo, ainda que de modo enviesado, a Antonio Candido: “Não dá pra ser otimista em bloco, mas também não dá pra ser pessimista em bloco.”

***

[Paulo Werneck é tradutor e editor do caderno “Ilustríssima” da Folha de S.Paulo]

Negócios de família por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Negócios de família

Matéria de Silas Martí originlmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 9 de julho de 2011.

Embalados pela valorização de Lygia Clark, Hélio Oiticica e Leonilson, herdeiros dos artistas se dividem entre cuidados com a memória e lucro sobre o espólio

No dia 8 de novembro de 1968, Lygia Clark fez um desabafo numa página de seu diário. "Estou fodida, meio desesperada", escreveu a artista. "Terei de mudar desse apartamento que adoro porque é caríssimo para mim."

Mais de 40 anos depois, em junho passado, uma escultura sua foi vendida na Suíça pelo maior valor já pago pela obra de um brasileiro, R$ 4,1 milhões. Outro sinal de tempos que mudaram: suas netas abriram uma butique em Botafogo, no Rio, nada longe de onde ela morava, para celebrar sua memória.

Foi na Clark Art Center há uma semana que, com cervejas e canapés vendidos na entrada, cerca de cem pessoas se espremeram entre objetos de design para ver o músico Jards Macalé, amigo de Lygia, ser alvo de uma reedição da performance "Baba Antropofágica", de 1973.

De cueca, ele se deitou no meio do salão para ser coberto num emaranhado de fios coloridos desenrolados de carretéis enfiados na boca de cada um dos participantes -essa foi a primeira reedição do ato desde os anos 1970.

"Cada vez que você faz uma ação, sente uma coisa diferente, meio boba", refletiu Alessandra Clark, mulher loira, alta e de sandálias de strass, neta da artista e designer por trás da loja Clark Art Center. "É meio engraçado."

Horas depois, Macalé estava coberto numa grossa trama de tecido, enredado numa confusão de cores. É um quadro que ilustra a atual posição de herdeiros de artistas como Clark, hoje responsáveis por seu espólio, enrolados com a valorização desenfreada das obras e com a crescente importância da arte brasileira na cena global.

No caso específico dos Clark, as netas, que fazem questão de frisar que não são herdeiras diretas, detêm um monopólio extraoficial sobre os direitos das ações performáticas da avó. "Caminhando", uma dessas ações, ficou de fora da última Bienal de São Paulo por entraves incontornáveis na negociação.

Mas, na loja de Botafogo, o calendário está garantido até o fim deste ano, com performances agendadas para o primeiro sábado de cada mês. São apresentadas sempre com a introdução de um crítico e costumam ter como participantes amigos da artista que estavam presentes no ato original.

Fora dos dias de festa, é possível pesquisar textos e documentos históricos da artista com hora marcada no andar de cima. Não custa nada, mas não é permitido ver a reserva técnica onde ficam obras da coleção da família.

ACERVOS À VENDA
Amigo, colega de geração e confidente de Clark, Hélio Oiticica, que morreu em 1980, tem seu espólio em recuperação numa casa do Jardim Botânico. Depois que um incêndio consumiu 30% das obras há dois anos, a família tenta restabelecer a ordem.

Recém-chegados da retrospectiva do artista que passou por São Paulo, pelo Rio e por Belém, trabalhos originais e réplicas estão amontoados na reserva técnica apertada, agora com sistema de incêndio adequado e controle de umidade do ar.

César Oiticica Filho, sobrinho do artista, está preparando um documentário sobre a obra do tio, embalado pelo hype em torno dele e na esteira da abertura de um pavilhão dedicado às "Cosmococas" no Instituto Inhotim, paraíso mineiro das artes plásticas, no ano passado.

"No começo, vendemos muitas obras para manter o projeto, mas o valor era mais baixo", lembra Oiticica Filho. "Hoje a gente consegue vender até ambientes e penetráveis inteiros, uma política da qual não sou muito fã, mas que é algo importante."

Ou necessário. Em São Paulo, o Projeto Leonilson, que gerencia o espólio de José Leonilson, morto em 1993 e hoje em vias de forte valorização, confessa que vira e mexe reedita e vende obras dele para se sustentar.

São gravuras e pequenas esculturas em bronze produzidas às centenas para dar cabo das despesas mensais de R$ 20 mil da associação.

Espremidas no segundo piso de um sobrado na Vila Mariana, cerca de 1.500 obras de Leonilson correm perigo. "Tem uma falta de segurança total, não tem equipamento de incêndio, não tem alarme nem nada", conta Nicinha Dias, irmã do artista, que gerencia o espaço.

"Segundo minha mãe, Deus protege, mas, às vezes, Deus pode cochilar, não é?"

gazetaEstilo-topo

 

TOP TEN

Foto_1___Deputada_Perptua_Almeida_e_Margareth_Menezes50 ANOS DA UDV SÃO CELEBRADOS EM SESSÃO SOLENE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS, EM BRASÍLIA - Ontem, 11, às 10h (hora de Brasília), a Presidência da Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene em homenagem aos 50 anos de criação do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Estiveram presentes no evento os dirigentes daquela sociedade religiosa e sócios, como a cantora Margareth Menezes, que entoou o hino nacional, emocionando a todos. Ao final, a cantora conversou com a deputada federal acreana Perpétua Almeida (PC do B–Acre), propositora da sessão e uma das principais incentivadoras do reconhecimento do uso do chá hoasca em rituais religiosos como Patrimônio Imaterial da Cultura brasileira.

***

UDV TAMBÉM SERÁ HOMENAGEADA, HOJE, NA ALEAC – Hoje, 12, a Assembléia Legislativa do Acre também realizará sessão solene em homenagem ao cinquentenário da UDV. A sessão foi proposta pelo deputado estadual Eduardo Farias (PC do B–Acre).

 



Escrito por Marcelo Roverso às 11h52
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Zé Celso devora Oswald de Andrade na Flip


Oswald de Andrade (1890-1954) não poderia deixar de marcar presença na Flip, evento que o reverencia. Surge para o "grand finale" da festa, muito bem acompanhado de Tarsila do Amaral.

Vivido pelos atores Marcelo Drummond e Letícia Coura, o casal modernista aparece em cena em "Macumba Antropófaga", misto de rito e musical que ocorre em Paraty hoje, às 16h, regido por José Celso Martinez Corrêa. O diretor deve o renascimento de seu teatro a Oswald.

"Oswald é meu maior inspirador. Após 'O Rei da Vela' (1967), eu passei a interpretar tudo a partir de sua visão antropofágica", diz Zé Celso, que o considera como o precursor da independência do Brasil: "Ele é nosso grande descolonizador".

"Macumba Antropófaga" transforma em dramaturgia o "Manifesto Antropofágico", em que Oswald de Andrade lança a antropofagia como movimento cultural.


Lenise Pinheiro/Folhapress
Retrato do diretor de teatro Zé Celso, que marca presença na Flip
Retrato do diretor de teatro Zé Celso, que marca presença na Flip

Para Zé Celso, o feito, criado coletivamente pelos artistas do Teatro Oficina, é do próprio Oswald: "Tudo o que ele escreveu é teatralizável. Ele não faz manifesto como um partido comunista, como um discurso. É outra coisa, é um ser vivo, um poema".

Em cena, Oswald e Tarsila bebem absinto, se despem e se contemplam como duas obras de arte. Também dançam e, como legítimos antropofágicos, se devoram.

Não demora para Oswald se transmutar em "Abaporu" (quadro de Tarsila que em tupi-guarani quer dizer "o homem que come gente") e pintar seu "Manifesto Antropofágico" num livro feito de carne humana, que servirá de alimento ao público.

Outros personagens são incorporados à trama, como o preguiçoso Macunaíma, herói sem caráter de seu amigo Mário de Andrade.

Diluídos no coro, surgem figuras tão díspares quanto Berlusconi, Pagu, uma tribo de índios aimorés, Carlos Gomes e Cristo, acompanhados de Napoleão, Freud, dom Pedro 1º, Rousseau, Montaigne e Buñuel, entre outros.

A intenção de Zé Celso é integrar o público da Flip à encenação. "Vamos nos descobrir, decifrando em nossos corpos a obra desse poeta transmilenar do amor, humor e vertigem: Oswald de Andrade", afirma.

 

Pedro Paulo de Sena Madureira, longe de Paraty


Ou eles não usam gravata-borboleta

RESUMO

Um dos mais proeminentes editores brasileiros entre a década de 1970 e o começo dos anos 2000, Pedro Paulo de Sena Madureira marcou época com um estilo que aliava erudição a tino comercial e extravagância. Caiu em descrédito após a quebra do Banco Santos, de Edemar Cid Ferreira, de quem era parceiro.

JOSÉLIA AGUIAR

TERNO, GRAVATA-BORBOLETA, echarpe, chapéu-panamá no verão e de feltro no inverno. De bengala, nos últimos anos. Nos bolsos, celular, agenda, carteira, isqueiro, dois maços de cigarro e uma piteira dada por Marguerite Duras (1914-1996). O figurino é esse, até para passear pelo bairro paulistano onde mora, Higienópolis.
Faz calor, e Pedro Paulo de Sena Madureira, 63, me recebe de bermuda e camiseta. O espumante catalão chega com pedras de gelo, "como fazem as ricas americanas", diz, rindo. "Ninguém de fora de casa me vê vestido assim. Só estou assim porque você é baiana." Aristocráticos, cosmopolitas, liberais, com tino para o comércio: assim são os Sena Madureira, na descrição do próprio Pedro Paulo. Orgulha-se da mitologia do clã: judeus até o século 14, tornam-se cristãos-novos com a Inquisição. Um ramo parte de Lisboa para o Recôncavo Baiano, onde toma posse de uma sesmaria em 1598.
O mais ilustre é o coronel Sena Madureira, tio-avô que lutou na Guerra do Paraguai (1864-1870) e nomeia cidade no Acre. Mas é a avó Alice, professora de história no Rio, a que parece mais importante: "Ela foi Chanel antes de Chanel", define. A maioria das frases que dizia Alice parece ter saído do editor, e já não se sabe mais o quanto é recriação do próprio:
""Pedro Paulo, somos privilegiados, ela lhe disse certa vez. Despencamos da mais elegante e culta aristocracia para a ala dos desvalidos.
""E onde está o privilégio, vovó?
""Não tivemos de fazer escala na classe média.

HORROR À MEDIANIA Esteta com horror à mediania, Pedro Paulo é um desses poetas do decadentismo, do fim-de-século inglês ou francês. Mas nascido no Rio de 1950.
Na casa da avó Alice, leu na adolescência toda a Bibliothèque de la Pléiade, coleção de clássicos da Gallimard. Desde então, tem o hábito de anotar as leituras numa caderneta ""o número alcança hoje os 150 volumes por ano, mas já foi maior. Aprendeu cedo a falar francês, inglês e espanhol.
Chegou aos 17 anos sem saber o que ia fazer da vida. Pensou que podia ser diplomata e prestou vestibular para direito, em 1967. Passou, mas só frequentaria o curso por três meses.
O episódio que mudou sua vida é narrado com solenidade. Eram 11 da noite de uma quarta-feira. Saiu do cine Paissandu para se sentar com os amigos num bar na esquina da rua Senador Vergueiro, no Flamengo. Na mesa estava um jovem sete anos mais velho: Leonardo Fróes, que chegara da Europa e assumira a direção da Bruguera, editora espanhola que vendia em bancas do subúrbio histórias de amor, suspense ou caubói. Na manhã seguinte, veio o convite para ser assistente de Fróes. Enfim, descobria sua vocação.
Quase dois anos depois, lê numa noite o Evangelho de São João, uma edição francesa da Bíblia de Jerusalém traduzida pelos dominicanos de Paris. "Aquilo me deixou completamente transtornado", diz. Ninguém entendeu: pediu demissão e foi morar com os dominicanos no Rio. Decidiu depois radicalizar a experiência: se juntou aos beneditinos da Bahia. Foram dois anos no claustro.
Depois de sair do mosteiro, outro golpe de talento. Por conta de uma tradução do poeta francês Saint-John Perse (1887-1975), é chamado por Antonio Houaiss para ser seu assistente na preparação da "Grande Enciclopédia Mirador". Aos 20 e poucos, convivia com Otto Maria Carpeaux, Afonso Arinos de Melo Franco, Francisco de Assis Barbosa, Alberto Passos Guimarães, Francisco Casa Nova.
A temporada na clausura não o tornara carola. Naquele começo dos anos 70, ia ter com intelectuais equilibrando-se sobre tamancos holandeses e exibindo o umbigo que saltava da calça batique. O namorado era integrante do grupo performático Dzi Croquettes.

EXTRAVAGANTE A extravagância, mas também a erudição e humor, são as assinaturas lembradas em toda editora em que passou: o extenso currículo tem escalas na Bruguera, na Vozes e na Rocco, entre outras. Numa época em que os fundadores das editoras eram também seus diretores editoriais, foi o primeiro que, não sendo herdeiro, ocupou o posto com projeção ""na Nova Fronteira, de Carlos Lacerda (1914-1977).
Sabido na mesma proporção em que é falante, Pedro Paulo cultivaria mais desafetos não fosse sua fineza. "Pepê é adorável", derrama-se o escritor Fernando Morais, artífice da transferência do editor para São Paulo. Na época, ele era secretário de Cultura do governo Quércia (1987-1991), e Pedro Paulo mudou-se para a cidade para cuidar das edições do governo.
A única vez que brigaram foi quando Pedro Paulo informou a uma coluna social que publicariam "Os Versos Satânicos", de Salman Rushdie. "Ele negou que a notícia tivesse vindo dele. Mas conheço Pedro Paulo; sempre teve trânsito com colunistas", diz Morais. Antes de ficar pronto, o livro teve de ser cancelado, diante da reação da comunidade islâmica.
Fernando Nuno, editor sob comando de Pedro Paulo na Girafa, recorda uma rotina de muitas conversas, que terminavam com vinho e ópera: "Era uma editora em que se ria muito. E se trabalhava pouco. Não sobrava um minuto, com tantas reuniões", recorda. Não à toa, a empresa tinha por mote "pés no chão, cabeça nas nuvens". Logo os sócios majoritários escalariam um interventor.
"Ele domina a arte de editar", define o senador José Sarney (PMDB-AP), que foi seu autor.

EMPADINHA Pedro Paulo criou uma persona folclórica na São Paulo da década de 1990. Seus palpites ajudaram a formatar o nome e o cardápio do Nabuco, badalado bar de que foi sócio. "Como assim não vai ter empadinha? É inadmissível", disse ao sociólogo Carlos Alberto Dória, um de seus parceiros na empreitada. A cozinha preparava um certo "bacalhau Sena Madureira em seu leito de espinafres".
Afora as criações gastronômicas, Pedro Paulo ajudou a estabelecer o departamento editorial da Siciliano, então rede de livrarias, antes de fundar a Girafa.
A grande experiência editorial, no entanto, é aquela que começou na Nova Fronteira em 1976. Ao lado dos filhos de Lacerda, ambicionou transformar a empresa na Gallimard brasileira.
A erudição nunca o afastou de decisões editoriais com apelo de vendas. Thomas Mann figurava ao lado de Agatha Christie no catálogo da Nova Fonteira dos anos 1980, que consagrou também o chamado "best-seller europeu", em títulos como "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar, e "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera.
Com facilidade para detectar potenciais sucessos editoriais, fez nascer obras que ocuparam por meses as listas de mais vendidos: o faro o conduziu a "E por Falar em Amor", de Marina Colasanti, e "Só É Gordo Quem Quer", de João Uchôa Jr. Por indicação de Drummond, lançou Adélia Prado. Descobriu uma autora em Lya Luft.

OUTONO Do período na nova Fronteira, ele diz guardar saudade ""melancolia, não. Há quase cinco anos, Pedro Paulo vive seu outono, depois do escândalo financeiro que se seguiu à falência do Banco Santos, de Edemar Cid Ferreira. A carreira de editor era dividida desde os anos 1990 com a de vice-presidente da Brasil Connects, do ex-banqueiro, que promovia grandes exposições de artes plásticas. O posto na direção fez com que seus bens fossem bloqueados. As editoras não demoraram para lhe virar as costas.
Em casa, abatido e medicado, é cuidado por Carlos Henrique, seu companheiro há três décadas, e pela diarista Silvia. Ocupa-se agora de uma antologia de poemas inéditos, "Tenho Medo", e já faz planos para uma nova editora. "Expliquei a um grande investidor que fazer uma editora custava, em um ano e meio, R$ 2 milhões. Ele me disse: "Só isso? É pouco dinheiro'", relembra. "Eles não conseguem raciocinar nessa escala, só acima de R$ 150 milhões."
Diz que vive de aulas que dá para madames e da ajuda dos "bons amigos fiéis". De casa, sai para passeios curtos, visitas médicas e almoço com os amigos.
Não foi convidado nem vai por conta própria à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), QG do "grand monde" editorial nesta semana. Diz que tem certa preguiça de se deslocar tanto. Altivo, ao comentar o encontro das letras, lembrou o dia em que, sentado num café parisiense, recebeu das mãos de Marguerite Duras a piteira que ainda hoje leva no bolso. "Eventos como a Flip dão a quem os frequenta esta sensação de andar em Paris: você pode encontrar o escritor de que gosta na mesa do lado."
Os quatro cachorros presos na cozinha começam a latir. A música já parou de tocar. Como se a mudança de trilha exigisse uma confidência, Pedro Paulo diz: "Nunca me arrependi de nada na minha vida. Mas me arrependo de ter ido embora da Nova Fronteira. Jamais deveria ter saído. Estava no esplendor. Foi uma imprudência".
Pedro Paulo chora. Carlos Henrique recolhe o espumante. Conversa encerrada.

Ia ter com intelectuais equilibrando-se sobre tamancos holandeses e exibindo o umbigo que saltava da calça batique

Há cinco anos, Pedro Paulo vive seu outono, depois do escândalo financeiro que se seguiu à falência do Banco Santos

Esteta com horror à mediania, ele é um desses poetas do decadentismo, do fim-de-século inglês ou francês, mas carioca



Escrito por Marcelo Roverso às 11h51
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LUIZ FELIPE PONDÉ - Objetos

Pergunto filosoficamente: como achar uma mulher gostosa sem pensar nela como um objeto?



HUMILDEMENTE CONFESSO que, quando penso a sério em mulher, muitas vezes penso nela como objeto (de prazer). Isso é uma das formas mais profundas de amor que um homem pode sentir por uma mulher.

E, no fundo, elas sentem falta disso. Não só na alma como na pele. Na falta dessa forma de amor, elas ressecam como pêssegos velhos. Mofam como casas desabitadas. Falam sozinhas.
Gente bem resolvida entende pouco dessa milenar arte de amor ao sexo frágil.
Sou, como costumo dizer, uma pessoa pouco confiável. Hoje em dia, devemos cultivar maus hábitos por razões de sanidade mental. Tenho algumas desconfianças que traem meus males do espírito.
Desconfio barbaramente de gente que anda de bicicleta para salvar o mundo (friso, para salvar o mundo).

Recentemente, em Copenhague, confirmei minha suspeita: a moçada da bike pode ser tão grossa quanto qualquer motorista mal-educado. Trinta e sete por cento da população de lá usa as "magrelas". E nas ciclovias eles são tão estúpidos, estressados e apressados como qualquer motorista "subdesenvolvido".
Fecham a passagem de carros e ônibus como se, pela simples presença de seus "eus" perfeitos, o mundo devesse parar diante de tanta "pureza verde".

Aliás, um modo seguro de ver que alguém NÃO conhece a Europa é se essa pessoa assume como verdade o senso comum de que os europeus são bem-educados. Muitos deles, inclusive, não sabem o que é uma coisa tão banal como uma fila.

Outra coisa insuportável é quem toma banho com pouca água para salvar o planeta. Esse tipo de gente é gente porca que arranjou uma desculpa politicamente correta para não tomar banho direito. Provavelmente não gosta de banho mesmo.

Mas, falando sério, desconfio de homens que não pensam em mulheres como objeto. Pior, são uns bobos, porque, entre quatro paredes, elas adoram ser nossos objetos e na realidade sofrem, porque a maioria dos caras hoje virou "mulherzinha" de tão frouxos que são.

Imagino o quão brocha fica uma mulher quando o cara diz para ela: "Respeito você profundamente, por isso não vou...".

Pergunto filosoficamente: como achar uma mulher gostosa sem pensar nela como objeto?
A pior forma de solidão a que se pode condenar uma mulher é a solidão de não fazê-la, de vez em quando, de objeto. E esta é uma forma de solidão que se torna cada vez mais comum. E, sinto dizer, provavelmente vai piorar. A não ser que paremos de torturar nossos jovens com papinhos politicamente corretos sobre "igualdade entre os sexos".

Igualdade perante a lei (e olhe lá...). No resto, não há igualdade nenhuma.

A feminista americana Camille Paglia, recentemente, em passagem pelo Brasil, disse que muitas das agruras das mulheres heterossexuais se devem ao fato de elas procurarem "seres iguais a elas" nos homens. Que pensem como elas, sintam como elas, falem como elas.

Entre o desejo "correto" de ter um "eunuco bem-comportado" e um homem que diga "não" à tortura da "igualdade entre os sexos", ficam sozinhas com homens que são "mulherzinhas".

O que é um homem "mulherzinha"? É um homem que tem medo de que as mulheres achem-no machista, quando, na verdade, todo homem (normal) gosta de pensar em mulher como objeto.
Um mundo de "mulherzinhas" acaba jogando muitas mulheres no colo (vazio) de outras mulheres por pura falta de opção. E aí começa esse papinho de que é "superlegal ser lésbica". Afora as verdadeiras, muita gente está nessa por simples desespero afetivo.

Nada contra, cada um é cada um. Só sinto que muitos homens "desistam" delas porque a velha "histeria" feminina da qual falava Freud (grosso modo, a insatisfação eterna da mulher) virou algo do qual não se pode falar, senão você é machista.

Muito desse papinho "progressista" é conversa fiada para esconder fracassos afetivos, a mais velha experiência humana, mas que nos últimos anos virou moda se dizer que a culpa é do capitalismo, da igreja, do patriarcalismo, da família, de Deus, da educação, do diabo a quatro.
E o pior é que quase todo mundo tem medo de dizer a verdade: uma das formas mais profundas de amor à mulher é fazer delas objeto.

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Paris de muitos sonhos
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/07/11


A Paris que primeiro se impôs à minha imaginação não foi, como no filme de Woody Allen, aquela onde viviam Scott Fitzgerald e Gertrude Stein, mas a de André Breton e Antonin Artaud. A época é a mesma - anos 20, diria - porém, na minha cabeça, não era a mesma cidade a de uns e a de outros, mesmo porque Fitzgerald e Gertrude não eram franceses, mas norte-americanos que para lá se mudaram por razões artísticas ou, melhor dizendo, para se sentirem num mundo imaginário, a que também aspirava Gil, o personagem de "Meia-Noite em Paris".

Já Breton, Artaud, Aragon, Péret eram franceses, parisienses mesmo, ainda que nem todos nascidos ali. A verdade é que a Paris em que viviam era bem mais real do que a dos arrivistas - se podemos falar assim -, no bom sentido.

Mas é, no mínimo, contraditório dizer que a Paris mais real era precisamente a dos surrealistas. É contraditório, mas compreensível, porque a cidade em que nos criamos, todos nós, e vivemos tem sempre um peso de realidade maior que o da cidade que conhecemos pelos livros. Os surrealistas desejavam incutir fantasia na Paris real; Fitzgerald, como Gil, queria viver, como sendo real, na Paris que inventou.

Já pesado demais para esses voos, via, nos surrealistas, mais irreverência e humor do que propriamente surrealidade, mais me divertia do que sonhava, ao ler aforismos como este: ´Bate em tua mãe enquanto ela é jovem´. Quando o li, numa revista francesa, na sala de leitura da Biblioteca Nacional, no Rio, fui tomado por um risinho incontido, que provocou olhares atravessados de outros leitores ali presentes. Só que não consegui me conter e, tomado de um frouxo de riso, saí da sala e fui sentar-me na escadaria da biblioteca. Uma senhora, que subia os degraus, olhou-me espantada - enquanto eu ria e repetia mentalmente: "Bate em tua mãe enquanto ela é jovem".

Nem todos os surrealistas, porém, eram engraçados. Antonin Artaud, por exemplo, sofria a contradição entre o corpo e o espírito, enquanto Jacques Vaché escreveu: "Vou me aborrecer de morrer cedo". E acrescentou: "Vocês todos são poetas, já eu optei pela morte". E se matou.

Muito diferente deles era Francis Picabia, que pintou "máquinas inúteis", espécie de complicadas engenhocas que não serviam para nada; uma gozação na tecnologia industrial. É dele, também, esta frase encantadora: "As flores e os bombons me dão dor de dentes".

Os surrealistas me faziam rir, às vezes me deslumbravam com seus versos ou suas pinturas, mas nem por isso desejei ir viver em Paris. Aliás, ganhei uma bolsa de estudos mas preferi me casar e ficar em Ipanema. Antes disso, conhecia pessoalmente o poeta surrealista Benjamin Péret, que se havia casado com a cantora brasileira Elsie Houston, irmã de Mary, mulher de meu amigo Mário Pedrosa. E a coisa ficou mais real ainda quando o prenderam ao chegar ao Rio.

É que havia uma ordem de prisão contra ele, emitida nos anos 30, quando foi acusado de atividades subversivas. Fui visitá-lo na prisão e o entrevistei para a revista Manchete. Mal humorado, fez mixar qualquer ilusão que eu alimentasse pelo sonho surrealista. A obra, em geral, é melhor que o autor.

Por isso mesmo, adorei o filme de Woody Allen, que nos mostra uma Paris de sonho, mais surreal do que aquela em que viviam os surrealistas. Trata-se, na verdade, de um conto de fadas: à meia-noite, após as doze badaladas, surge uma carruagem... Não, neste caso, é um automóvel dos anos 20, que vem ao encontro de Gil, numa viela deserta.

Nele estão Scott Fitzgerald e Zelda, sua mulher, para a surpresa e encantamento do rapaz, que sonhava tornar-se romancista, embora fosse um roteirista de sucesso em Hollywood. Eles o levam ao encontro de Gertrude Stein, Pablo Picasso e Salvador Dalí... como, certamente, um dia o desejou o próprio Woody Allen, em sua primeira visita a Paris.

E, naquela tarde de sábado em Botafogo, fomos também, a Cláudia e eu, levados, na sala escura, a viver uma aventura irreal, num tempo outro e mais real do que o que nos esperava lá fora, finda a sessão de cinema. E, de fato, saímos para a realidade da nossa vida que, no entanto, já não era a mesma de quando entráramos no cinema.

Comunidade do Irineu Serra rejeita projeto de estrada

Escrito por Onides Bonaccorsi Queiroz - onides.queiroz@yahoo.com.br   

 

No último sábado, a comunidade do bairro Irineu Serra se reuniu no Centro de Iluminação Cristã Alto Santo com o Deracre (Departamento de Estradas de Rodagem, Hidrovias e Infraestrutura Aeroportuária do Acre), para discutir e conhecer o projeto de ampliação e pavimentação de uma estrada que, vinda da Avenida Antônio da Rocha Viana, atravessaria o bairro em direção à BR-364, compondo o anel viário da cidade.

O diretor do Deracre, o engenheiro Marcus Alexandre Aguiar, expôs a proposta e, a seguir, integrantes da comunidade se manifestaram. Os moradores, em sua grande maioria, entendem que o espaço, que é uma Área de Proteção Ambiental (APA), sofreria grave impacto com a obra – projetada em grande porte – não apenas em seu ecossistema, mas em sua configuração social e cultural. No local, foi estabelecido, desde a década de 50, por Raimundo Irineu Serra, o Alto Santo, centro originário da doutrina do Daime, e ali se encontram outras quatro casas espirituais da mesma tradição.

Na oportunidade, Marcus Alexandre trouxe um recado do governador Tião Viana: de que respeitaria a decisão dos moradores. Que, na maioria, responderam “não”. Entretanto, solicitaram intervenções na infraestrutura do bairro, como esgoto, pavimentação das vias internas e iluminação.

 

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR - O tiozinho mais bonito da cidade

Chico Buarque precisou de quase 50 anos para, na internet, encontrar seus detratores e desafetos



DEMOROU 67 ANOS, mas Chico Buarque, tiozinho boa-pinta, pegador discreto, "sex symbol" de moças das mais variadas extrações, descobriu: há quem o odeie.

De tão importante e inesperada, a epifania buarquiana foi registrada em um vídeo curto, retrato em branco e preto de 1min27seg, sucesso on-line (tiny.cc/9y7rv).

Chico teve a revelação ao navegar na internet. Em algum texto que se referia a ele, o compositor clicou na área de comentários. Descobriu então que era copiosamente xingado de "velho", que um monte de gente lhe desejava o pior, tinha-o em péssima conta.

Até então, segundo conta às gargalhadas no vídeo, Chico baseava sua popularidade no que sentia e ouvia nas ruas e nos shows. Abraços, saudações, carinho, aplausos. Por décadas a fio.

Massacre popular contra esse artista, a história só registra um, em setembro de 1968. O Maracanãzinho solapou de vaias Chico e o parceiro, Tom Jobim, pela vitória de uma música deles, "Sabiá", no Festival Internacional da Canção (o público preferia "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores", de Geraldo Vandré). Mas foi um protesto isolado.

Durante o regime militar, era fácil gostar de Chico. Ele representava resistência. Não "desbundou" (falava-se assim) em plena repressão, como Caetano Veloso, que queimou o filme entre os mais "politizados". Não caiu no protesto brega e piegas, como Gonzaguinha, de quem os críticos preferiam manter distância.

Mesmo confinado pelos cânones do samba e pela temática quase sempre "de protesto", Chico Buarque nunca perdeu a sofisticação poética.

Foi perseguido pela censura, chegou a se exilar, mas manteve, durante os piores anos de repressão, sucesso de público e de crítica (esta, quase sempre alinhada com o realismo socialista preconizado pelo Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, do qual o compositor também era muito próximo).

Mais recentemente, Chico tornou-se escritor de sucesso. Ano passado, foi alvo de crítica e maledicência no meio literário, por causa de um prêmio supostamente não merecido. Mas nada que envolvesse o grande público.

Ou seja, se considerarmos que a carreira dele começou na primeira metade da década de 1960, Chico Buarque precisou de quase 50 anos para, na internet, encontrar seus detratores.

Agora, vamos ao contraponto: a velocíssima ascensão da Banda Mais Bonita da Cidade. Esse grupo indie de Curitiba, você sabe, é o grande fenômeno musical do Brasil em 2011. Tudo por causa de um clipe estilo MPB-Hare Krishna-Meninos de Deus que gravaram na casa de uma amiga, chamado "Oração" (tiny.cc/pqr5x).

Postado no YouTube no dia 17 de maio, o vídeo foi visto até agora mais de 6 milhões de vezes.
Com menos de 24 horas no ar, provocou uma tormenta devastadora de amor e ódio. De um lado, uma devoção quase religiosa ao grupo, à canção e a sua "mensagem". Do outro, em número bastante considerável, detratores enfurecidos pelo estilo riponga e forçadamente alegre da banda.

Em meio à violência dessas reações tão contraditórias quanto instantâneas, reportagens em jornais, sites, aparições na TV, mais vídeos no YouTube, polêmicas com outros indies, shows, contatos com gravadoras...
E agora? Não sei. Nunca mais ouvi falar da banda. Soube que tocaram há pouco em São Paulo. Espero que ganhem dinheiro de algum jeito.

Mas, ainda que os curitibanos simplesmente desapareçam, uma coisa ninguém tira deles: em menos de dois meses, a Banda Mais Bonita da Cidade teve um contato mais intenso e verdadeiro com o público do que Chico Buarque em meio século de carreira. Por mérito (ou culpa) da web.
Claro que a internet tem seu lado sombrio, definido à perfeição por Carlos Heitor Cony, há alguns anos, aqui mesmo na Folha: "Cloaca de ressentimentos, inveja, calúnias, impotência existencial, fracassos profissionais (...)".

Mas também tem um poder incomparável de "reality check", de suspensão de hipocrisias.
Bem-vindo ao século 21, Chico Buarque. Em caso de dúvida, deixe um comentário, com seus contatos, em qualquer vídeo da Banda Mais Bonita da Cidade no YouTube. Pode até criticar. Eles estão acostumados.

cby2k@uol.com.br


Escrito por Marcelo Roverso às 11h48
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MADRINHA PEREGRINA 74 ANOS!

Tudo novo de novo


O novo Edital da Lei de Incentivo à Cultura da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil foi lançado na manhã de ontem na sede da FGB no Parque Capitão Ciríaco. O Edital está ‘novinho da silva’, e o prazo de recebimento de projetos vai de 12 de julho até 27 de julho, das 8h às 12h e das 14h às 17h.


Neste ano já lançamos um edital, contudo, ele apresentou alguns problemas que comprometeram seu processo. Então, ele foi anulado. Agora, com uma versão recém saída do forno, quentinha igual ao pão francês matinal apresentamos o novo Edital da Lei de Incentivo à Cultura.

Os ingredientes são os mesmos: o recurso disponível é R$ 810 mil para financiar projetos culturais na área de Esporte, Arte e Patrimônio Cultural. Mas, como o recurso destinado à Lei de Incentivo é fruto de renúncia fiscal, e o prazo de utilização é até o fim do ano, o processo será ágil, para não perdermos o acesso ao recurso. Ao todo serão 15 dias para entrega dos projetos, e 20 dias para o julgamento da Comissão de Avaliação.

É muito importante para os proponentes atentarem para os novos anexos deste Edital. Quem entregar projetos precisa utilizar os novos anexos, que assim como o próprio edital reformulado, também estão disponíveis para baixar neste blog(http://culturarb.blogspot.com/) e no site www.riobranco.ac.gov.br. Os proponentes que entregaram projetos no certame que foi anulado não poderão utilizar dos anexos anteriores. Será preciso baixar e preencher novamente com os modelos atuais. Não vamos nos enrolar nessa parte, certo?

O edital já proporcionou a execução de 473 projetos de 2005 a 2010, com um total de recurso de mais de três milhões e meio de reais. Tudo é fruto de um trabalho conjunto da Instituição e sociedade civil. “Aqui o trabalho é maravilhoso. Sem falar do apoio que recebemos daqui da Fundação, como que você tem que fazer, como que tem que ser feito o projeto. Porque a gente não decide nada só”, disse a conselheira de Audiovisual do CMPC, Elaine Cristina Rodrigues.

O novo Edital da Lei de Incentivo à Cultura já está a todo vapor trilhando novamente o caminho da consolidação das políticas culturais para os cidadãos rio-branquenses. Portanto, acessem o link ao lado baixem o Edital e os anexos, e entreguem seus projetos na FGB no setor de Gerência da Informação e Comunicação.

Para conhecimento de todos, envio postagem do blog da CT contendo os vídeos da Sessão Solene da Câmara dos Deputados em homenagem aos 50 anos da UDV:

http://camaratematicaayahuasca.blogspot.com/2011/07/sessao-solene-da-camara-dos-deputados.html

 

Aproveito para enviar, também, matería sobre o Encontro Ayahuasca e o Tratamento da Dependência:

http://barquinhachica.blogspot.com/2011/07/encontro-ayahuasca-e-o-tratamento-da.html

 

Abraços para todos.

CONFERENCIA ESTADUAL DA DIVERSIDADE RELIGIOSA-RIO BRANCO-ACRE-14 a 20 de NOVEMBRO 2011

 

Parlamentares homenageiam União do Vegetal em sessão solene
A pedido do deputado Eduardo Farias (PC do B), a Aleac homenageou ontem, com uma sessão solene, o cinquentenário da União do Vegetal, uma instituição religiosa originária da região Amazônica.

Criada no dia 22 de julho de 1961 por José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, a União do Vegetal começou a se desenvolver a partir do contato de seu criador com o chá Hoasca na fronteira do Brasil com a Bolívia no final da década de 50. A Instituição inicialmente se estabeleceu em Porto Velho e de lá se espalhou pelo Brasil alcançando até mesmo o exterior.

A União do Vegetal está presente no Brasil inteiro e em países como os Estados Unidos e a Espanha num número que já ultrapassa as 160 unidades e mais de 30 mil adeptos. Apesar de assim como as outras religiões baseadas na Ayhuasca ter sofrido preconceitos, hoje é reconhecida como religião.

Para Eduardo Farias, a União do Vegetal é uma religião universal com a cara do Acre. “Eu, portanto, faço aqui deste momento nada mais do que meu dever de trazer à luz da sociedade o debate deste momento importante. Mas, temos o desafio ainda de divulgar mais para a sociedade compreender melhor esta religião que é própria cara do Acre, mas também tem uma coisa de universalidade e por isso está em outros países e outros estados”.

Esse argumento também foi defendido pelo historiador Marcus Vinícius que presente a sessão fez questão de ressaltar
 

RUY CASTRO - Humor de Billy

RIO DE JANEIRO - Quando Dick Farney e Lucio Alves gravaram "Teresa da Praia", de Billy Blanco e Tom Jobim, em 1954, a letra encantava de saída: [Lucio] "Ô Dick, arranjei novo amor no Leblon/ Que corpo bonito, que pele morena/ Que amor de pequena, amar é tão bom..."/ [Dick] "Ô Lucio, ela tem o nariz levantado?/ Os olhos verdinhos, bastante puxados? Cabelo castanho e uma pinta do lado?".
Segue o samba e os rapazes descobrem que a moça que conheceram no Leblon e pela qual se apaixonaram ("É a minha Teresa da praia!") deu, digamos, amor a ambos, um de cada vez. [Dick] "O verão passou todo comigo!"/ [Lucio] "É, mas no inverno se esquentou com quem?" E resolvem "a Teresa na praia deixar/ aos beijos do sol/ e abraços do mar", porque "Teresa é da praia, não é de ninguém".
Teresa podia ser da praia, sem problema -menos da praia do Leblon. Em 1954, o Leblon era um bairro solidamente residencial, mas, quem não fosse seu morador, não tinha por quê visitá-lo, exceto para fins imorais. No fim da praia, ficava o Hotel Leblon, o primeiro "motel" do Brasil, e, à noite, a areia deserta e sem luz era um convite a nheco-nhecos à milanesa, principalmente entre jovens. Donde "ser visto" no Leblon costumava implicar alguma bandalheira.
Billy Blanco morreu na sexta-feira. "Teresa da Praia" foi o começo de sua breve, mas fecunda parceria com Jobim, que renderia ainda a bela "Esperança Perdida" ("Eu pra você fui mais um...") e os dez sambas da "Sinfonia do Rio de Janeiro". E, já sem Tom, a paródia que Billy viu-se obrigado a fazer de "Teresa da Praia", ao constatar que a garota havia mudado:
"Ela usa o nariz só de um lado/ Tem o olho vermelho/ Bastante injetado/ Cabelo na venta/ E sapato 40/ Essa é a tua Teresa da praia/ No Leblon, não engana ninguém/ O meu caso é um rabo de saia/ Vai com calma, que é o dela também".

 


Biografia resgata a vida de Lilian Lemmertz

Cleodon Coelho lança biografia da atriz cuja morte completa 25 anos neste domingo


Ocorrida em meio à Copa do Mundo de 1986, a morte da atriz Lilian Lemmertz, vítima de um enfarte, não alcançou na época a repercussão que uma estrela do seu porte mereceria, na opinião do biógrafo Cleodon Coelho. "A euforia da Copa, sabe como é... Acho que a morte dela ficou meio ofuscada por toda a festa que toma conta do País", observa ele, que lança hoje, no Museu da Imagem e do Som (MIS) Lilian Lemmertz - Sem Rede de Proteção, da Coleção Aplauso (Imprensa Oficial, 292 págs., R$ 30).

Reprodução
Reprodução
Livro inclui fotos de arquivo pessoal da atriz

O lançamento em São Paulo ocorre às vésperas de a morte da atriz completar 25 anos, no domingo. Como foi no Rio e em Porto Alegre, terra natal da biografada, Cleodon terá Júlia Lemmertz, filha de Lilian, ao seu lado na sessão de autógrafos. "Ela foi fundamental para a pesquisa, fornecendo material e me indicando possíveis entrevistados", detalha o autor, que levou três anos para reconstruir a vida da atriz.

Com sólida carreira no teatro e no cinema, Lilian alcançou status de estrela nacional por sua interpretação precisa da Helena da novela Baila Comigo, da Globo, em 1981. A maneira com que ela deu vida à mulher atormentada por ter separado os filhos gêmeos acabou moldando a série de protagonistas de nome Helena que o autor Manoel Carlos criaria ao longo de outras sete novelas. "A segunda Helena, de Felicidade (vivida por Maitê Proença) só viria em 1991, portanto a Lilian nunca soube que tinha iniciado uma dinastia de protagonistas", anota Cleodon. "Mas o trabalho dela com certeza influenciou todas as Helenas que a seguiram." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

O Portal Tela Brasil, criado pelos cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, realiza o Concurso Faça Seu Curta.

Podem concorrer projetos de roteiros de curta-metragem, que devem abordar o tema: “Ideias para sustentar o mundo”. Serão aceitos roteiros de ficção, inéditos e originais, com duração máxima de dez minutos. O(a) autor(a) do melhor projeto receberá como prêmio R$20 mil para produção do projeto.

Para participar, é necessário ser maior de 18 anos, de nacionalidade brasileira e residente em território nacional. Interessados devem registrar o roteiro na Fundação da Biblioteca Nacional junto com o projeto técnico. Todas as informações e procedimentos estão explicados em um tutorial do Portal com passo a passo do processo de inscrição.

A comissão julgadora, que conta com o crítico e cineasta Ricardo Calil, avaliará as obras com base em três pontos principais: criatividade e diálogo com o tema proposto; coerência do roteiro e da proposta de direção em relação ao conceito do curta-metragem; e viabilidade de realização da obra de acordo com as possibilidades do concurso.

No início de agosto, será divulgado o resultado no Portal Tela Brasil e o(a) vencedor(a) terá sete semana e o prêmio para produzir o curta.

As inscrições vão até o dia 17 de julho.



Escrito por Marcelo Roverso às 10h40
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13 de julho

Eu tô doidin por uma viola
Mãe e pai, de doze cordas e quatro cristais
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, esse meu blues de Minas Gerais
E o meu cateretê lá do Alabama
Mesmo que eu toque uma vezinha só
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Refrão

Eu tô doidin por um pianin
Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor
Depois formar a minha eletrobanda
Que vai deixar as outras no roncó
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Que hoje ainda é dia de rock
Que hoje ainda é dia de rock
Eu descobri olhando o milho verde
(eu descobri ouvindo a mula preta)
Mãe e pai que hoje ainda é dia de rock



Escrito por Marcelo Roverso às 19h53
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Marquinho Brasil

 

Marquinho Brasil

marquinhos_brasil_2.jpgCom um trabalho que traz uma estética musical bem marcante, o cancioneiro Marquinho Brasil, acreano de Rio Branco, faz show no Casarão no próximo dia 16, sábado, a partir das 22 horas. O evento tem o apoio do governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour. Uma das características do seu trabalho é seu violão de aço, instrumento afinado e inseparável que ele utiliza com um estilo pessoal. Do blues ao baião, além de várias influências de outras regiões, Marquinho receberá como convidados Clenilson Batista e os Lendários Nativos, com João Veras (flauta/percussão e vocal), Koka-Kola (percussão/vocal), Clevisson Batista (baixo/vocal), Écio Rogério (violão) e Marcelo Roverso (violão, gaita e vocal).

Quando: Dia 16 de julho, às 22 horas
Quanto: Inteira R$5 - Promocional R$2
Onde: Casarão (Av. Brasil, Centro), Rio Branco 

FGB lança novo edital da Lei de Incentivo à Cultura

Primeiros projetos aprovados no certame devem ser diplomados no mês de setembro

A prefeitura de Rio Branco, através da Fundação Garibaldi Brasil, relançou nesta ontem o Edital 2011 da Lei de Incentivo à Cultura, cuja anulação, anunciada semana passada, foi decidida durante reunião do 2º Fórum Setorial Integrado do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) e do Conselho Municipal de Esporte e Lazer (Comel).

O primeiro edital, construído no 1º CMPC e lançado em março último, continha erros em seus texto, os quais foram discutidos com a classe artística, cultural e desportiva de Rio Branco. O debate ocorreu com tranqüilidade e, até mesmo entre os proponentes de projetos aprovados no edital cancelado presentes no Fórum, houve manifestação de apoio à decisão da FGB, mostrando ética e vontade de acertar junto com a instituição.

Constatou-se, no edital anterior, falta de prazo para recursos, indefinição de uma instância de recursos, a falta de sanções para infrações como a não apresentação de documentação nos períodos indicados, a não exigência de comprovação de currículo, entre outros. A anulação se deu também a partir de orientação da Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Rio Branco. A Projuri fundamentou-se no Princípio da Autotutela Administrativa, disposto na Súmula 473, do Supremo Tribunal Federal, que diz que  “a administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogá-los, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.

Eurilinda lembrou que todos os inscritos no Cadastro Cultural do Município de Rio Branco (CCM) podem participar do novo, cujos prazos estão menores que o anterior. “Em setembro queremos diplomar os primeiros projetos aprovados”, prevê a presdiente da FGB.   

Em virtude dos prazos para os repasses financeiros, originados de renúncia fiscal, todo o processo deste edital será mais ágil, de acordo com o que está pactuado com os conselheiros.

Qualquer informação sobre os Editais da Lei de Incentivo e do Fundo Municipal de Cultura pode ser obtida na sede da FGB, no Setor de Mecanismos de Financiamento. Também é possível obter informações pelos telefones 3224-0269 e 3223-5202, além do blog www.culturarb.blogspot.com.


Comunidade do Irineu Serra rejeita projeto de estrada

No último sábado, a comunidade do bairro Irineu Serra se reuniu no Centro de Iluminação Cristã Alto Santo com o Deracre (Departamento de Estradas de Rodagem, Hidrovias e Infraestrutura Aeroportuária do Acre), para discutir e conhecer o projeto de ampliação e pavimentação de uma estrada que, vinda da Avenida Antônio da Rocha Viana, atravessaria o bairro em direção à BR-364, compondo o anel viário da cidade.

O diretor do Deracre, o engenheiro Marcus Alexandre Aguiar, expôs a proposta e, a seguir, integrantes da comunidade se manifestaram. Os moradores, em sua grande maioria, entendem que o espaço, que é uma Área de Proteção Ambiental (APA), sofreria grave impacto com a obra – projetada em grande porte – não apenas em seu ecossistema, mas em sua configuração social e cultural. No local, foi estabelecido, desde a década de 50, por Raimundo Irineu Serra, o Alto Santo, centro originário da doutrina do Daime, e ali se encontram outras quatro casas espirituais da mesma tradição.

Na oportunidade, Marcus Alexandre trouxe um recado do governador Tião Viana: de que respeitaria a decisão dos moradores. Que, na maioria, responderam “não”. Entretanto, solicitaram intervenções na infraestrutura do bairro, como esgoto, pavimentação das vias internas e iluminação.

 





Escrito por Marcelo Roverso às 19h28
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Fotogramas

fotogramas.jpgO Sesc apresenta a exposição Fotogramas, de Antonio Quaresma. Os fotogramas são, numa definição genérica, imagens realizadas sem a utilização da câmera fotográfica, por contato direto de um objeto ou material com uma superfície fotossensível exposta à uma fonte de luz. Esta técnica, que nasceu junto com a fotografia e serviu de modelo a muitas discussões sobre a ontologia da imagem fotográfica, foi profundamente transformada pelos artistas da vanguarda, nas primeiras décadas do século XX. Representou mesmo, ao lado das colagens, fotomontagens e outros procedimentos técnicos, a incorporação definitiva da fotografia à arte moderna e seu distanciamento da representação figurativa.

Quando: De 8 a 24 de julho, de 8 às 18 horas
Quanto: Entrada franca
Onde: Sesc Centro (Av. Brasil, 713), Rio Branco

 

 

 

 

Projetos de estímulo ao circo e à cultura indígena serão os maiores beneficiados pelo investimento de R$ 14,5 milhões que o MinC (Ministério da Cultura) anunciou nesta terça (05).

A verba, fruto de parceria com a Petrobras, será dividida entre dez projetos, com os maiores valores para o Prêmio Culturas Indígenas (que, em sua quarta edição, receberá R$ 2,4 milhões) e o Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo (R$ 2 milhões, mais valor idêntico financiado pela Funarte). Ambos estão entre os seis projetos que terão editais públicos (disponíveis em cultura.gov.br).

"Os circos, como as bibliotecas, são as atividades de maior capilaridade no território", disse Vitor Ortiz, secretário-executivo do MinC. Os demais são o Etnodoc (R$ 1,5 milhão para 15 projetos de documentários etnográficos), o Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras (R$ 1,5 milhão para 20 projetos), o Conexão Artes Visuais (R$ 1,5 milhão, mais R$ 2 milhões da Funarte) e o Edital Brasil Criativo.

Este último, feito para marcar a criação da Secretaria de Economia Criativa do MinC, é um prêmio a micro-empreendimentos, que distribuirá R$ 1 milhão às cem melhores iniciativas na área. Entre os chamados "projetos estruturantes", o maior valor (R$ 2 milhões) vai para a recuperação emergencial do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio.

Fonte: Folha de S.Paulo

Gabriel Bittencourt deixa a vida política

Ex-vereador se afasta de cargos do PC do B e afirma que vai continuar lutando em movimentos sociais e ONGs


Agência BOM DIA

O ex-vereador Gabriel Bitencourt (PC do B) vai deixar a vida política. A convite do BOM DIA ele esteve na redação para falar sobre os motivos da sua decisão.

“Estou saindo pela porta que entrei”, disse Gabriel. Ele afirma que vai se dedicar aos movimentos sociais e ONGs (Organizações Não-Governamentais). “Foi desta maneira que entrei na política.”

Gabriel afirma que a ideia de deixar a vida política começou após a sua não eleição para deputado estadual no ano passado. “Minha vida política comprometeu minha vida familiar. Para ser um bom representante da população exige um sacrifício”, comentou ele.

Desde outubro do ano passado, o ex-vereador não mora mais em Sorocaba. “Estou com uma pequena propriedade em Mairinque. Já pedi meu afastamento da presidência do PC do B em Sorocaba e também da coordenação da Comissão Estadual de Meio Ambiente do PC do B. Estou me dedicando a dar consultoria ambiental, aulas e também palestras sobre o assunto”.


Definitivo
O BOM DIA questionou a Gabriel Bitencourt sesua saída da vida política não poderia ser uma “jogada”. “Quero deixar claro que isso é definitivo. Não vou mudar de posição”.

Ele afirma que vai ajudar apenas os integrantes do PC do B em Sorocaba. “Com a experiência que tenho, vou continuar a dar minha contribuição”, explicou Gabriel.


Lei
Entre as leis que foram apresentadas e aprovadas por ele na Câmara de Sorocaba, Gabriel destaca uma. “A que proíbe a utilização de animais selvagens em circos que venham a ser apresentar na cidade”, avalia.

Outra que é lembrada é sobre os direitos básicos dos portadores do HIV, aprovada em 1996. “Foi numa época que havia muita discriminação aos portadores”.


Lei da transparência na Câmara
Gabriel também é autor da lei que determina o envio de licitações e contratos firmados da prefeitura para Câmara de Sorocaba


25
anos o ex-vereador ficou filiado ao PT. Em 2007 se filiou ao PC do B


Diretor de Meio Ambiente
Ele ocupou em 2005 o cargo na Prefeitura de Porto Feliz


CRONOLOGIA
1992
É eleito vereador pela primeira vez.

1996
É reeleito para mais um mandato na Câmara com 1.550 votos.

2000
Vereador mais votado de Sorocaba, com 4.666 votos naquela eleição.

2004
Disputa a eleição para prefeito de Sorocaba e fica em terceiro, com 64.153 votos.

2006
Tenta pela primeira a vaga para deputado estadual e não é eleito: 31.923 votos.

2008
Tem 4.113 votos. É o 10º vereador, mas não é eleito em razão do quociente eleitoral.

 

2010
Pela segunda vez é candidato a deputado estadual e não é eleito. Recebe 18.621 votos.

Acre será sede de um dos maiores eventos científicos da América Latina

Proposta foi apresentada em Goiânia, com aval dos conselheiros da SBPC. Reunião anual vai acontecer no Estado em 2014

O esforço conjunto do governo do Acre e da Universidade Federal da Acre (Ufac) garantiu a escolha do Estado para sediar um dos maiores eventos científicos da América Latina - a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O projeto apresentado pelo deputado Sibá Machado, vice-reitor da Ufac, Pascoal Muniz, e pelo secretário de Educação, Daniel Zen, durante o encontro do Conselho Diretor da SBPC foi acolhido pelos conselheiros no sábado, 9, em Goiânia (GO). Assim o Acre vai sediar a reunião em 2014.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realiza anualmente diversos eventos, de caráter nacional e regional, com o objetivo de debater políticas públicas de ciência e tecnologia, além de difundir os avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento. Para este ano o tema escolhido para fazer parte do debate foi “Cerrado: Água, Alimentos e Energia”. O Acre irá  propor para 2014 o tema “O Desafio da Economia Verde”, uma forma de fomentar o debate sobre o projeto de desenvolvimento sustentável em curso no Estado.

De acordo com o secretário de Educação e Esporte, Daniel Zen, a apresentação aos conselheiros mostrou a determinação da universidade e do governo do Estado de promover as condições para que o encontro aconteça do Acre. Tradicionalmente as reuniões contam com a participação de 10 a 20 mil pessoas, entre cientistas, pesquisadores e estudantes.

“Os resultados de um evento grandioso como essa reunião são muito positivos. O governo do Estado está disposto a assegurar as condições para a realização do evento, além de potencializar os instrumentos necessários na área de infraestrutura.”

Zen lembrou ainda que o grande fluxo de pessoas durante a semana da reunião da SBPC aquece vários setores, como o turismo, cultura, rede hoteleira, restaurantes, transportes. E também geram oportunidades para o fortalecimento da rede de ensino superior no Acre, com aumento da oferta de vagas, novos cursos de graduação e pós-graduação.

A participação do deputado federal Sibá Machado na apresentação da proposta acreana foi selada durante encontro com governador Tião Viana. Na oportunidade, Machado defendeu que sediar o encontro anual da SBPC colocaria o Acre na rota da ciência brasileira. “Teremos que nos preparar para atendermos a enorme demanda de serviços gerados a partir do encontro. O governo do Estado está disposto a investir, apoiando a ampliação da rede hoteleira, qualificando pessoas para atuarem em toda a dinâmica do evento, articulando alterações na rota de voos para o Acre, entre outros”, declarou o parlamentar.

MEU FILHO

Mr. Giba é um grande nome do rap e liberou um ótimo clipe para seus fãs nome do clipe Capital do RAP.
MRGIBASAMPAMRGIBASAMPA

http://barulhocultural.com.br/ritmo-e-poesia/



númeras pessoas tendem a associar o estilo RAP com músicas com letras povoadas de palavrões em que a situação dos que moram nas periferias é retratada. Quase sempre letras duras contra a polícia, a classe média e políticos. Mas RAP é uma sigla em inglês que em português quer dizer Ritmo e Poesia. O sorocabano MR Giba entendeu o recado da sigla e faz uma música em que o romantismo e o ritmo são os pontos fortes.

Ele concorda que letras “pesadas” tem mais espaço no universo do RAP, mas aposta em seu trabalho. “Aposto sim.  Não da pra contar vantagem, pois um som ”mais pesado”  é sempre o que mais tende a estourar. Mas eu sempre aposto no que faço. A fé e motivação sempre estão comigo”, diz Giba.

Não é a toa que o primeiro trabalho do cantor terá o título “Estrada do Amor”. No entanto, o rapper  já gravou o primeiro videoclipe do cd, a música escolhida foi Capital do Rap que foi gravado pelas ruas de São Paulo, com o cineasta Vras 77. Giba conta que gravou a primeira música em 2009 e que desde janeiro de 2010, quando começou a fazer shows em sua cidade, decidiu dedicar-se a sua música e seu trabalho.

“É um trabalho que venho fazendo com muito cuidado, nos mínimos detalhes, e principalmente fazendo com o coração, pois dinheiro é conseqüência. Resolvi chama-lo ‘estrada do amor’ por que no momento nesse mundo que vivemos a treta, o ódio, a ganância e principalmente a inveja e isso tem atrapalhado muitos manos e alcançarem sonhos e a terem uma vida digna e merecida”, diz.

Apenas cinco dias após o videoclipe ter sido lançado na internet, o número de acessos já chegava aos 800, fato que deixa MR Giba esperançoso e otimista. “Estou muito contente, pois quem é Rapper sabe como é difícil para produzir um som, fazer um clipe. O bom número de acessos, principalmente nesse momento que ainda estou construindo meu nome na música. É motivo de muita satisfação. Espero que o público do portal curta e  com certeza depois abrirá novas portas pro meu som”, alegra-se.

Enquanto o cd não é finalizado MR Giba promete continuar na luta. “Com o lançamento do clipe espero tocar em muitos lugares conseguir levar meu nome ao publico. Quero fazer que cada um saiba onde quero chegar e o que quero passar pelos meus versos” finaliza.

por Marcos Agostinho

Categoria: Hip Hop,



Escrito por Marcelo Roverso às 19h14
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Rio Branco sediará Reunião Anual da SBPC

Rio Branco sediará Reunião Anual da SBPC


Evento será realizado em 2014 e é resultado das articulações do deputado Sibá Machado

O Brasil ganhou a Copa e o Acre ganhou a sede do 66° encontro nacional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para o ano de 2014, além de sediar também a 38° Reunião Regional da renomada instituição científica. O gol da vitória foi marcado neste sábado, 9, em Goiânia (GO), durante a reunião do Conselho Diretor da SBPC.

Resultado das articulações do deputado Sibá Machado junto ao governo do Acre e à SBPC, a candidatura da cidade de Rio Branco teve sua defesa realizada pelo Vice Reitor da Ufac, professor-doutor Pascoal Muniz, o secretário de Educação, Daniel Zen, e o deputado Sibá Machado, que, munidos antes de mais nada de muita empolgação, fizeram uma brilhante exposição de motivos, apresentando o Acre aos quase trinta conselheiros daquela instituição. Usando como recurso audiovisual um belo vídeo institucional do Estado, a capital acreana despertou interesse e entusiasmo nos cientistas, professores e pesquisadores integrantes do conselho, que garantiram não só a realização da reunião anual em 2014 como também a sede da reunião regional em 2013. A última capital da Amazônia a sediar o encontro foi Manaus, em 2009.

O tema central do encontro a ser proposto à organização do evento para 2014 será “O Desafio da Economia Verde”, numa alusão ao projeto de desenvolvimento implementado no Acre nos últimos 12 anos,  traduzidos  no conceito de “florestania” e que prima pelo desenvolvimento a partir do uso sustentável da floresta .

Também apresentado de forma bastante enfática, o novo momento econômico e social vivido pelo Acre proporcionado por uma série de investimentos do governo estadual (implantação da ZPE, construção da  Estrada Transoceânica, entre outros) acrescidos  ao apelo de termos uma Universidade reconhecida internacionalmente pela biodiversidade foram fatores fundamentais para que o Conselho Diretor da SBPC se convencesse de que o Acre definitivamente pode fazer parte também do roteiro da Ciência no Brasil.

Para o vice-reitor da Ufac, Pascoal Muniz, “a Ufac ganhou, o Acre ganhou, o Brasil ganhou, pois a SBPC é uma instituição a serviço do progresso da Ciência e do Brasil, e  possibilitarmos ao Acre a chance de sediar tal evento é um sinal claro da descentralização da pesquisa, é colocarmos a Amazônia novamente no centro do debate científico. A Ufac certamente se esforçará para apresentar grandes trabalhos científicos”.

O secretário de Educação, Daniel Zen, representante do governo do Estado na defesa da candidatura de Rio Branco, ressaltou durante sua apresentação os avanços significativos da educação no Acre na última década, sobretudo a integração entre educação básica, superior e tecnológica; pontuou também a importância do encontro para todos os setores da economia do Estado. “O governo do Acre coloca à disposição todos os instrumentos necessários para a potencialização da infraestrutura no Estado para receber esse grande evento”, disse.

 

 

GRAZIELLA MORETTO
15 de março de 1972 *Santos, SP

Foto: cena de "Viva Voz" (2004),
de Paulo Morelli

Revelação no humor dos anos 2000, Graziella Moretto é atriz e comediante de talento na televisão, no teatro e no cinema. Neste último, começou como atração em filmes da O2 produções.

Graziella Morreto começou a carreira no teatro, incentivada pelo pai, ator amador – faz cursos de teatro nos anos 1990 na ECA e na EAD, além do Actor´s Center, em Nova York, onde ficou mais de três anos. Nos palcos, atua, com sucesso, no “Terça Insana”, e em peças como “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, de Monique Gardenberg. No início de sua trajetória artística fez muitos comerciais, sobretudo na O2 Produções de Fernando Meirelles, o que lhe valeu o convite para o teste em “Domésticas – O Filme”, dirigido por Meirelles e Nando Olival em 2001 – antes, fez uma participação em “Supercolosso – O Filme” (1995), de Luiz Ferré. Adaptado da peça de Renata Mello, “Domésticas – O Filme” projetou seu nome com revelação no humor. Na TV, estreou na minissérie “Aquarela do Brasil” (2000) de Lauro César Muniz, seguido de trabalhos em novelas como “Da Cor do Pecado” (2004), de João Emanuel Carneiro, e no seriado “Os Normais” (2002). A atriz participou do seriado “Ilha-Rá-Tim-Bum” (2002), como Hipácia, personagem que também interpretou no longa “O Martelo de Volcano” (2003), de Eliana Fonseca.

Em seus primeiros filmes, a atriz marcou presença nos filmes da O2, o mega-sucesso “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, e “Viva Voz”, de Paulo Morelli são os outros trabalhos da produtora. Em 2007, dá seqüência às atuações no cinema marcando presença em dois filmes aplaudidos pela crítica: “Não Por Acaso”, estréia de Philippe Barcinski em longas; e em “O Signo da Cidade”, de Carlos Alberto Ricelli.

- “Supercolosso – O Filme” (1995), de Luiz Ferre;
- “Domésticas – O Filme” (2001), de Fernando Meirelles e Nando Olival;
- “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles;
- “O Martelo de Volcano” (2003), de Eliana Fonseca;
- “Viva Voz” (2004), de Paulo Morelli;
- “Não Por Acaso” (2007), de Philippe Barcinski;
- “O Signo da Cidade” (2007), de Carlos Alberto Ricelli.

 

Graziella Moretto

Selton Mello responde ao "Manifesto contra a Nudez", de Pedro Cardoso

Da Redação
O ator e diretor Selton Mello respondeu por escrito ao protesto de Pedro Cardoso contra a ditadura da nudez no cinema e na televisão, feito antes da sessão do filme "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais", de Domingos de Oliveira, no Festival do Rio. Mello escreveu um texto com dois pontos e o publicou no site de seu primeiro filme como diretor, "Feliz Natal", que está na 32ª Mostra de São Paulo.

Divulgação
A atriz Graziella Moretto, suposta namorada de Pedro Cardoso, em cena do filme "Feliz Natal"
Divulgação
O diretor Selton Mello explica cena para a atiz Darlene Glória
NUDEZ PODE SER JUSTIFICADA?
No manifesto, Cardoso afirmou que "cineastas de primeiros filmes" promovem "sessões privês" para exibir a nudez de atrizes para amigos. As insinuações do ator apontam para Mello, que dirigiu Graziella Moretto em suas primeiras cenas de nudez no cinema no filme "Feliz Natal".

Embora não assuma publicamente, Cardoso estaria namorando Graziella e ficou enfurecido com a notícia de que, nas folgas das filmagens, Mello convidava a equipe para assistir, em sua casa, a versões prévias do filme, que ele mesmo editava.

A seguir, a íntegra do texto de Mello, publicado no site do filme que dirigiu e que será exibido no sábado (18) na 32ª Mostra de São Paulo:

"Tomando como ponto de partida o manifesto do ator Pedro Cardoso e o fato de a imprensa envolver meu nome e trabalho neste episódio, sinto-me no dever de me posicionar, fazendo uma reflexão em dois movimentos:

1- O filme Feliz Natal, dirigido por mim, foi concebido e realizado em um ambiente de harmonia, com todos os envolvidos - elenco e técnica - trabalhando com respeito mútuo e delicadeza. Delicadeza é o sentimento que reinou antes, durante e mesmo depois das filmagens, com manifestações carinhosas trocadas entre toda a equipe e elenco, felizes por termos exercido nosso ofício de forma tão inspirada e apaixonada. Portanto, estou seguro e muito contente por ter realizado um filme simples e delicado, conduzido com o respeito habitual que sempre tive com qualquer pessoa que tenha cruzado meu caminho, e assim foi durante toda minha vida como homem e artista. E escrevo isto em nome de toda uma equipe que sempre falou a mesma língua e pode atestar minhas afirmações.

2- Quanto a emitir uma opinião sobre o manifesto, penso que se uma cena de nudez estiver inserida em um contexto legítimo, como expressão genuinamente artística, sem traço algum de banalização, me parece algo bastante natural e belo. Há centenas de exemplos disto na história do cinema e da arte."

Selton Mello










Valéria



Graziella Moretto e Dan Stulbach em cena do filme "Viva Voz", de Paulo Morelli



 

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São coisas dessa vida tão cigana
Caminhos como as linhas dessa mão
Vontade de chegar
E olha eu chegando!
E vem essa cigarra no meu peito
Já querendo ir cantar noutro lugar.

Diga lá, meu coração
Da alegria de rever essa menina,
E abraçá-la,
E beijá-la.

Diga lá, meu coração
Conte as estórias das pessoas,
Nas estradas dessa vida.
Chore esta saudade estrangulada
Fale, sem você não há mais nada
Olhe bem nos olhos da morena e veja lá no fundo
A luz daquela primavera.

Durma qual criança no seu colo
Sinta o cheiro forte do teu solo
Passe a mão nos seus cabelos negros
Diga um verso bem bonito e de novo vá embora

Diga lá, meu coração
Que ela está dentro em peito e bem guardada
E que é preciso
Mais que nunca
Prosseguir,
Prosseguir.

Espere por mim, morena
Espere que eu chego já
O amor por você...

Diga lá, meu coração
Que ela está dentro em peito e bem guardada
E que é preciso
Mais que nunca
Prosseguir,
Prosseguir.

Espere por mim, morena
Espere que eu chego já
O amor por você, morena..




Escrito por Marcelo Roverso às 19h11
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Alessandra Negrini

 

Em Busca do Tempo Perdido

Por André Rodrigues


Aos 40 anos, Alessandra Negrini reflete sobre a passagem dos anos, celebra a nudez, revela angústias e diz que um sorriso na cara é necessário para combater a eterna fama de mulher difíci


É domingo à noite, e Alessandra Negrini está 20 minutos atrasada. Nosso encontro se dará em um restaurante da moda nos Jardins - há velas acesas em todas as mesas, fazendo com que o ambiente adquira um ar romântico. Sinto o efeito oposto: as sombras na parede e o pesado candelabro no teto indicam mais que estou em uma masmorra, próximo de encarar a forca. Reportagens em outras revistas e depoimentos de colegas jornalistas me levaram a acreditar que em breve estaria diante de Alessandra, a Terrível. Como na história da esfinge, se não decifrasse seu enigma, com certeza seria devorado.

A fama de difícil e inquisidora alimentou um mito em torno dessa atriz de 40 anos, paulistana, criada em Santos. A boataria sobre o lado entojado de Alessandra chegou ao pico há quatro anos, quando protagonizou uma novela das 8 da Rede Globo e pegou logo as duas personagens principais - a gêmea boa (Paula) e a gêmea má (Taís) em Paraíso Tropical, de 2007. Desde então, fez participações em séries, alguns filmes e peças. Como esse tempo longe do centro das atenções teria afetado seu humor? Para enganar a ansiedade, repasso a carreira da atriz e me concentro, como talvez qualquer homem faria, nas cenas em que ela aparece... nua. E são muitas.

Mas Alessandra enfim chega. Toda de preto, jaqueta, bolsa, cabelo, tudo. "Desculpe o atraso... É o trânsito", ela tenta se explicar. Sei que o apartamento que comprou em São Paulo fica muito próximo do restaurante onde estamos, porém nada comento. Ela quebra o silêncio: "É brincadeira! Eu moro aqui do lado", ri como uma garota levada que acabou de pregar uma peça. Mas logo fica séria, afunda o rosto no cardápio e me pergunta gentilmente se quero comer algo. Observo os gestos miúdos, a tranquilidade, e vejo que terei de descobrir se aquele monstro das revistas de fofoca é pura ilusão ou se na verdade Alessandra Negrini enviou uma gêmea boa para dar a entrevista em seu lugar.

Ela havia acabado de voltar de um giro pela Europa, passando pelo Festival de Cannes, onde foi assistir à estreia mundial de seu filme mais recente, O Abismo Prateado, de Karim Aïnouz - que deve ser lançado no Brasil ainda este ano. Baseado na canção "Olhos nos Olhos", de Chico Buarque, o longa conta a história de uma mulher abandonada pelo marido. "Foi muito difícil. Muito difícil", ela reflete. "Um dia na vida dessa mulher. Você fica muito exposto, né. E se eu errei? Sempre dá uma insegurança." Mudamos de mesa para evitar uma suposta corrente de ar que estaria a deixando ainda mais resfriada. Alessandra pede uma taça de vinho rosé, filé, vegetais na chapa e purê de batata. Como irá confirmar depois, gosta de comer e beber. São prazeres que não sacrifica apenas para manter a boa forma. Além de Abismo..., também aguarda a entrada no circuito de Dois Coelhos, primeiro filme de Afonso Poyart, em que faz uma advogada corrupta. Ela ainda não viu a obra finalizada, mas o trailer indica uma linguagem rápida, com sequências em animação e referências do universo dos quadrinhos para atrair os jovens.

Mas a molecada que atualmente frequenta os cinemas multiplex - e seria o público-alvo de Dois Coelhos - não tem ideia da comoção que os seios de Alessandra Negrini causaram em 1995, quando a minissérie Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados foi exibida na TV Globo. A personagem de Nelson Rodrigues teve a sua fase jovem interpretada pela atriz, no que foi seu primeiro papel de destaque na televisão. Sua simples presença em cena fazia homens uivarem de desespero. Com um olhar sedutor, provocava, espezinhava e atormentava até mesmo a mente do padre mais resoluto. Quem acha Megan Fox o limite máximo da sensualidade em cena com certeza não viu Engraçadinha em ação. Na época com 25 anos e apenas duas participações em novelas, Negrini virou a "namoradinha sacana" do Brasil. Foi o papel que não apenas a lançou para a grande massa como também a desnudou, o que se tornaria uma constante em sua carreira.

"Todo filme que eu fiz, eu fiquei nua. Mas eu não me sinto nua, mas vestida pela linguagem", ela argumenta. Solteira, prestes a completar 41 anos no dia 29 de agosto, tem dois filhos (Antônio, 14, e Bettina, 6) e é uma das atrizes de sua geração que mais usam o corpo como instrumento de trabalho no meio audiovisual brasileiro. "Talvez eu fosse meio despudorada mesmo. Não me sinto mal em ficar nua. Tem gente que não gosta, né? Eu até gosto", ela fala fitando meus olhos, o que me deixa constrangido, já que alguns minutos antes a imaginei tomando banho num riacho na pele de Isabel Olinto, a perturbada personagem que criou na minissérie A Muralha (2000).

Em busca do tempo perdido


 SEM PARAR

 MAIS FÁCIL

Cineasta Sérgio de Carvalho lança seu primeiro livro

Noites Alienígenas retrata as drogas na vida de três personagens e será lançado nesta quarta-feira

Três dias e três noites na periferia de Rio Branco e um mundo de drogas e alucinações onde personagens se cruzam e juntos criam uma história de outro mundo. Essa é a premissa de Noites Alienígenas, livro do cineasta e escritor Sérgio de Carvalho, que será lançado na próxima quarta-feira, 13, às 19 horas, no Teatro de Arena do Sesc. O livro foi vencedor do Prêmio Garibaldi Brasil 2010 na categoria romance.

A edição é independente, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e da Editora Pindaíba, que, fundada recentemente, tem o objetivo de lançar no mercado editorial do Estado obras de autores acreanos. Noites Alienígenas é a primeira obra da editora e o lançamento do livro também contará com uma exposição fotográfica de Guilherme Noronha, que realizou uma interpretação pessoal da obra em fortes imagens nos bairros de Rio Branco. No lançamento também acontece leitura dramatizada de trechos do livro, por Samyr Farias e Cassio Hericsson, além de um coquetel ao som de Cris Guto.

A obra

Durante três dias pela periferia de Rio Branco, o leitor de Noites Alienígenas mergulha onde as casas simples escondem um cotidiano intrincado, em que cada decisão e cada palavra têm o poder de decidir a vida ou a morte, com uma pitada de realismo fantástico. Complexos, os personagens fogem tanto do arquétipo de herói quanto do estereótipo de vítimas. Eles são pessoas de carne e osso, enredados na trama obscura do sedutor e perigoso universo da dependência química.

“É um tema que precisa ser debatido e, através dessa discussão, provocar uma reflexão”, conta Sérgio de Carvalho. A narrativa seca aos poucos revela os meandros desse labirinto. Família e sociedade estão envolvidas na jornada quase sempre desastrosa dos jovens personagens. Evitar o final trágico exige a coragem de não lavar as mãos, por mais distante que o problema possa, enganosamente, parecer. Tudo isso em pessoas que, por serem usuárias de drogas, tornam-se marginalizadas pela sociedade como se fossem alienígenas.

Nesta sexta-feira, 8, também acontece um bate-papo com o escritor Sérgio de Carvalho, às 17 horas, na Livraria Nobel. Noites Alienígenas tem tiragem de mil exemplares e estará à venda nas principais livrarias de Rio Branco, além do site oficial http:// www.noitesalienigenas.com.br/site/ e durante o lançamento.

SEJUDH faz parceria com serviço de psicologia da FAAO

Na última quarta-feira, 6, representantes do Centro de Referência LGBT, vinculado diretamente a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), se reuniram com o professor e Psicólogo Jeferson Renato Montreozol, da Faculdade FIRB/FAAO, para tratar de uma possível parceria. O objetivo é disponibilizar os serviços de psicologia também ao público LGBT.

“Sempre atendemos grupos LGBT que passam por diversas situações difíceis com a sociedade e também a própria família, essa parceria com propostas de atividades psicológicas beneficiará toda comunidade gay”, ressaltou Germano Marino, Coordenador do Centro de Referência LGBT.

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PARCERIA entre o governo e a FAAO vai atender a comunidade LGBT

Desde setembro de 2009 os serviços são disponibilizados na própria faculdade e atualmente também em instituições como o Instituto Socioeducativo do Estado do Acre (ISE), e Instituto de Administração Penitenciária (Iapen). Realizando atendimentos individuais e também em grupo.  

“Na FAAO atendemos grupos de idosos e professores, além dos atendimentos individuais, o serviço é destinado a toda sociedade” informou o Psicólogo, Jeferson Montreozol.  

O Estado do Acre ainda não dispõe de profissionais da área de psicologia suficientes para atender todas as demandas. Somente duas universidades oferecem o curso em Rio Branco e há apenas uma turma formada.  

Segundo o psicólogo, as parcerias com as instituições, possibilitando estágios na área para os acadêmicos, são muito importantes para que eles possam desenvolver todo o processo profissional.



Cine Servidor

Viva Voz

Dia 12 de julho, terça-feira as 12h30m na Filmoteca Acriana
Direção: Paulo Morelli
Duração: 85 min
Gênero: Comédia
Sinopse: Duda (Dan Stulbach) é um empresário inseguro, que está para receber uma alta quantia em dinheiro proveniente de uma transação ilegal. Duda pretende usar a quantia para pôr sua vida em ordem, inclusive encerrar o longo romance que mantém com Karina (Graziella Moretto), sua amante. Porém, quando Karina tenta agarrar Duda, ela acidentalmente liga o celular dele, que faz uma ligação para Mari (Vivianne Pasmanter), esposa de Duda. É quando, através da ligação, ela descobre que seu marido a está traindo e parte ao seu encontro.




VIVA VOZ (Viva Voz)
Comédia / 87 min. / Brasil / 2004

Direção: Paulo Morelli Roteiro: Márcio Alemão
Produção: Andréa Barata RibeiroMusica: Paul MounseyFotografia: Luís Branquinho
Direção de Arte: Cláudia Briza
Figurino: David Parizotti
Edição: Paulo MorelliElenco: Dan Stulbach (Duda); Vivianne Pasmanter (Mari) Graziella Moretto (Karina); Betty Gofman (Déia); Kiko Mascarenhas (Flavinho); Luciano Chirolli (Abílio); Supla (Sávio); Genésio de Barros (Francisco); Otávio Martins (Alicate); Fábio Herford (Monstro); Ernani Moraes (Policial); Paulo Gorgulho (Policial).

SINOPSE: Duda (Dan Stulbach) é um empresário que está prestes a receber uma grande quantia de dinheiro que mudará sua vida. Mas o grande dia lhe reserva várias surpresas. Muita gente está de olho na grana, que ele pretende usar para abrir novas lojas de sua confecção e cumprir a promessa que fez ao irmão Sávio (Supla), morto há dez anos num acidente de carro. Durante esse tempo Duda, que até hoje se sente culpado pela morte de Sávio, juntou dinheiro para realizar o sonho do irmão e recomeçar sua vida sem culpa. Para isso, o primeiro passo é separar-se da amante Karina (Graziella Moretto) que trabalha na sua confecção. Logo depois de Duda tomar esta decisão, Karina entra na sala dele e ignora completamente seus argumentos. Mas, por acidente, enquanto tenta agarrar Duda, Karina aperta o botão "send" do celular dele, acionando o número de sua mulher, Mari (Vivianne Pasmanter), que estava na memória. Ela, então, passa a escutar no carro, tudo que o marido e a amante conversam, enquanto acontecem traições, desvio de dinheiro, roubos, seqüestros e até uma tentativa de assassinato.

COMENTARIO: Apesar de abusar um pouco de situações absurdas, o filme é simpático e engraçado na medida certa para entreter o público. Despretensioso, a produção tem como único intuito divertir o espectador, sem abandonar o apuro técnico. O filme não se passa no mundo real, mas em uma espécie de dimensão paralela na qual todos os personagens parecem estar sob o efeito de anfetaminas. A direção de Morelli conduz o filme tecnicamente bem. O elenco talentoso, em especial a ótima Viviane Pasmanter, também contribui de forma bastante positiva. O carioca Kiko Mascarenhas consegue a proeza de transformar Flavinho, o secretário gay de Duda, em um dos personagens mais engraçados da trama sem cometer o erro mais comum entre os atores que vivem homossexuais em comédias de sobre-atuar o papel. “Viva Voz” mantém o espectador sempre com um sorriso no rosto. Isto quando não estamos gargalhando incontrolavelmente.
E, antes que alguém questione o absurdo da duração das baterias de celular vistas no filme ou o fato de que a ligação jamais cai, lembre-se: os aparelhos também estão sob o efeito de anfetaminas. Seus diálogos ágeis e afiados e sua visão ácida das classes mais altas.
O roteiro é fraco com seus momentos brilhantes, sem apelação para baixaria.
Prêmio de Melhor Filme Internacional no New York International Independent Film Festival (Abril/2003); participou do Festival do Cinema Brasileiro de Paris (Março/2003), do San Diego Latino Film Festival (Março/2003) e do Istambul International Film Festival (abril/2003). Além disso, Viva Voz encerrou o 19º Festival do Filme Latino de Chicago (Abril/2003).
Enfim, "Viva Voz" e um filme muito bom .. feito especialmente para agradar e consegue arrancar boas risadas e ao mesmo tempo prender a atenção! Você fica curioso pra saber como a confusão vai terminar e se surpreende com as várias reviravoltas!Vale a pena conferir.

Os Normais
Dia 14 de julho, quinta-feira as 12h30m na Filmoteca Acriana
Direção: Roberto Carminati

Gênero: Comédia
Sinopse: Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) estão prestes a se casar. Ela com Sérgio (Evandro Mesquita), ele com Martha (Marisa Orth). Ambas as cerimônias estão marcadas para a mesma sacristia, sendo uma às 18 hs e outro às 20 hs. É lá que Vani e Rui se conhecem, quando ela lhe pede um pouco de arroz para comemorar o casamento que está para ocorrer.


Escrito por Marcelo Roverso às 18h56
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III MOSTRA DE MUSICA DO SESC-ACRE

III MOSTRA DE MUSICA DO SESC-ACRE
5,6 e 7 DE AGOSTO
TEATRO PLACIDO DE CASTRO
APRESENTAçÃO DOS PRÉ-CLASSIFICADOS
E SAIRÃO 12 CANÇÕES
PARA O CD DA MOSTRA!
PROMOÇÃO SESC ACRE
COM DEPARTAMENTO NACIONAL DO SESC.

[Mulheres+com+guitarra+2+(Guitar+Hero).jpg]

GRAZIELLA MORETTO
15 de março de 1972 *Santos, SP

Foto: cena de "Viva Voz" (2004),
de Paulo Morelli

Revelação no humor dos anos 2000, Graziella Moretto é atriz e comediante de talento na televisão, no teatro e no cinema. Neste último, começou como atração em filmes da O2 produções.

Graziella Morreto começou a carreira no teatro, incentivada pelo pai, ator amador – faz cursos de teatro nos anos 1990 na ECA e na EAD, além do Actor´s Center, em Nova York, onde ficou mais de três anos. Nos palcos, atua, com sucesso, no “Terça Insana”, e em peças como “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, de Monique Gardenberg. No início de sua trajetória artística fez muitos comerciais, sobretudo na O2 Produções de Fernando Meirelles, o que lhe valeu o convite para o teste em “Domésticas – O Filme”, dirigido por Meirelles e Nando Olival em 2001 – antes, fez uma participação em “Supercolosso – O Filme” (1995), de Luiz Ferré. Adaptado da peça de Renata Mello, “Domésticas – O Filme” projetou seu nome com revelação no humor. Na TV, estreou na minissérie “Aquarela do Brasil” (2000) de Lauro César Muniz, seguido de trabalhos em novelas como “Da Cor do Pecado” (2004), de João Emanuel Carneiro, e no seriado “Os Normais” (2002). A atriz participou do seriado “Ilha-Rá-Tim-Bum” (2002), como Hipácia, personagem que também interpretou no longa “O Martelo de Volcano” (2003), de Eliana Fonseca.

Em seus primeiros filmes, a atriz marcou presença nos filmes da O2, o mega-sucesso “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, e “Viva Voz”, de Paulo Morelli são os outros trabalhos da produtora. Em 2007, dá seqüência às atuações no cinema marcando presença em dois filmes aplaudidos pela crítica: “Não Por Acaso”, estréia de Philippe Barcinski em longas; e em “O Signo da Cidade”, de Carlos Alberto Ricelli.

- “Supercolosso – O Filme” (1995), de Luiz Ferre;
- “Domésticas – O Filme” (2001), de Fernando Meirelles e Nando Olival;
- “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles;
- “O Martelo de Volcano” (2003), de Eliana Fonseca;
- “Viva Voz” (2004), de Paulo Morelli;
- “Não Por Acaso” (2007), de Philippe Barcinski;
- “O Signo da Cidade” (2007), de Carlos Alberto Ricelli.

 

Graziella Moretto

Selton Mello responde ao "Manifesto contra a Nudez", de Pedro Cardoso

Da Redação
O ator e diretor Selton Mello respondeu por escrito ao protesto de Pedro Cardoso contra a ditadura da nudez no cinema e na televisão, feito antes da sessão do filme "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais", de Domingos de Oliveira, no Festival do Rio. Mello escreveu um texto com dois pontos e o publicou no site de seu primeiro filme como diretor, "Feliz Natal", que está na 32ª Mostra de São Paulo.

Divulgação
A atriz Graziella Moretto, suposta namorada de Pedro Cardoso, em cena do filme "Feliz Natal"
Divulgação
O diretor Selton Mello explica cena para a atiz Darlene Glória
NUDEZ PODE SER JUSTIFICADA?
No manifesto, Cardoso afirmou que "cineastas de primeiros filmes" promovem "sessões privês" para exibir a nudez de atrizes para amigos. As insinuações do ator apontam para Mello, que dirigiu Graziella Moretto em suas primeiras cenas de nudez no cinema no filme "Feliz Natal".

Embora não assuma publicamente, Cardoso estaria namorando Graziella e ficou enfurecido com a notícia de que, nas folgas das filmagens, Mello convidava a equipe para assistir, em sua casa, a versões prévias do filme, que ele mesmo editava.

A seguir, a íntegra do texto de Mello, publicado no site do filme que dirigiu e que será exibido no sábado (18) na 32ª Mostra de São Paulo:

"Tomando como ponto de partida o manifesto do ator Pedro Cardoso e o fato de a imprensa envolver meu nome e trabalho neste episódio, sinto-me no dever de me posicionar, fazendo uma reflexão em dois movimentos:

1- O filme Feliz Natal, dirigido por mim, foi concebido e realizado em um ambiente de harmonia, com todos os envolvidos - elenco e técnica - trabalhando com respeito mútuo e delicadeza. Delicadeza é o sentimento que reinou antes, durante e mesmo depois das filmagens, com manifestações carinhosas trocadas entre toda a equipe e elenco, felizes por termos exercido nosso ofício de forma tão inspirada e apaixonada. Portanto, estou seguro e muito contente por ter realizado um filme simples e delicado, conduzido com o respeito habitual que sempre tive com qualquer pessoa que tenha cruzado meu caminho, e assim foi durante toda minha vida como homem e artista. E escrevo isto em nome de toda uma equipe que sempre falou a mesma língua e pode atestar minhas afirmações.

2- Quanto a emitir uma opinião sobre o manifesto, penso que se uma cena de nudez estiver inserida em um contexto legítimo, como expressão genuinamente artística, sem traço algum de banalização, me parece algo bastante natural e belo. Há centenas de exemplos disto na história do cinema e da arte."

Selton Mello










Valéria



Graziella Moretto e Dan Stulbach em cena do filme "Viva Voz", de Paulo Morelli



Músico acreano Marquinho Brasil faz show no Casarão

Do blues ao baião, além de várias influências de outras regiões, o artista receberá  como convidados Clenilson Batista e os Lendários Nativos

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Com um trabalho que traz uma estética musical bem marcante, o cancioneiro Marquinho Brasil, acreano de Rio Branco, faz show no Casarão no próximo dia 16 (Foto: Divulgação)

Com um trabalho que traz uma estética musical bem marcante, o cancioneiro Marquinho Brasil, acreano de Rio Branco, faz show no Casarão no próximo dia 16, sábado, a partir das 22 horas. O evento tem o apoio do governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour. Uma das características do seu trabalho é seu violão de aço, instrumento afinado e inseparável que ele utiliza com um estilo pessoal. Do blues ao baião, além de várias influências de outras regiões, Marquinho receberá como convidados Clenilson Batista e os Lendários Nativos, com João Veras (flauta/percussão e vocal), Koka-Kola (percussão/vocal), Clevisson Batista (baixo/vocal), Écio Rogério (violão) e Marcelo Roverso (violão, gaita e vocal).  

“Há uma riqueza enorme de formas, ritmos e expressões musicais, além de tudo ele é uma pessoa viajada, que certamente absorveu uma série de influências de outras regiões do Brasil, o que acaba no final das contas sendo colocado no liquidificador pesssoal , e gerando um novo estilo, novo jeito de dizer as coisas através da música”, define o músico Kleiton Ramil sobre o trabalho do artista.

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Do blues ao baião, além de várias influências de outras regiões, Marquinho receberá diversos convidados na apresentação em Rio Branco (Foto: Divulgação)

O músico acompanhava o pai seresteiro desde sete anos. Aos 16 anos em Brasília, participou de festivais, o que o motivou a compor, realizou seu primeiro show em 1987. A partir daí participou de vários festivais de renome nacional, além de apresentações internacionais, como no Festival Mundial de La Cultura Caribeña, em Cuba. Passou por Juiz de Fora (MG), e há 18 anos reside em Pelotas (RS). Foi a partir de 1994 que Marquinho trocou os bares e casas noturnas por teatros da região e passou a realizar shows com composições autorais que lhe renderam quatro trabalhos em CD: Andarilho (2000), Real Abstrato (2002), Estrada (2005) e Com as próprias mãos (2010).   

Para 2011, o músico se debruça no projeto Alma Brasileira. “A finalidade é mostrar a diversidade do sotaque musical de nosso país, usando ritmos e letras que citam e região norte, principalmente o Acre, onde pretendo tirar todo o conteúdo, referência e identidade”, define o artista, que acredita que mesmo que o projeto tenha uma alma brasileira, terá maior aceitação na região norte. “São minhas raízes os traços mais marcantes nesse novo trabalho”.  

Serviço

O que? Show Marquinho Brasil

Quando? 16 de julho, sábado, 22 horas

Onde? Casarão – Avenida Brasil, Centro

Ingressos: 5 reais e 2 reais (promocional)

WOMAN BLUES FOREVER





Escrito por Marcelo Roverso às 11h09
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